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Flávio Bolsonaro em Vitória: os bastidores do ato em Camburi

Flávio Bolsonaro em Vitória: os bastidores do ato em Camburi

Por Vinícius Baptista / SIM NOTÍCIAS / Foto: Divulgação / Arte: IA

Multidão tomou a orla, políticos disputaram espaço no trio elétrico, eleitores trocaram provocações e a chuva encerrou a manhã de mobilização da direita capixaba.

Usando as palavras do próprio candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), o que se viu na manhã deste sábado na orla da Praia de Camburi, em Vitória, foi algo “histórico”. O Bloquinho 22 arrastou uma multidão que pintou a Avenida Dante Michelini, e até as areias da praia, de verde e amarelo, em um dos maiores atos políticos já vistos no Espírito Santo nos últimos anos.

“Vocês estão fazendo história. Depois que divulgarmos as imagens aéreas, vocês terão noção do que eu estou vendo aqui de cima”, disse Flávio, que não conseguiu segurar as lágrimas ao ver a multidão.

“Vou subir aquela rampa com cada um de vocês. Eles acharam que iriam acabar com o bolsonarismo. Mas Bolsonaro deixou milhares de sementes plantadas, que estão florescendo no Brasil. Vocês vão viver o melhor Brasil que já viveram. Eu vou dedicar cada segundo do meu mandato para cuidar de quem mais precisa”, discursou Flávio, segurando uma bandeira do Espírito Santo.

Era de se imaginar que o evento teria grandes proporções. Afinal, o Espírito Santo tem se mostrado, nas últimas eleições, um estado de maioria conservadora. E aqui não é questão de opinião. Vamos aos números da votação dos presidenciáveis no primeiro turno: Flávio Bolsonaro, 54,78% (1.233.194 votos); Lula, 37,76% (850.028 votos).

Quando escrevemos esta coluna, ninguém ainda havia divulgado o número de participantes da manifestação da direita capixaba. Mas, do alto, era possível ver que as quatro pistas da avenida haviam sido tomadas pela multidão. Quando o trio elétrico dos políticos estava na altura do Clube dos Oficiais, os manifestantes ocupavam toda a avenida, dali até o início da praia, na altura do primeiro píer, o K1.

O horário marcado para o início da concentração era às 9h. Mas muitas famílias começaram a chegar bem mais cedo. Essa combinação de aglomeração e calor forte fez muita gente passar mal antes mesmo de o evento começar.

No alto do trio elétrico, um animador puxava os hinos da campanha de Flávio e outras músicas que provocavam o Partido dos Trabalhadores e, principalmente, o presidente e candidato à reeleição, Lula (PT).

Quem também pediu votos durante a manifestação foi o candidato ao governo do Estado Lorenzo Pazolini (Republicanos). O ex-prefeito de Vitória é o candidato de Flávio no Espírito Santo, e os dois dividiram o trio elétrico.

Então, vamos transformar em notas os principais momentos e as curiosidades da manifestação organizada pela direita capixaba.

 

 

Pistas fechadas

A ideia inicial da Prefeitura de Vitória era fechar as duas pistas no sentido Praia do Canto–Jardim Camburi, como faz tradicionalmente aos domingos. As duas pistas no sentido Praia–Centro ficariam abertas. Mas a aglomeração no local da concentração, próximo à Ponte da Passagem, foi aumentando e, em pouco tempo, todas as pistas foram ocupadas.

Comboio

Com os manifestantes ocupando todas as pistas, o comboio que trazia Flávio e sua comitiva teve muita dificuldade para chegar ao trio elétrico. Batedores em motocicletas vieram à frente, abrindo caminho para os carros das autoridades. Eram por volta das 10h30 quando a SUV que transportava o presidenciável entrou na área isolada ao redor do trio elétrico.

Snipers

A segurança foi muito reforçada no local. Do alto de um hotel, atiradores de elite estavam posicionados observando tudo de cima.

Celebridades do PL

Quem veio no mesmo carro que Flávio foi o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), o mais votado da história do Brasil. Idealizador do Bloquinho 22, Nikolas era um dos mais empolgados no trio. Era quem mais puxava os gritos de guerra e animava os manifestantes.
Também estavam no trio elétrico o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos); a senadora Damares Alves (Republicanos); o deputado federal eleito Lucas Pavanato; e o senador eleito por São Paulo Guilherme Derrite (PP).

 

 

Os piás recordistas em votos

No trio elétrico estavam três políticos jovens que obtiveram votações recordes em seus respectivos estados e dominam as redes sociais como poucos políticos do país. Além de Nikolas Ferreira, de 30 anos, com 3.119.318 votos em Minas Gerais, também estavam presentes Lucas Pavanato, que, aos 28 anos, conquistou 3.038.438 votos em São Paulo, e seu xará capixaba, Lucas Polese, que completará 30 anos no próximo dia 24 e se elegeu deputado federal pelo Espírito Santo com 419.735 votos.

Derrite também foi o candidato ao Senado mais votado da história, com 13.273.880 votos.

Metro quadrado disputado

É claro que os políticos capixabas da direita também não ficariam de fora da manifestação. Além de Pazolini e Polese, estavam no trio elétrico o senador eleito Evair de Melo (Republicanos); o senador Magno Malta (PL) — que, na última quinta-feira, foi internado para retirar uma pedra no rim —; os deputados federais eleitos Coronel Ramalho (Republicanos) e Lucas “o federal da direita” (PL) ; e os deputados estaduais eleitos Davi Esmael (Republicanos), Danilo Bahiense (PL), Dr. Vitor Louzada (PL), delegado Leandro Sperandio (Podemos), Pastor Dinho Souza (PL)  e Dárcio Bracarense (PL).

“É a força do bolsonarismo, é a força do conservadorismo, a força da família brasileira mostrando que é maioria e que deseja uma mudança de rumo para o país”, destacou Bracarense em conversa com a Coluna.

Outra presença bastante animada no trio era Maguinha Malta (PL), candidata ao Senado pelo Espírito Santo que ficou em terceiro lugar na eleição.

Ao longo da semana, este colunista perguntou se a imprensa teria autorização para subir no trio e tentar entrevistar os políticos. Mas a negativa de uma das assessoras de imprensa do evento veio acompanhada do seguinte comentário: “Aquele será o metro quadrado mais disputado do Espírito Santo”.

E foi.

Animada

Por falar em animação, quem também estava bem à vontade no trio era a candidata a vice-governadora na chapa de Pazolini, Eliane Leal (PL). Bispa da Igreja Tabernáculo de Adoração, em Colatina, ela era uma das mais animadas, cantando todas as músicas e acenando para a multidão.

Se, no primeiro turno, ela pouco apareceu, neste segundo turno tem sido presença frequente e marcante nos atos da direita. Inclusive, esteve em Brasília com Pazolini e gravou vídeos com Flávio.

 

 

Médico deputado ou deputado médico?

Quem foi ao evento para participar do ato, mas precisou trabalhar, foi o vereador de Colatina e deputado estadual eleito Dr. Vitor Louzada. Ele chegou ao local da concentração antes da comitiva de Flávio.

Como muitas pessoas que passaram mal eram levadas para uma área que contava com uma espécie de cordão de isolamento, ele fez questão de ir até elas e prestar os primeiros atendimentos. Na foto, Drº Vitor aparece de camisa azul, usando uma bandeira do Brasil para fazer sombra e amenizar o calor sobre a menina que se sentia mal.

Em seu perfil no Instagram, Dr. Vitor se apresenta como médico radiologista. Antes do início da manifestação, ele chegou a subir no trio elétrico, pegou o microfone e orientou as pessoas a se hidratarem e jogarem água na cabeça para se refrescar do calorão que fazia em Camburi.

 

 

Faz um coração

Pazolini também soube surfar na onda bolsonarista. O jingle chiclete de sua campanha tocava o tempo todo no sistema de som. Quando subiu ao trio e pegou o microfone, puxou a música à capela, e o público cantou junto.

Acompanhado de sua vice e de seu fiel escudeiro, Erick Musso, Pazolini foi bastante aplaudido pelos presentes, que endossaram a parceria eleitoral com Flávio.

 

 

Da camisa pirata à água do Bolsonaro

Muita gente aproveitou a movimentação na orla para faturar. Havia vendedores oferecendo camisas da seleção brasileira “tailandesas” por R$ 89,00 — o país asiático é famoso por fabricar, digamos, “réplicas” bastante parecidas com as originais. Churrasquinho e batata frita também estavam no cardápio das guloseimas vendidas em Camburi.

Mas, com tanto calor, quem mais faturou foram os vendedores de água.

Didi, nascido no Ceará e morador do Espírito Santo há 11 anos, vendia a água do Bolsonaro. “É a água do Flávio Bolsonaro. A água que vai lavar a sua alma”, anunciava o vendedor, de olho nos clientes bolsonaristas.

 

 

Faz o L

É claro que, em uma disputa tão polarizada quanto a presidencial, eleitores do presidente Lula também apareceram, mesmo que de passagem rápida, pela manifestação.

De dentro dos ônibus, sempre havia alguém que “fazia o L” para os manifestantes, que respondiam com uma sonora vaia. Em um dos veículos, uma passageira chegou a bater boca com os apoiadores, dizendo: “O meu candidato está solto. O de vocês está preso”, em uma clara alusão ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

 

A varanda da discórdia

Mas o fato mais curioso aconteceu na varanda de um apartamento logo no início da orla. Vários adesivos do PT e até uma bandeira do partido estavam colocados nos vidros da varanda. Uma jovem acenava para os manifestantes, que, é claro, vaiavam. Foi quando um homem surgiu de dentro do apartamento e arrancou os adesivos e a bandeira. Não se sabe qual é o grau de parentesco dele com a jovem, mas a multidão foi ao delírio. O vídeo da cena viralizou nas redes sociais.

 

 

Trump fake

Quem também fez sucesso foi um sósia do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Vestido de terno e gravata — mesmo com o calorão que fazia em Camburi — e usando o tradicional boné com o bordão “Make America Great Again”, ele era abordado o tempo todo pelos manifestantes para tirar fotos.

 

Temporal

O trio elétrico de Flávio percorreu a orla até a altura do Clube dos Oficiais. Lá, foram feitos os discursos e, por volta das 11h30, o presidenciável se despediu dos capixabas. O tempo era quente e nada de chuva.

Mas, quando a multidão começava a se dispersar, um temporal atingiu Vitória. Pelas ruas, alguns tentavam se proteger, enquanto outros ignoravam o aguaceiro.

“É um sinal. Foi só terminar a manifestação para chover”, dizia uma mulher a quem passava por ela.

E assim a direita capixaba voltou para casa depois de uma manhã que realmente lavou a alma de muitos participantes e mostrou a dimensão da mobilização dos eleitores de Flávio Bolsonaro no Espírito Santo.

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