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Empresários cobram qualificação de mão de obra no ES

Empresários cobram qualificação de mão de obra no ES

Por Geilson Ferreira / ES BRASIL / Foto-legenda: Governador Ricardo Ferraço e lideranças empresariais / Créditos: IBEF-ES (Divulgação) / Arte: IA

 

Carta do IBEF-ES alerta para déficit que impacta produtividade e crescimento industrial local

 

O Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Espírito Santo (IBEF-ES) entregou ao governador Ricardo Ferraço, nesta semana, a Carta Empresarial à Sociedade Capixaba, documento construído a partir da 6ª edição do CEO Meeting, principal fórum anual de lideranças empresariais promovido pela entidade.

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A cerimônia, que também contou com a presença do secretário de Estado de Economia e Planejamento, Álvaro Duboc, reuniu presidentes, CEOs e CFOs de algumas das principais empresas capixabas em torno de um tema que vem se tornando recorrente nos diagnósticos sobre a economia do estado: a falta de mão de obra qualificada.

O documento, assinado pela cúpula do IBEF-ES, identifica esse gargalo como um dos principais entraves à produtividade capixaba. E dados divulgados nas últimas semanas por institutos de pesquisa econômica confirmam, com números concretos, que o problema já é a principal queixa do setor produtivo no Estado.

Segundo a Carta Empresarial, o Espírito Santo figura entre os dez estados mais produtivos do país, mas ainda distante das referências nacionais mais avançadas. Um cenário que, segundo as lideranças, exige ação coordenada entre governo e setor produtivo em quatro frentes: capital humano, tecnologia, ambiente econômico e qualidade institucional.

“A Carta Empresarial é resultado de um processo de construção coletiva que reúne a visão de executivos responsáveis por decisões de investimento, geração de empregos e crescimento de negócios em diversos setores da economia. Nosso objetivo é contribuir para o debate público e para a construção de uma agenda capaz de aumentar a produtividade e a competitividade do Espírito Santo”, afirmou o presidente do Conselho de Administração do IBEF-ES, Paulo Wanick.

No campo do capital humano, foco central deste material, o documento é direto: o problema não está no volume de investimento em educação, mas na qualidade, na efetividade e na aderência da formação profissional às competências que o mercado realmente demanda. A carta defende a ampliação da aproximação entre empresas, universidades e escolas técnicas, além da expansão do ensino técnico para além da região metropolitana da Grande Vitória. Um recado direto sobre a concentração da oferta educacional na capital e seu entorno, em detrimento do interior do estado.

À iniciativa privada, o documento atribui responsabilidade por ampliar investimentos próprios em qualificação técnica e formação de lideranças. Ao poder público, cabe elevar a qualidade da educação básica, expandir o ensino técnico com foco em empregabilidade e fortalecer parcerias com o Sistema S.

O alerta dos empresários não é apenas retórico. Levantamento do Observatório Findes/Ideies mostra que a falta ou alto custo de trabalhador qualificado retomou, no primeiro trimestre de 2026, a liderança do ranking de principais desafios apontados pela indústria capixaba, justamente em um momento em que a taxa de desocupação no estado subiu levemente para 3,2%, mas continua entre as menores do país. A combinação dos dois indicadores reforça a leitura da carta: o problema não é escassez de trabalhadores no mercado, mas escassez de trabalhadores com a qualificação exigida pelas empresas.

Na construção civil capixaba, o cenário é parecido: a mão de obra não qualificada assumiu a liderança entre os problemas relatados pelo setor no mesmo período. Entre as pequenas indústrias do estado, a falta ou alto custo de trabalhador qualificado se manteve na terceira posição do ranking de dificuldades entre janeiro e março, ainda que com leve recuo na proporção de empresas que citam o problema.

O retrato nacional ajuda a entender a escala da questão. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), 62% das empresas industriais do país relatam dificuldade para contratar mão de obra qualificada, e o Senai estima que o Brasil precisará qualificar cerca de 9,4 milhões de pessoas até 2028 para atender à demanda do mercado.

No Espírito Santo, o problema já aparece de forma concreta em diferentes setores. Na avicultura e na suinocultura, a dificuldade para preencher vagas levou produtores a recorrer a trabalhadores de outros estados.

Cerca de 8% da força de trabalho das duas cadeias já é formada por migrantes, com a Bahia como principal estado de origem, e também a profissionais estrangeiros, que já respondem por quase 2% dos postos. No setor de saúde, que vem gerando empregos formais em ritmo acelerado, a expansão das contratações expôs o que especialistas vêm chamando de apagão de mão de obra qualificada, especialmente na disputa por profissionais técnicos e analistas de dados médicos.

Ao receber o documento das mãos das lideranças do IBEF-ES, o governador Ricardo Ferraço respondeu diretamente ao diagnóstico sobre qualificação profissional, citando setores que vêm atraindo investimentos ao estado, como café, celulose, siderurgia, automotivo e logística. E associou esse crescimento à necessidade de formação de mão de obra.

“Fico feliz em ver o envolvimento de vocês com o tema da mão de obra. Precisamos gerar mais valor agregado ao que produzimos aqui. O Espírito Santo tem atraído empresas e investimentos de diversos segmentos, como café, celulose, siderurgia, setor automobilístico e parques logísticos, e a qualificação das pessoas é fundamental para sustentar esse crescimento”, afirmou o Ferraço.

O presidente do Conselho de Administração do IBEF-ES, Paulo Wanick, destacou que o documento é fruto de um processo coletivo que reúne a visão de executivos responsáveis por decisões de investimento e geração de empregos em diferentes setores da economia capixaba.

Já o presidente da entidade, Alecsandro Casassi, ressaltou o papel do CEO Meeting como instrumento de mobilização do setor produtivo em torno dos desafios estruturais do desenvolvimento do Estado.

O economista-chefe do IBEF-ES, Felipe Storch, reforçou que a produtividade precisa ser tratada como agenda permanente, dependente da atuação integrada entre qualificação de pessoas, incorporação de tecnologia, melhoria do ambiente econômico e fortalecimento institucional.

Próximos passos

Segundo o IBEF-ES, a Carta Empresarial ainda será apresentada ao Poder Legislativo e a órgãos de controle do Estado, ampliando o alcance institucional das propostas debatidas durante o CEO Meeting. A entidade afirma que pretende acompanhar a evolução da agenda de produtividade ao longo do tempo, conectando o debate ao Plano ES 500 Anos, que já trata a qualificação profissional como uma de suas metas estruturantes de governança.

“O CEO Meeting é uma iniciativa que reforça o compromisso do IBEF-ES com o desenvolvimento econômico do Espírito Santo. Ao reunir as principais lideranças empresariais do Estado para discutir temas estruturantes, o Instituto cumpre seu papel de fomentar reflexões qualificadas e contribuir para a construção de soluções que gerem impacto positivo para toda a sociedade”, destacou presidente do IBEF-ES, Alecsandro Casassi. 

Para o setor produtivo capixaba, o desafio agora é transformar o diagnóstico — compartilhado por empresários, institutos de pesquisa e, segundo a fala do próprio governador, também pelo poder público — em ações concretas capazes de reduzir o descompasso entre a formação oferecida no Espírito Santo e as exigências de um mercado de trabalho que já sente, na prática, a falta de profissionais qualificados.

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