Por Edu Kopernick / FOLHA VITÓRIA / Foto: Cariacica cortada, também, pela BR-101: vocação logística e a quinta cidade com maiores valores de importação do Brasil / Crédito: Thiago Soares (Folha Vitória) / Arte: IA
Entre janeiro e junho de 2026, empresas domiciliadas em Cariacica importaram US$ 5,79 bilhões, cerca de R$ 29,61 bilhões. O volume colocou o município na quinta posição nacional, atrás de Itajaí, Manaus, São Paulo e Rio
Cariacica assumiu uma posição improvável para quem ainda não enxerga o município como potência econômica. Entre janeiro e junho de 2026, empresas domiciliadas na cidade importaram US$ 5,79 bilhões (cerca de R$ 29,61 bilhões), segundo o Comex Stat. É o órgão de estatísticas do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. O volume colocou o município na quinta posição nacional, atrás apenas de Itajaí, Manaus, São Paulo e Rio de Janeiro. Os dados foram levantados pelo Sindiex.
A importação de veículos puxou esse avanço. O Invest-ES, um dos principais incentivos fiscais capixabas, favoreceu a instalação de centros de distribuição, armazéns bem como de filiais de importadoras. Do mesmo modo Cariacica ofereceu áreas para expansão, acesso direto às BRs 101 e 262 e proximidade com os terminais portuários capixabas. A combinação reduziu custos operacionais e transformou a localização geográfica em vantagem econômica.
A maior retroárea alfandegada do país
A infraestrutura aduaneira explica outra parte do resultado. Cariacica concentra três portos secos que, juntos, somam cerca de 1,5 milhão de metros quadrados de área alfandegada. É a maior retroárea desse tipo no Brasil. Essa capacidade permite armazenar, nacionalizar e distribuir mercadorias para diferentes regiões. Além disso, estimula empresas a transferir o domicílio fiscal para o município e a comandar dali operações de alcance nacional.
Os números revelam o tamanho dessa transformação. Cariacica importou, em média, US$ 965,2 milhões por mês (aproximadamente R$ 4,93 bilhões) no primeiro semestre. A cidade ficou apenas US$ 25,4 milhões (cerca de R$ 130,1 milhões) abaixo do Rio de Janeiro, diferença inferior a 0,5%. Ao mesmo tempo, superou Camaçari, sexta colocada, em US$ 2,76 bilhões (aproximadamente R$ 14,11 bilhões). Cariacica respondeu por quase 12% das importações dos dez primeiros municípios do ranking.
O dado, porém, não autoriza conclusões automáticas sobre geração de riqueza local. Grande parte das mercadorias segue para outros Estados, e o valor importado não permanece integralmente em Cariacica. O domicílio fiscal e a estrutura alfandegada elevam o município no ranking, porém o efeito econômico depende dos empregos criados, dos serviços contratados, da arrecadação gerada e da capacidade de atrair atividades além do desembaraço aduaneiro.
Cariacica precisa adensar cadeia produtiva
Cariacica já se consolidou como uma das principais plataformas logísticas do comércio exterior brasileiro. O próximo passo exige adensar essa cadeia com transportadoras, oficinas, operadores logísticos, seguradoras, empresas de tecnologia e centros de distribuição.
A posição nacional terá caráter estrutural caso o município mantenha as importadoras após as mudanças tributárias, diversifique a pauta além dos veículos e converta o fluxo aduaneiro em investimento produtivo.


