Por assessoria / Foto-legenda: O ambientalista Albeto Pêgo pediu atenção para o Canal da Costa: “Tem muito condomínio que não está ligado à rede.” / Crédito: Gleberson Nascimento.
Experiência da Segunda Descida do Rio Sena, apresentada na Comissão de Meio Ambiente, reforça necessidade de fiscalização e ação integrada em Vila Velha, defende ambientalista
As soluções adotadas no Rio Sena, na França, que podem contribuir para a recuperação do Rio Doce e de rios urbanos como o Rio da Costa, em Vila Velha, pautaram a reunião da Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa, presidida pelo deputado estadual Fabrício Gandini (PSD), na última terça-feira (10).
Durante a apresentação dos resultados da Segunda Descida Ecológica do Sena, representantes do River Planet — organização que atua pela preservação dos rios — destacaram medidas práticas de saneamento, drenagem e controle de resíduos, com foco também em cursos d’água urbanos de alta visibilidade, como o Rio da Costa, mais conhecido como Canal da Costa.
O ambientalista Alberto Pêgo citou o Canal da Costa, com apenas 6,5 quilômetros de extensão, como um caso emblemático.
“É o nosso rio de maior visibilidade, por onde passam milhares de carros todos os dias, no coração de Vila Velha, desaguando em Vitória, na capital do Estado. E é um rio que recebe grande quantidade de lixo e esgoto, mesmo com quase 100% da rede de coleta passando na porta das casas”, observou.
Pêgo ressaltou que a estação de tratamento responsável pela região teve a capacidade ampliada, mas o rio ainda recebe esgoto e resíduos de forma irregular.
“Isso é falha de ligação e de fiscalização. Tem muito condomínio que não está ligado à rede. Não pode isso. A Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) de Araçás foi ampliada: tratava 300 litros por segundo, passou para 600 e deve chegar a 900”, afirmou.
E completou: “A estação já tem capacidade para tratar o esgoto. Não há mais desculpa para o Rio da Costa continuar com lixo, esgoto e água escura e com mau cheiro”.
O ambientalista também alertou para o impacto negativo na imagem do Estado. “O Espírito Santo não pode passar vergonha internacional com essa situação. O turista que desce a Ponte vê o rio nessa condição logo na entrada da cidade”, disse.
Para enfrentar o problema, Pêgo defende articulação entre os governos estadual e municipal e as concessionárias.
“É preciso reunir os responsáveis: governo do Estado, Cesan, a Aegea — que atua por meio de PPP — e a prefeitura. A rede existe e o tratamento também, mas há muito esgoto clandestino sendo lançado na drenagem pluvial. É preciso sair do comodismo. Essa paisagem não é natural”, afirmou.
Ele lembrou ainda que o rio já foi utilizado para lazer no passado. “Tenho 61 anos e já tomei banho nesse rio nas décadas de 70 e 80. Em poucas décadas ele se degradou e todos se acostumaram. Não podemos ficar calados”, declarou.
Segundo Pêgo, a experiência francesa mostra que rios urbanos podem ser recuperados com infraestrutura, monitoramento e gestão contínua.
“Na França, o rio é tratado como patrimônio da cidade. Aqui, muitas vezes, ainda é visto como fundo de quintal”, comparou.
O deputado estadual Fabrício Gandini (PSD), presidente da Comissão de Meio Ambiente da Assembleia, destacou a importância da ação integrada.
“A Comissão está colocando luz sobre pontos críticos como o Canal da Costa. Precisamos de integração entre Estado, município e concessionárias para resolver o problema na origem”, declarou.
Participaram da reunião representantes do River Planet, da Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh) e da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Seama).