Durante sabatina nesta terça-feira (1º), o ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos) declarou que pretende fazer uma gestão suprapartidária, caso seja eleito em outubro para comandar o Executivo capixaba. Segundo candidato ao governo do Espírito Santo a participar da rodada de entrevistas realizada por A Gazeta e CBN Vitória, ele afirmou que vai convidar todos os partidos para um novo projeto de Estado.
Confiança nas urnas
O ex-prefeito também foi convidado a participar de uma espécie de “bate-bola” para responder, objetivamente, sobre premissas do bolsonarismo. Uma delas abordou a confiabilidade das urnas.
Pazolini argumentou não ter aptidão em tecnologia para dar uma resposta definitiva, mas reconheceu que, por ter sido eleito três vezes (uma para deputado estadual e duas para prefeito), a urna “deve ter algum grau de confiança”.
Perguntando sobre se houve tentativa de golpe de Estado em 8 de janeiro de 2023, o candidato não disse sim ou não sobre os atos daquele dia, mas sustentou que as decisões judiciais relacionadas aos participantes não teriam sido equilibradas. Para Pazolini, houve excesso na aplicação das penas, algumas se sobrepondo a crimes, segundo ele, mais graves.
O candidato ao governo do Espírito Santo ainda foi indagado sobre a atuação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, enquanto esteve à frente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nas eleições de 2022. Para Pazolini, Moraes extrapolou atribuições, pois, segundo previsão da Constituição Federal, quem investiga não poderia também julgar.
No entanto, o ex-prefeito preferiu não tecer comentários sobre uma eventual cassação de Moraes. Em sua opinião, essa competência é do Senado Federal, e caberá à futura bancada tomar a decisão.
Flávio Bolsonaro
Pazolini foi perguntado se é ou não bolsonarista e afirmou ser mais próximo do projeto de Flávio Bolsonaro do que de outros candidatos que disputam a Presidência da República. Para o republicano, o candidato à presidência pelo PL “tem demonstrado, nesta campanha, uma posição muito equilibrada.”
Ao ex-prefeito, foi apresentada na sabatina uma série de acusações que pairam sobre Flávio, como a rachadinha na época em que era deputado no Rio de Janeiro, a relação com Daniel Vorcaro, dono do banco Master, e a suposta ligação com a milícia carioca.
Como faz questão de ressaltar que é um político de mãos limpas, Pazolini foi perguntado se fica confortável em apoiar um candidato com tal histórico. O republicano frisou que se sente confortável em fazer o que acredita e que, no caso de Flávio Bolsonaro, não há condenação.
“Até o trânsito em julgado, não há que se falar em condenado. A Constituição Federal diz isso. Se houver acusação formal, prazo para a defesa e condenação, aí sim poderemos falar no cometimento de algum ilícito.”
Novo concurso
Ao ser indagado sobre o enfrentamento a crimes virtuais, Pazolini fez menção à necessidade de recomposição dos quadros da Polícia Civil. Ele afirmou que há defasagem e, além da convocação daqueles já aprovados em concurso, defende a realização de novo processo de seleção.
Com mais policiais, o republicano também sugere uma “força-tarefa”, reunindo integrantes de outras instituições, como Ministério Público e Polícia Federal, para combater a prática criminosa. Pazolini disse, ainda, acreditar na estratégia de letramento digital voltada aos idosos, público mais frequentemente alvo dos golpes digitais.
Desafios da reforma
Ao republicano, foi lembrado na sabatina que o município de Vitória, desde o ano em que ele assumiu a prefeitura, perdeu participação na fatia do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviço (ICMS), saindo de 15,8% para 9,8% (projeção para 2027).
Diante das perdas também previstas para o Espírito Santo com a reforma tributária, o candidato foi perguntado sobre como será sua atuação para estimular a economia.
Na avaliação do ex-prefeito, o caminho é o investimento em turismo, já que a reforma vai ser benéfica para quem tem maior público consumidor. Para aumentar o consumo, acrescentou, é necessário atrair visitantes, uma vez que a população capixaba é pequena em comparação a outros Estados.
Pazolini reforçou políticas adotadas em Vitória que, segundo ele, contribuem para as atividades turísticas na Capital. Afirmou que pretende, caso seja eleito, adotar a mesma prática no Espírito Santo.
Corte de comissionados
Ao ser perguntado sobre governança e o tópico de seu plano de governo que trata sobre alocação de recursos, Pazolini disse que pretende replicar, em nível estadual, políticas adotadas enquanto esteve no comando da Prefeitura de Vitória.
Uma das estratégias é a redução de cargos comissionados, mantendo nos quadros apenas aqueles que realmente comprovam entregas no serviço público. Para os efetivos, a ideia é instituir bonificações para estimular a melhoria no atendimento à população. Pazolini afirmou que houve resultados positivos na educação e na saúde da Capital a partir do uso desses instrumentos. “Aquela categoria que bater a meta, que aumentou a produtividade, o servidor passa a ter direito à bonificação.”
O candidato afirma que também pretende melhorar a remuneração do servidor para além dos benefícios por metas alcançadas. Questionado de onde vai retirar recursos para conceder aumentos e bônus, Pazolini apontou que o corte de comissionados vai poder compensar no pagamento dos efetivos, embora o custo seja bem maior.


