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O que os candidatos ao governo do ES pensam sobre violência contra a mulher?

O que os candidatos ao governo do ES pensam sobre violência contra a mulher?

Por Julia Camim / A GAZETA / Fotos: Divulgação / Arte: IA

Os mais de 17 mil casos de violência doméstica registrados de janeiro a julho deste ano revelam que o Espírito Santo ainda tem a violência contra a mulher como um problemas na área de segurança pública. Com crescimento contínuo de casos, o tema ganha relevância no debate político e, por isso, integra a série 10 Desafios do ES, de A Gazeta, em que os concorrentes ao Palácio Anchieta apresentam seus planos.

Segundo dados do Observatório da Segurança Pública do Estado, de janeiro de 2022 até julho deste ano, 168 mulheres morreram vítimas de feminicídio no Estado. No mesmo período, foram 108.487 vítimas de crimes incluídos na Lei Maria da Penha, como abuso sexual, físico e psicológico. Os dados ainda mostram que o lugar mais inseguro para as mulheres é a própria casa — 74.372 ocorrências (68% do total) foram registradas na residência da vítima.

E os números aumentam a cada ano: se 2022 foram registrados 19.414 casos de violência doméstica, em 2025 eles saltaram para 26.363. 

Na avaliação do Instituto Sou da Paz — organização que atua pela efetivação de políticas de segurança pública e prevenção à violência —, o cenário exige canais de denúncia silenciosos e garantia de proteção rápida às vítimas, tanto dentro de seus lares quanto nas ruas do Estado. 

Entre as estratégias sugeridas pelo Sou da Paz, também estão a ampliação de delegacias especializadas e o fortalecimento do atendimento 24 horas por dia. 

Esta é a sexta reportagem da série 10 Desafios do Espírito Santo, produzida por A Gazeta desde as eleições de 2022. Neste especial, os candidatos ao governo são convidados a apresentar suas propostas para áreas sensíveis do Estado, nas mais diversas áreas, como saúde, educação, transporte e segurança pública.

Os temas foram mapeados pelo Núcleo de Eleições de A Gazeta, em parceria com institutos de pesquisa independentes, com o objetivo de ajudar os eleitores capixabas na hora do voto. Todos os concorrentes ao Palácio Anchieta tiveram o mesmo prazo e o mesmo espaço para as respostas. A publicação acontece de segunda a sexta-feira, entre os dias 24 de agosto e 4 de setembro.

Confira as respostas dos candidatos:

 

BRENO BARCELOS – MISSÃO

Proposta: Grande parte da violência contra a mulher ocorre em áreas sob o comando do crime organizado. A libertação dessas áreas permitirá que tais casos, atualmente encobertos, sejam revelados e investigados e os responsáveis, julgados e condenados. Usaremos o sistema de videomonitoramento inteligente e os totens de segurança como ferramentas de resposta rápida aos casos em espaços públicos. Integraremos o Programa Mulher Segura aos municípios, a exemplo do que ocorre em São Paulo. Estabeleceremos metas municipais para a redução dos casos de violência contra as mulheres.

HELDER SALOMÃO – PT

Proposta: Vamos interiorizar a proteção à mulher, ampliando delegacias especializadas, casas-abrigo regionais e Casas da Mulher Brasileira em parceria com o Governo Federal, com atendimento integrado — psicológico, social e jurídico — em todas as regiões. Implantaremos o Pacto Estadual pelo Enfrentamento às Violências contra a Mulher e Prevenção ao Feminicídio, criaremos acolhimento emergencial com auxílio financeiro para a mulher romper com o agressor e ampliaremos o Crédito Mulher, entendendo que autonomia econômica também protege. Prevenção nas escolas e capacitação da rede completam essa política.

LORENZO PAZOLINI – REPUBLICANOS

Proposta: Combater a violência contra a mulher exige firmeza, acolhimento e promoção da autonomia. Expandiremos o modelo da Casa Rosa, criado em Vitória, para os municípios-polo e fortaleceremos a integração entre segurança, saúde e Justiça. Ampliaremos casas-abrigo e o uso de tecnologia na prevenção do feminicídio. Também investiremos em qualificação, crédito, cuidado infantil e saúde integral para ajudar mulheres a romper o ciclo da violência.

RAFAEL DEMUNER – UP

Proposta: Atualmente existem apenas 11 Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher, nenhuma funcionando 24h. Vamos garantir Delegacias da Mulher funcionando 24h e implantar a Casa da Mulher Brasileira em mais regiões do estado. Daremos condições para que as mulheres possam romper o ciclo de dependência do agressor, criando auxílio financeiro emergencial e acesso prioritário aos programas de moradia, emprego e assistência social para mulheres em situação de violência. Priorizaremos a prevenção desde cedo, com ações permanentes nas escolas para combater o machismo e a misoginia desde a infância.

RICARDO FERRAÇO – MDB

Proposta: Consolidar uma política com dois pilares: proteção e autonomia. Entre os projetos estão: transformar os Centros Margaridas em política permanente de Estado, criar o Cartão Mulher Segura (transferência de renda temporária), ampliar o Programa Mulher Segura (monitoramento eletrônico de agressores), ampliar as ações da Companhia Independente de Prevenção à Violência Doméstica, as Salas Marias, a Rede Abraço Mulher, o Programa Homem que é Homem e a Política de Autonomia Econômica para Mulheres (qualificação, crédito, empreendedorismo).

 

O que os candidatos ao governo do ES pensam sobre violência contra a mulher?

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