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“Temos esperança de reciprocidade”, diz Coser após PT declarar apoio a Casagrande

“Temos esperança de reciprocidade”, diz Coser após PT declarar apoio a Casagrande

Por Fabiana Tostes / FOLHA VITÓRIA / Foto: Reprodução / Arte: IA

 

Presidente do PT capixaba espera que ex-governador ajude nas campanhas do senador Contarato e do presidente Lula à reeleição

 

O PT definiu ontem (10), após uma reunião com sua executiva estadual, que vai apoiar o nome do ex-governador Renato Casagrande (PSB) para a segunda vaga ao Senado.

O partido tem como prioridade a reeleição do senador Fabiano Contarato (PT). Mas, como duas cadeiras estarão em jogo, o nome do ex-governador foi defendido para receber o apoio da federação – PV e PCdoB, que formam a federação Brasil da Esperança junto ao PT, já tinham decidido favoravelmente ao nome de Casagrande.

Trata-se de um apoio informal. Isso porque o PSB e a federação, embora estejam coligados nacionalmente na chapa encabeçada pelo presidente Lula (PT), não selaram aliança no Estado.

O PSB está no palanque do governador Ricardo Ferraço (MDB) e o apoia à reeleição. Já o PT tem a candidatura própria do deputado Helder Salomão na corrida ao Palácio Anchieta.

Porém, a parceria com Casagrande vai além da questão partidária, segundo detalhou o presidente estadual do PT, João Coser.

“Relação antiga”

Num comunicado divulgado na noite de ontem, o PT elencou os motivos do apoio a Casagrande:

“Considerando a coligação nacional entre o PT e o PSB, a Executiva do PT-ES deliberou por indicar apoio ao nome de Renato Casagrande (PSB) para segunda vaga ao Senado. A manifestação do Partido dos Trabalhadores visa a construção de um Congresso responsável e comprometido com a democracia, com a soberania, com a justiça social e a promoção da cidadania”, diz a nota.

Entretanto, outros fatores também pesaram, segundo Coser, que chegou a citar o período em que Casagrande foi vice do ex-governador Vitor Buaiz (PT), entre 1995 e 1998.

“Temos uma relação antiga com o ex-governador. Estivemos no governo Casagrande, convivemos juntos muitos anos, desde o período de Vitor, ele foi o vice de Vitor. Ele também me apoiou na primeira campanha à Prefeitura de Vitória”. João Coser, presidente do PT-ES

Antes de declarar o apoio, Coser conversou com Casagrande, mas ficou de marcar uma reunião nos próximos dias.

O apoio não teve condicionantes, ou seja, o partido não pediu nada em troca, mas isso não quer dizer que os petistas não tenham expectativas com relação a uma eventual reciprocidade.

Sem barganha, mas…

Questionado se o partido teria negociado algo em troca com Casagrande para declarar o apoio, Coser disse que não. “Não tem nenhuma condição”, enfatizou.

O dirigente, porém, revelou que tem a esperança de receber um tratamento recíproco por parte do ex-governador, principalmente no que diz respeito às campanhas à reeleição de Contarato e Lula.

“Lógico que sempre que se faz um apoio como esse, a gente tem esperança e expectativa de reciprocidade. Mas não tem nenhuma negociação, nenhuma troca, nenhuma barganha. É um movimento político natural e a gente espera sim, dele, o que ele puder nos ajudar, porque queremos reeleger o senador Contarato. Mas nós vamos fazer todo o possível para ajudá-lo também”. João Coser, presidente do PT-ES

Perguntado sobre o que seria essa ajuda, Coser detalhou que tem a expectativa de que Casagrande possa pedir o segundo voto para Contarato e ajudar na estratégia da campanha de Lula no Estado.

“Nós temos essa expectativa e não só dele, mas de todos que puderem ajudar o Contarato. Uma das coisas que a gente deseja muito é que ele (Casagrande) nos ajude na organização da campanha do presidente Lula. Ele já fez uma declaração de apoio, o PSB já está na campanha, mas a gente torce para que ele venha dar um pouco mais, que nos ajude para o Lula ganhar a eleição no Espírito Santo”. João Coser, presidente do PT-ES

Os entraves

A coligação de Casagrande não tem apenas o nome dele ao Senado. A segunda vaga pertence à ex-senadora Rose de Freitas (MDB), que foi confirmada na última quarta-feira (05) com endosso do ex-governador.

Ainda que não façam uma campanha casada, seria um movimento de forte contrariedade à própria coligação se Casagrande deixasse de apoiar Rose para fazer campanha para Contarato, ainda que informalmente. No cenário atual, uma postura desse tipo parece pouco provável.

 

Rose de Freitas é candidata ao Senado. Foto: Thiago Soares/Folha Vitória

 

Já com relação ao apoio nacional, durante a convenção do PSB, Casagrande já havia declarado que o seu candidato à Presidência é o presidente Lula, conforme noticiado pela coluna De Olho no Poder. Mas Coser quer um pouco mais:

“Na vida cada um dá o que tem capacidade de doar. Nós vamos conversar e ele vai dizer o que pode fazer, no limite dele, naquela chapa. Mas, se ele ajudar a colocar o PSB, o PDT, ele pessoalmente nos depoimentos públicos, já nos ajuda muito. Ele tem muita força, é uma liderança das mais importantes do Estado e lideranças são seguidas”.

Em 2022, o PSB e o PT estavam na mesma coligação e Casagrande recebeu o apoio dos petistas na disputa à reeleição ao governo do Estado. Porém, ele não pediu votos para Lula publicamente.

A reunião com Casagrande ainda não foi agendada.

 

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