Por Vitor Vogas / A GAZETA / Foto-legenda: No sentido da leitura: Alberto Gavini com Casagrande; Fabiano Contarato; Rose de Freitas / Crédito: Fotomontagem / Arte: IA
Em entrevista a esta coluna, publicada no dia 31 de agosto, Alberto Gavini, dirigente do partido de Casagrande, afirmou que os filiados ao PSB têm “certa liberdade” para votar em Fabiano Contarato (PT), como opção de segundo voto para o Senado
“Aliado, não. Aliado não age dessa maneira.” A frase é da ex-senadora Rose de Freitas, candidata ao Senado pelo MDB no Espírito Santo. Refere-se ao presidente estadual do PSB, Alberto Gavini. Sabatinada por colunistas de A Gazeta e CBN Vitória na manhã desta quinta-feira (17), Rose reagiu a declarações do dirigente maior do partido de Renato Casagrande no Espírito Santo.
Em entrevista a esta coluna, publicada aqui no dia 31 de agosto, Gavini afirmou que os filiados ao PSB têm “certa liberdade” para votar em Fabiano Contarato (PT), como uma opção de segundo voto para o Senado nas eleições de 2026 – além de darem, obviamente, o primeiro voto para Casagrande.
“O PSB está na coligação com o MDB e respeita, efetivamente, a coligação. Todo o material do nosso pessoal vai sair com o Renato e com a Rose. Mas nós deixamos que os diretórios municipais possam tomar suas decisões em relação ao Contarato. Não há nenhum obstáculo se alguém do PSB tiver alguma outra posição. Demos certa liberdade para os nossos diretórios se posicionarem”, disse Gavini.
O presidente estadual do PSB deixou claro que não há, da parte da direção estadual, estímulo ou orientação para que a militância vote em Contarato, e que todo o material de campanha dos candidatos do partido inclui o nome de Rose como segunda candidata a senadora. Por outro lado, afirmou que as duas combinações de votos são aceitas (Casagrande e Rose ou Casagrande e Contarato), já que são três candidatos do mesmo campo ideológico (do centro para a esquerda).
“O PSB estadual não está liberando nem estimulando isso. O PSB estadual está respeitando a decisão das pessoas. Da minha parte e da Executiva Estadual, não existe nenhuma orientação que não seja a formalidade. Agora, nós vamos respeitar a decisão dos companheiros que não quiserem seguir a formalidade. Não tem uma liberação formal da Executiva para isso. Mas existe um respeito pela decisão dos companheiros. É assim que tem que ser o texto.”
E assim o texto foi publicado. Por isso, na sabatina, o colunista Leonel Ximenes perguntou a Rose se, com essa declaração, ela se sente traída pelo PSB, partido aliado ao MDB no Estado e pertencente à mesma coligação. A candidata iniciou sua resposta “corrigindo” o uso do termo usado pelo jornalista:
“Aliado, não. Aliado não age dessa maneira.” Rose de Freitas (MDB), candidata ao Senado
“Tive uma conversa, inclusive, com o Gavini, questionando isso, porque, se cobram do meu partido que nós tenhamos fidelidade em relação à composição dessa chapa, tendo Ricardo Ferraço liderando a disputa para o Executivo, e ele é do nosso partido… E nós fizemos uma aliança com o PSB e formamos uma chapa.”
Rose eximiu o próprio Casagrande, mas afirmou que as declarações de Gavini são “antagônicas”.
“O comportamento do Casagrande é diferente. Em todos os lugares que ele está, ele pede o nosso voto, né, no 156 [número de urna de Rose]. No caso do Gavini, eu já o vi em posições antagônicas. Não é traição. Eu não considero aliado aquele que surfa no momento das suas decisões políticas. Outro dia eu vi as cédulas que ele tinha em mãos, e lá tinha realmente o meu número. Mas as declarações são antagônicas, né?”
Leonel, então, perguntou a Rose se ela chegou a romper relações com o presidente estadual do PSB.
“Não. Eu não rompo relações com ninguém. Apenas deixo de conversar aquilo que não me convém conversar”, respondeu a emedebista.
Contexto
Na eleição majoritária estadual, PSB e MDB fazem parte da mesma coligação. É a coligação “Agora é o Futuro”, cujo candidato a governador é o atual incumbente, Ricardo Ferraço (MDB). Os dois candidatos ao Senado dessa chapa são Casagrande (PSB) e Rose de Freitas (MDB).
Ocorre que parte dos dirigentes e da militância do PSB tem simpatia pela candidatura de Contarato, levando em conta não só o candidato, mas também a conjuntura nacional. O MDB manteve-se neutro na eleição presidencial. Já o PSB não só está na coligação nacional do PT como, novamente, tem o candidato a vice-presidente de Lula, o atual ocupante do cargo, Geraldo Alckmin.
Além disso, a direção do PT já orientou o segundo voto em Casagrande, e muitos petistas estão realmente apoiando essa dobradinha informal. Disciplinado, Casagrande não está pedindo seu segundo voto para Contarato… Mas o senador do PT está, sim, pedindo seu segundo voto explicitamente para Casagrande.
Na sabatina de Contarato para A Gazeta e CBN Vitória, anterior à de Rose, na última quarta-feira (16), o candidato do PT ao Senado chegou a dar o número de urna de Casagrande, ao pedir votos para si mesmo e também para o socialista.
Logo após ser sabatinado, como registrou aqui a colunista Letícia Gonçalves, o próprio Contarato, em conversa informal com os colunistas, cunhou um novo trocadilho: o “voto Casarato”.
“Vou fazer o que eu puder para eleger o ex-governador Renato Casagrande para o Senado Federal. Eu tenho pedido voto para ele, sim, porque eu acho que é um homem preparado […] pedindo voto para Casagrande 400, e para mim, 133, no Senado Federal”.



