Por Vitor Vogas / A GAZETA / Foto: Divulgação / Arte: IA
Por incrível que pareça, o partido comandado no Estado por Renzo Vasconcelos não conseguiu registrar nem uma chapinha de candidatos a deputado estadual. E a de candidatos a federal ficou fraquíssima
Exceto pela candidatura de Sérgio Meneguelli ao Senado, o Partido Social Democrático (PSD) morreu eleitoralmente com o tiro da largada oficial para a campanha no Espírito Santo. Já era uma “morte anunciada” desde a fatídica convenção realizada em 5 de agosto. O registro no TSE, disponível desde sábado (15), é o atestado de óbito.
Por incrível que pareça, o partido comandado nacionalmente por Gilberto Kassab, candidato a vice-presidente do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, não conseguiu registrar nem uma chapinha de candidatos a deputado estadual no Espírito Santo. E a de candidatos a federal ficou fraquíssima: nove candidatos politicamente sem densidade e sem chances reais de vitória.
Já é possível dizer: o PSD não vai eleger nem um deputado sequer em território capixaba… algo muito aquém das possibilidades e aspirações do partido que, há dois anos, foi o que mais elegeu prefeitos no Brasil inteiro – mas só três no Estado, incluindo o de Colatina, Renzo Vasconcelos, presidente da legenda por aqui.
Os últimos dias do prazo para registro de candidaturas foram de debandada na agremiação presidida por Renzo… “o último a sair apague a luz”.
Inconformado com o fato de o PSD não ter ficado na coligação de Lorenzo Pazolini (Republicanos), o ex-prefeito de Linhares Guerino Zanon anunciou até desfiliação, logo após a convenção. Com isso, Bruno Marianelli, também ex-prefeito de Linhares e pupilo de Guerino, desistiu de ser candidato a estadual pelo partido.
Aliados do ex-governador Paulo Hartung (PSD) também recuaram após terem ensaiado se candidatar. O ex-secretário estadual de Saúde Anselmo Tozi fez um movimento forte, inclusive nas redes sociais, como pré-candidato a estadual. Chegou a ser registrado assim na ata do PSD, no dia 5. Mas foi outro que recuou no limite do prazo, diante do derretimento da chapa.
Entre abril e maio, o ex-prefeito de Guarapari Edson Magalhães (PSD) chegou a defender Paulo Hartung como “o principal nome para o Senado” e recebeu do ex-governador, em entrevista, declaração direta de apoio em sua pré-candidatura a deputado estadual. Tudo postado nas redes sociais do ex-prefeito. No dia 6 de agosto, um dia após a convenção do PSD, Magalhães anunciou a decisão de não tentar retornar à Assembleia.
No decorrer da pré-campanha, até o fim do prazo de filiações (em 4 de abril), o presidente estadual do Republicanos, Erick Musso, ajudou a montar a chapa do PSD, filiando pessoas que apoiam Lorenzo Pazolini. O PSD e o Republicanos, àquela altura, ainda estavam juntos no Estado.
Uma das indicadas por Erick foi a filha da ex-vereadora de Vitória Neuzinha Oliveira: Neuzinha Filha chegou a ser registrada na ata e até a discursar na convenção do PSD. Também acabou desistindo, na última quarta-feira (12).
A primeira-dama de Colatina, Lívia Vasconcelos (PSD), gostaria de ter sido candidata a vice-governadora. Renzo, o marido, também queria que ela fosse. Lívia chegou a ser convidada por Pazolini para ocupar esse espaço na chapa liderada por ele. Mas o plano ruiu.
Ela chegou a ser cogitada como primeira suplente da chapa de Meneguelli ao Senado (um prêmio de consolação). Mas não tem os 35 anos impostos pela legislação brasileira. A estadual? A chapa se desmantelou. A federal? Mesmo se ela tivesse entrado na chapa, esta não atingiria o quociente eleitoral. Como referido acima, a chapa é inexpressiva.
No fim das contas, Lívia não será candidata a nada.
E mais: o vice-prefeito de Linhares, Pedro Paulo Pagotto, o Dr. Pagotto (PSD), foi quem acabou escalado para a primeira suplência de Meneguelli. Até semana passada, ele era considerado a maior aposta da chapa do PSD para deputado estadual. Mas, de novo: a chapa se esfarelou.
E olha que o partido entrou nesse processo bastante badalado e com altas aspirações, começando pelo ingresso de Paulo Hartung, em maio de 2025, seguido pela filiação de Meneguelli…
Este último mês, do dia 18 de julho para cá, foi de debacle. O pós-eleição, em outubro, será de recolhimento dos cacos e de muita reflexão para os dirigentes locais do PSD.
Quando nada, Renzo conseguiu garantir para si uma declaração antecipada de apoio de Meneguelli à sua reeleição em Colatina, com dois anos de antecedência.
No Espírito Santo, reiterando um jogo de palavras já feito aqui, o PSD aparentemente virou o Partido do Sol Decrescente, alusão ao famoso pôr-do-sol de Colatina: um partido muito concentrado nos interesses políticos relacionados paroquialmente à cidade banhada pelo Rio Doce.
Número superestimado
O primeiro sinal de desmanche já apareceu durante a convenção do PSD, quando foi informado à imprensa um número de candidatos a deputado estadual muito superior ao realmente registrado na ata.
Dirigentes falaram em 18 candidatos a estadual.
Na ata, só constaram oito.
O número, é claro, foi inflado.
No final, o número certo é zero.


