Por Vinícius Baptista / SIM NOTÍCIAS / Foto: Divulgação / Arte: IA
Sem experiência política, candidata aposta no capital eleitoral de Magno Malta, mas terá o desafio de ampliar seu diálogo para além da direita ideológica.
Ela tem o sobrenome, o DNA e o mesmo discurso do pai. Mas a candidata ao Senado Maguinha Malta (PL) garante que, se for eleita, não haverá nenhum conflito entre os interesses da família e os do Espírito Santo. Para ela, o Estado ganhará duas vozes que terão a mesma linha de atuação no Congresso Nacional. Se for eleita senadora, duas das três cadeiras do Espírito Santo na Câmara Alta serão ocupadas pela família Malta. Afinal, seu pai, o senador Magno Malta (PL), tem, pelo menos, mais quatro anos de mandato pela frente.
“Eu acho que os valores que nós pregamos são os valores da maioria esmagadora do povo brasileiro, que é cristão, conservador, que ama a Deus, que ama a família, que está preocupado com o futuro dos seus filhos e das próximas gerações por conta do cerceamento às liberdades que tem havido no Brasil. Então, eu acho que, se o Espírito Santo já tem uma voz fortíssima lá, que é a do senador Magno Malta, eu serei, com ele, uma voz ainda mais forte. Será a voz mais alta em dobro”, destacou Maguinha, que foi a décima entrevistada na série de sabatinas que o Grupo Sim está fazendo com os candidatos ao Senado.
Aos 43 anos, esta é a primeira eleição que ela disputa. E, segundo ela, sua candidatura ao Senado é a resposta a “um chamado” de Deus, e não a pretensões políticas particulares. Ela lembrou que o PL já tinha escolhido outro candidato ao Senado, que seria o deputado federal Gilvan da Federal. Mas o parlamentar preferiu concorrer à reeleição e, recentemente, teve sua candidatura suspensa pela Justiça Eleitoral.
“Essa decisão do meu nome veio lá de Brasília, do presidente Valdemar (Costa Neto), juntamente com o presidente Bolsonaro, à época em que ainda estava em liberdade, juntamente, óbvio, com o senador Magno Malta, que é presidente do partido aqui no Estado. As maiores lideranças do partido indicaram meu nome, mediante uma desistência. Então, há uma fake news, há uma historinha contada aí, de que Magno Malta está empurrando a candidatura da filha goela abaixo. Isso não aconteceu”, garantiu a candidata.
Diante de uma eleição que ganhou contornos de histórica para o Senado, em meio à crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF), Maguinha segue a mesma cartilha do pai e é enfática ao defender o impeachment de ministros da Suprema Corte.
“Nós temos visto ministros do STF. Aí não tem como a gente não falar no senhor Alexandre de Moraes, que já foi considerado pelos Estados Unidos como um dos maiores violadores de direitos humanos do mundo. O Brasil é o único país do Ocidente que é um império. Um império do imperador Alexandre de Moraes, que é uma pessoa que acha que está acima da lei porque tem uma toga nas costas e pode fazer o que quiser. Nós temos visto ele violando direitos de pessoas, nós temos visto prisões arbitrárias, perseguições políticas, nós temos visto ele envolvido em escândalos como esse do Banco Master. Só o fato de ele ter editado o contrato do banco com o escritório de sua mulher já é motivo suficiente para ele sair”, disparou.
O desafio de Maguinha, portanto, é transformar o sobrenome em voto. E, principalmente, mostrar que existe uma candidatura para além do sobrenome Malta. Sem experiência anterior em eleições ou mandato eletivo, ela entra na disputa carregando o capital político construído pelo pai ao longo de décadas. É um patrimônio eleitoral importante, sobretudo entre setores evangélicos e entre eleitores identificados com a direita mais radical, mas que também pode estabelecer limites para a expansão da candidatura. Afinal, para conquistar uma das duas vagas em disputa, não basta falar com quem já está convencido: é preciso ampliar o diálogo para além da sua bolha.
É aí que está a principal incógnita eleitoral de Maguinha. O discurso alinhado ao do pai pode garantir uma base fiel, mas a candidatura terá de encontrar uma maneira de dialogar com o eleitor de centro e com parcelas menos ideologizadas do eleitorado capixaba.
A eleição para o Senado, com duas vagas em disputa, permite alianças e estratégias diferentes das de uma eleição majoritária para o governo, mas também exige capacidade de reunir votos em segmentos distintos. Maguinha já tem o sobrenome, a estrutura e uma base política de partida. Agora terá que provar que consegue construir, com as próprias pernas, o que ainda lhe falta: uma trajetória política que seja dela.


