Por Fabiana Tostes / FOLHA VITÓRIA / Foto-legenda: Majeski, De Ângelo e Victor Coelho
Majeski, De Ângelo e Coelho são pré-candidatos e integram o mesmo grupo do governador Ricardo Ferraço. Divergências já extrapolaram o Palácio Anchieta
Tudo leva a crer que a eleição para governador do Estado neste ano será duríssima. O debate precoce sobre candidaturas, o clima hostil entre possíveis adversários e as pesquisas eleitorais que apontam um empate entre os principais pré-candidatos indicam uma disputa aberta, de alta tensão e com margem estreita para erros.
A leitura de hoje é que, cada movimento, por menor que pareça, tem potencial para gerar um impacto direto no resultado final – tanto para o lado positivo, quanto negativo.
E é por saber disso, que a cúpula do governo do Estado já acendeu um sinal de alerta e acionou os bombeiros de plantão para conter os diversos focos de incêndio envolvendo lideranças da base aliada.
Com uma frente ampla tão diversa, era de se esperar que nem tudo caminhasse 100% nos jardins do Palácio Anchieta. Mas a proximidade das eleições fez com que divergências internas ganhassem corpo, com potencial para serem usadas como munição pela oposição.
Sergio Majeski x Vitor de Ângelo
Há uma semana, o ex-deputado Sergio Majeski (MDB) gravou um vídeo e o publicou em seu perfil do Instagram acusando a Secretaria de Estado da Educação (Sedu) de cometer um ato de injustiça ao afastar a diretora de uma escola de Linhares.
Trata-se do caso da escola que tinha câmeras no banheiro. Segundo ele, as câmeras foram instaladas em 2019 – para coibir ações de violência – e não funcionavam desde 2024. A diretora, que entrou em 2023, não teria autonomia para retirar os equipamentos e que seria da Superintendência de Educação e da Sedu a responsabilidade pelas câmeras no local.
Ele chegou a citar nominalmente o ex-secretário estadual de Educação Vitor de Ângelo (PSB) como responsável pela situação e disse ter enviado um ofício ao governador e correligionário Ricardo Ferraço (MDB) pedindo providências sobre o caso.
Dois dias depois, também em vídeo postado em rede social, foi a vez de Vitor de Ângelo dar a resposta. Ele classificou o ex-deputado como alguém que “é sempre do contra”, que tem “discursos oportunistas” e que levanta “falsas polêmicas”.
O ex-secretário se defendeu, afirmando não ter nada a ver com a polêmica das câmeras no banheiro da escola. E apresentou o trecho de um outro vídeo, mais antigo, em que Majeski critica uma viagem que a Sedu fez com profissionais da Educação para o Chile, para justificar sua fala.
“O Majeski, ao longo de toda sua trajetória pública, é uma pessoa que sempre se colocou como alguém do contra. Ele é contra tudo, não importa a pauta. Mistura informações desconexas, confunde as pessoas”, disse De Ângelo.
Na última segunda-feira (04), Majeski gravou um novo vídeo, de réplica, para rebater o ex-secretário. “O vídeo fala mais do ex-secretário do que sobre mim”, iniciou o ex-deputado, passando a narrar, logo depois, sua experiência como professor por três décadas.
O ex-deputado disse que De Ângelo foi um secretário abaixo da média e que saiu da Sedu sem deixar saudade. “Nos meus mandatos eu fiz muito mais pela Educação do que o secretário”, disse Majeski ao citar algumas de suas ações na Assembleia, onde passou oito anos.
Um detalhe importante: os dois fazem parte do mesmo projeto político e são pré-candidatos nas eleições deste ano – a princípio, De Ângelo será candidato a deputado federal e, Majeski, a estadual. Eles têm também a educação como reduto eleitoral.
Victor Coelho x Theodorico Ferraço

Mas não é só na Grande Vitória que o bate-cabeça entre aliados está acontecendo. Outro foco de incêndio surgiu no Sul do Estado.
O ex-prefeito e ex-secretário estadual de Turismo Victor Coelho (PSB), também na segunda-feira, gravou um vídeo direcionado ao atual prefeito de Cachoeiro, Theodorico Ferraço (PP).
Alegando ser uma forma de se proteger dos “muitos ataques que irá sofrer no período eleitoral”, Victor disse que tem sido alvo de denúncias e que toda a admiração que tinha por Ferraço tem “caído por terra”. Ele falou, ainda, que respeita a história, mas que não tem medo do prefeito.
Victor citou denúncias que Ferraço teria feito – ainda quando deputado estadual – de suposta corrupção durante seus dois mandatos à frente de Cachoeiro.
“Sempre ouvi histórias que Ferraço é aquele político coronel que não deixa nenhuma nova liderança crescer. E eu tenho vivido isso”, disse o ex-prefeito alegando que há cinco anos estaria sofrendo calado.
No vídeo, ele prometeu que rebateria todas as denúncias. Na manhã desta quarta-feira (06), fez uma nova publicação mirando, além do prefeito, o ex-secretário de Comunicação e atual secretário de Cultura, Wanderson Amorim.
“Não olhe para o retrovisor, prefeito. Ande um pouco mais pela cidade (…), vai ver como a cidade está suja, largada”, afirmou no segundo vídeo.
Procurada, a assessoria de imprensa da Prefeitura de Cachoeiro disse que não iria se pronunciar, talvez para não escalar a situação que já é delicada.
Victor é aliado de primeira hora do ex-governador Renato Casagrande (PSB) e pré-candidato a deputado estadual. Ele faz parte do projeto político do governador Ricardo Ferraço (MDB) – que vem a ser filho do prefeito Theodorico Ferraço.
Interlocutores do governo disseram à coluna, sob reserva, que estão acompanhando as duas situações e que não acreditam que possa resvalar na campanha à reeleição de Ricardo.
De todo modo, a turma do “deixa disso” já teria entrado em campo. “No tempo certo, todos estarão juntos”, disse um interlocutor à coluna.



