Por Fabiana Tostes / FOLHA VITÓRIA / Foto: Divulgação / Crédito: Thiago Soares / Arte: IA
O senador eleito também admitiu, pela primeira vez, que a campanha de 1º turno do governador Ricardo Ferraço, seu aliado, poderia ter sido melhor
Desde a campanha, o ex-governador e senador eleito Renato Casagrande (PSB) defende que, uma vez em Brasília, seria o elo entre o Estado e o governo federal, servindo de ponte para atrair recursos, destravar demandas e aprovar políticas públicas de interesse dos capixabas.
Integrante da base do governo Lula e do partido que tem o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), Casagrande reiterou esse compromisso ontem (05), em entrevista para a coluna De Olho no Poder:
“Quero ser uma ponte entre o Espírito Santo e o Brasil. Quero contribuir para poder continuar desenvolvendo o Espírito Santo e ajudar o País a achar o seu caminho (…) Ser a ponte entre as entidades capixabas, instituições, trabalhadores e empreendedores com o governo federal”, afirmou.
Mas, se para a sociedade civil e os setores produtivos a passagem é ampla, para o governador eleito Lorenzo Pazolini (Republicanos) a travessia tem tom de cautela.
Questionado sobre como será sua relação com o governador eleito e antigo adversário, Casagrande adotou um tom comedido. Sinalizou que a “ponte” estará lá, mas que a iniciativa de atravessá-la terá de partir do novo mandatário: “Serei uma ponte para os que quiserem (…) Para todos aqueles que desejarem, eu serei uma ponte para ajudar o Espírito Santo”.
A virada de chave para a nova conjuntura política passa, inevitavelmente, por digerir a derrota do seu grupo político no Estado.
Ao analisar o desfecho das urnas, Casagrande segue apontando a “força do bolsonarismo” como o grande motor da vitória de Pazolini sobre o governador Ricardo Ferraço (MDB), mas admite, pela primeira vez, que a campanha de primeiro turno do aliado “poderia ter sido melhor”.
Confira abaixo a primeira parte da entrevista de Casagrande concedida à coluna:
COLUNA DE OLHO NO PODER – Passados 10 dias do segundo turno, que análise o senhor faz do resultado das eleições, especialmente com relação à derrota do Ricardo na disputa ao governo?
RENATO CASAGRANDE – A principal razão, o principal motivo do resultado eleitoral foi a força do bolsonarismo no Espírito Santo. O Ricardo, no segundo turno, fez uma boa campanha, acho que no primeiro turno poderia ter sido uma campanha melhor…
Melhor em que sentido?
Acho que o primeiro turno poderia ter tido um enfrentamento mais direto com os adversários. Mas o segundo turno foi uma campanha mais de apresentação de propostas, da personalidade de cada um, da explicitação de pontos de fragilidade de um e de outro. Então, a campanha de segundo turno foi mais enquadrada, organizada. Tanto é que o resultado foi de 52% a 48%, um resultado apertado.
Tem outros fatores, como esse que eu falei do primeiro turno, mas a razão principal é a energia que ainda existe do bolsonarismo aqui no Espírito Santo. Uma parte das pessoas não leva em consideração o resultado de governo, leva em consideração apenas posições políticas e ideológicas. Porque se levasse em consideração resultado do governo – um governo com tanto resultado como o nosso, que transformou o Espírito Santo –, racionalmente você teria que ter um resultado diferente do que tivemos. Mas é isso, nesse ambiente que a gente está vivendo, as questões ideológicas têm um peso muito maior que o resultado de governo.
Mas, na sua avaliação, esse peso ideológico foi maior em 2026? Porque o senhor enfrentou essa força do bolsonarismo em 2022 e 2018…
Enfrentei. Em 2018 menos, estava começando, e em 2022 muito forte. Em 2026, que eu achava que pudesse ser menos intensa, foi tão intensa quanto em 2022.
E o que o senhor acredita que aconteceu para que em 2022 o seu grupo vencesse e agora não?
Difícil fazer uma análise comparando uma eleição com a outra. Acho que são as condições de campanha, os detalhes de uma e outra campanha que ajudam a somar o resultado. Em 2022 foi positivo, em 2026, negativo.
Falando da sua eleição, durante a campanha o senhor falou muito sobre apoiar uma reforma no Judiciário, endurecer as leis penais, mudar a forma como tramitam as emendas parlamentares. Essas continuam sendo suas principais bandeiras?
As bandeiras que eu apresentei na campanha, como a reforma do Judiciário, transparência no uso das emendas parlamentares, questão da segurança pública, endurecimento de penas… Eu já apoiava a PEC de Segurança Pública, que foi aprovada e promulgada. Eu vou acompanhar a implementação da PEC da Segurança Pública, vou acompanhar a implementação da Reforma Tributária, o tema das mudanças climáticas, o tratamento das desigualdades… O que eu debati na campanha será prioridade no Senado.
Estou começando a montar a estrutura para poder fazer um bom trabalho, vou me dedicar muito, quero ser uma ponte entre o Espírito Santo e o Brasil, entre o Espírito Santo e o governo federal. Quero contribuir para continuar desenvolvendo o Espírito Santo e ajudar o Brasil a achar o seu caminho. Tudo aquilo que fizemos e que estamos fazendo no Espírito Santo eu levarei como exemplo. E quero ser a ponte entre as entidades capixabas, instituições, trabalhadores e empreendedores com o governo federal.
Olhando a nova composição do Senado, ele é muito mais conservador e opositor ao governo Lula. O senhor acredita que os embates devem aumentar? Qual será o seu posicionamento e do PSB?
Eu serei no Senado um senador para tentar construir um ambiente de mais equilíbrio. O Senado, nesses últimos anos, perdeu a sua capacidade de ser uma instituição que estabiliza as relações institucionais. Eu quero ajudar para que o Senado, mesmo com a composição muito diversa, tenha um grupo de senadores equilibrados, de gente de direita, de esquerda, de centro, que possa ajudar a produzir harmonia.
Então, eu vou fazer isso, com minha capacidade de diálogo, com minha paciência, equilíbrio e experiência. Vou ajudar o Senado a ser essa Casa que vai gerar serenidade nas relações institucionais.
O senhor citou que quer ser uma ponte entre o Espírito Santo e o governo federal. Isso inclui um relacionamento harmônico também com o governador eleito, o Pazolini?
Eu serei uma ponte para todos aqueles que quiserem: governo do Estado, federações empresariais, centrais sindicais, instituições. Para todos aqueles que desejarem, eu serei uma ponte para ajudar o Espírito Santo.



