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UP: Altas Conjecturas. Ricardo corre o risco de perder aliado vital

UP: Altas Conjecturas. Ricardo corre o risco de perder aliado vital

Por Vitor Vogas / A GAZETA / Foto-montagem: Marcelo Santos, Euclério Sampaio, Ricardo Ferraço, Sérgio Vidigal e Josias da Vitória / Arte: IA

 

O relacionamento da Federação União Progressista (UP) com Ricardo Ferraço (MDB) entrou numa zona de fortes turbulências, no pior momento possível para o atual governador e pré-candidato a mais um mandato no Palácio Anchieta: a reta final das convenções partidárias, período de definições de apoios e alianças eleitorais, até o próximo dia 5 de agosto.

 

Formada pelas siglas União Brasil e Progressistas, a federação de centro-direita é uma das principais forças aliadas na coligação de Ricardo. Com um total de 106 deputados federais eleitos no país em 2022, é quem mais agrega tempo de TV e rádio na propaganda eleitoral, sem falar no regimento de cabos eleitorais incorporados à campanha do governador, com chapas completas e competitivas para a Assembleia Legislativa e a Câmara dos Deputados.

O apoio do UP a Ricardo foi anunciado no dia 23 de março, quando ele ainda era vice-governador, no auditório do Palácio do Café, com direito a um manifesto intitulado “Nada será como antes”.

Desde o primeiro momento, ao receber o apoio, Ricardo declarou que “a federação tem força, tamanho, musculatura, popularidade e presença no Espírito Santo para estar sentada à mesa para debater e definir as composições no campo majoritário”. Acrescentou que o UP “tem todas as virtudes para estar sentada à mesa contribuindo de forma protagonista na definição dos espaços majoritários”.

Foi o que a federação sempre reivindicou nessa composição: seus líderes, Josias da Vitória (PP) e Marcelo Santos (União), entendem que, pelo seu porte, o UP merece ser contemplado com espaço destacado na escalação da chapa majoritária de Ricardo.

Esse espaço, inicialmente, poderia ser o de segundo candidato a senador da chapa, que chegou a ser reservado a Da Vitória. Contudo, o deputado e presidente estadual da federação não quis ocupá-lo. No começo de junho, decidiu que vai mesmo disputar a reeleição e anunciou que o pleito da federação é o direito de indicar o/a candidato/a a vice-governador(a) de Ricardo.

O UP parecia mesmo ter a preferência no grupo de Ricardo e do ex-governador Renato Casagrande (PSB) para preencher esse espaço. Mas agora isso pode estar em risco.

Na tarde desta segunda-feira (27), o UP decidiu adiar a data da convenção para o limite do prazo. Inicialmente, planejava realizá-la no próximo sábado (1º). Agora, remarcou-a para o dia 5 de agosto, às 18h, no Centro de Convenções de Vitória. Detalhe: em simultâneo com a do MDB, marcada para uma grande casa de eventos em Cariacica.

O principal motivo é a mobilização de um grupo de aliados de Casagrande e Ricardo, principalmente prefeitos, liderados por Enivaldo dos Anjos (PSB) e Euclério Sampaio (MDB), com o objetivo de emplacar o ex-prefeito da Serra Sérgio Vidigal (PDT) como vice de Ricardo, em detrimento de uma indicação do UP.

Por mais que Vidigal já tenha afirmado e reafirmado que não quer ser vice de Ricardo nem disputar mais cargo eletivo algum, o movimento cresceu nos últimos dias. Enivaldo e Euclério o confirmam.

Repetindo: o UP não abre mão de ter a vice. Sentindo sua pretensão ameaçada no grupo de Ricardo, Da Vitória e Marcelo Santos já reabriram conversas com a frente eleitoral de Lorenzo Pazolini (Republicanos), por intermédio dos dois principais aliados do ex-prefeito de Vitória: Erick Musso e Evair de Melo.

Erick é presidente estadual do Republicanos. A conversa com ele se deu pessoalmente.

Evair trocou o PP pelo Republicanos em março, mas mantém bom diálogo com Da Vitória e Marcelo. Os três tomaram café da manhã juntos nesta segunda-feira. Evair postou registro do encontro.

Além disso, Marcelo e Da Vitória fizeram um post nesta segunda cheio de recados. Citando Ulysses Guimarães, maior vulto da história do MDB de Ricardo (ao lado de Tancredo Neves), publicaram:

“Nossa aliança é com o povo” (não com Ricardo). “Democracia não se faz com acordo de gabinete”…

Nesse contexto, a leitura da coluna é a seguinte:

Os dirigentes do UP não abrem mão da vice, mas, sem garantia absoluta por parte de Ricardo – e, agora, com esse fogo amigo de Enivaldo e de Euclério, presidente do MDB-ES –, a federação vai adiar suas decisões sobre coligação e apoio na majoritária até o último momento, até para pressionar Ricardo e Casagrande a acomodarem de uma vez por todas o UP na chapa oficial.

Se isso não ocorrer, nos círculos do UP, já se fala até no possível lançamento de uma “chapa independente”. Nesse caso, a federação só registraria suas chapas de candidatos a deputado estadual e a deputado federal, sem apoiar ninguém formalmente ao Palácio Anchieta.

Outra possibilidade, que passa a pairar ameaçadoramente sobre o Palácio Anchieta, é o UP na última hora levar o seu apoio inteiro para Pazolini, juntando-se à coligação do adversário de Ricardo (que já tem Republicanos e PL, além de aliados menores).

É claro que, para Ricardo, a segunda opção seria a pior, mas, num caso ou no outro, o UP levaria embora todos os seus ativos, destacadamente o tempo de propaganda eleitoral.

Somando as bancadas eleitas na Câmara de todos os partidos que já anunciaram apoio a Ricardo, a coligação governista chega a cerca de 270 deputados federais (mais da metade dos 513 eleitos em 2022). Isso com o UP na coligação. Somados, União Brasil e Progressitas (PP), duas pernas da federação, elegeram mais de 100.

Assim, se a federação abandonar a coligação de Ricardo, “quebrará uma perna” da campanha. Será um desfalque imenso de última hora.

Sabendo disso, a federação adiou sua convenção, dobrando a aposta para que Ricardo atenda ao seu pleito. A guerra de nervos está lançada.

Para completar, a fala de Casagrande dada após a convenção do PSB no último sábado, declarando apoio a Lula (PT) para presidente da República, também não caiu muito bem entre líderes do UP no Espírito Santo.

A grande questão

A reivindicação do UP esbarra em um grande problema prático: a falta de densidade política e eleitoral de todos os nomes já apresentados pela federação para completar a chapa de Ricardo. É algo que Vidigal tem de sobra.

Em encontro estadual realizado no fim de junho, o União Brasil indicou o nome de Joelma Costalonga. Aliada de primeira hora de Marcelo Santos, ela é secretária da Casa dos Municípios da Assembleia. Mas é totalmente desconhecida pelo eleitorado.

Por sua vez, o PP trabalha com nomes como a Capitã Andresa Nascimento, dos Bombeiros; o deputado federal Amaro Neto; o vereador de Vitória Camillo Neves; e o empresário Rodolfo Mai, de Guarapari. Os dois primeiros estão na chapa da federação para a Câmara dos Deputados.

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