Por Roosevelt Fernandes, consultor ambiental
Acredito ser oportuno dar continuidade ao artigo que já publicamos, trazendo novas reflexões que, ao nosso ver, são igualmente relevantes.
Com certeza, você se lembra (ou deveria se lembrar) do nome do político em quem votou na última eleição. Naquela ocasião, você teve o cuidado — ou talvez não tenha tido essa preocupação — de conhecer as posições que ele defendia em relação às mudanças climáticas? Ao longo do mandato, acompanhou — ou simplesmente deixou de acompanhar — se houve coerência entre as promessas feitas durante a campanha e as ações efetivamente realizadas?
Caso esse político seja novamente candidato, você pretende votar nele outra vez ou avaliará a possibilidade de escolher alguém que demonstre maior compromisso com aquilo que prometeu ao eleitor? É importante lembrar que alguns políticos parecem precisar do seu voto apenas no momento da eleição. Depois, seguem caminhos completamente diferentes, muitas vezes orientados por interesses próprios — nem sempre confessáveis —, confiando que boa parte dos eleitores não acompanhará sua atuação durante o mandato. Assim, o cidadão volta a ser visto apenas como um instrumento necessário para uma nova disputa eleitoral.
O mais preocupante é que, uma vez eleito, o representante recebe um mandato que não pode ser retirado pelo eleitor até o término do período para o qual foi escolhido, salvo nas hipóteses previstas em lei. Diante disso, será que não está na hora — ou talvez já tenha passado da hora — de valorizarmos ainda mais o nosso voto?
Evidentemente, os agentes políticos não são os únicos responsáveis pelos problemas ambientais que enfrentamos. Outro grupo que merece acompanhamento constante da sociedade é o dos gestores públicos — federais, estaduais e municipais. São eles que transformam, ou deveriam transformar, propostas em ações concretas, saindo do discurso para a implementação efetiva das medidas previstas nos planos de enfrentamento às mudanças climáticas. Mais do que elaborar documentos bem estruturados e participar de eventos, é preciso gerar resultados concretos e perceptíveis para a população.
Uma análise mais atenta da atuação desses gestores revela que, em muitos casos, há intensa participação em encontros e conferências, inclusive internacionais, como ocorreu nas últimas Conferências das Partes (COPs). No entanto, passado o momento dos discursos e das declarações públicas, nem sempre se observa o mesmo empenho na execução das ações que eles próprios anunciaram.
Há, ainda, um terceiro grupo de atores cuja força depende diretamente da participação da sociedade: as organizações não governamentais (ONGs), as associações e os movimentos comunitários. O envolvimento dessas entidades depende, antes de tudo, da decisão de cada cidadão de conhecê-las, participar de suas atividades e fortalecer sua atuação na região onde vive. São organizações que trabalham, muitas vezes de forma voluntária, na defesa dos interesses coletivos e da proteção ambiental, mas que necessitam do apoio da população para ampliar sua capacidade de atuação e alcançar resultados efetivos.
As mudanças climáticas representam um dos maiores desafios da atualidade. Enfrentá-las exige muito mais do que discursos ou boas intenções. Exige participação cidadã, fiscalização permanente, responsabilidade dos governantes e o fortalecimento das organizações da sociedade civil. Cada pessoa pode contribuir, seja por meio do voto consciente, do acompanhamento das ações dos gestores públicos ou da participação ativa nas entidades que defendem o interesse coletivo. Afinal, o futuro do meio ambiente também depende das escolhas que fazemos hoje.


