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Em nome da fé e do voto no Espírito Santo: a peregrinação dos candidatos

Em nome da fé e do voto no Espírito Santo: a peregrinação dos candidatos

Por Poder / ES HOJE / Fotos: Divulgação / Arte: IA

Os candidatos a cargos majoritários, especialmente aqueles que disputam o Governo do Estado, têm feito uma verdadeira peregrinação pelo Espírito Santo. E um detalhe vem chamando a atenção: a presença cada vez mais frequente dos postulantes ao Palácio Anchieta em cultos e eventos evangélicos.

Participar dessas cerimônias não é garantia de voto, mas certamente é uma forma de se aproximar de uma parcela expressiva da população. Os evangélicos já representam 35,4% dos capixabas com 10 anos ou mais, segundo dados do Censo 2022 analisados pelo Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN).

O levantamento mostra que a presença evangélica cresceu no Estado em relação a 2010, com avanço de 2,28 pontos percentuais. No Brasil, o aumento foi ainda maior: 4,69 pontos. Outro dado relevante está no perfil desse grupo: as mulheres são maioria e correspondem a 54,7% dos fiéis.

Católicos X Evangélicos

Esse crescimento também pode ser observado no mapa capixaba. Dos 78 municípios, 17 já têm os evangélicos como grupo religioso predominante. Os católicos continuam sendo maioria no Espírito Santo, com 47,82% da população, mas perderam participação na comparação com 2010.

Trata-se, portanto, de um segmento com peso considerável na disputa eleitoral e que, nos últimos anos, ficou marcado por uma maior aproximação com candidaturas de centro e de direita. Conforme mostrou o Intercept, nesta segunda-feira (24), três fatores ajudam a compreender esse comportamento.

  • O primeiro é a rejeição histórica à esquerda e a força da pauta de costumes. Há décadas, setores evangélicos conservadores associam partidos desse campo político a ameaças aos valores familiares e à liberdade religiosa.
  • O segundo está na organização política. Desde a Assembleia Constituinte de 1988, lideranças evangélicas articulam candidaturas, estruturam bancadas no Congresso e ampliam a representação política do segmento.
  • Há ainda o crescimento demográfico. Quanto maior o número de fiéis e de igrejas espalhadas pelo país, maior também se torna a capacidade de mobilização dessas redes.

Não é por acaso, portanto, que os principais nomes na corrida pelo Palácio Anchieta, o governador Ricardo Ferraço (MDB), que busca a reeleição, e Lorenzo Pazolini (Republicanos), têm marcado presença nesses ambientes.

Mais do que visitar…

Mas aparecer em cultos, defender valores tradicionais e apresentar-se como alguém ligado à família não basta. Para conquistar esse eleitor, é necessário compreender o que ele realmente espera de quem pretende governar.

Reportagem da Veja, publicada em 1º de maio, mostrou, com base em pesquisas, que o eleitor conservador e religioso é numeroso, mas está longe de formar um bloco uniforme. Entre os entrevistados, 60% afirmam preferir a preservação dos valores familiares. Ao mesmo tempo, 53% dizem ter fé, mas ressaltam que a religião não determina suas escolhas políticas.

Outro dado ajuda a quebrar estereótipos: 77% defendem algum grau de presença do Estado na economia, seja em áreas essenciais, como saúde e educação, seja por meio de regulação.

Ou seja, profissão de fé não é suficiente. É preciso apresentar propostas e, sobretudo, mostrar capacidade de entregar resultados.

Evangélicos do Espírito Santo

O próprio perfil dos evangélicos capixabas reforça essa necessidade. Segundo a análise do IJSN, há forte presença de adultos entre 30 e 49 anos, e quase 70% possuem escolaridade entre o ensino médio e o superior. É um eleitorado expressivo, que acompanha o debate público e não deve ter sua capacidade de avaliação subestimada.

Falar de Deus, defender a família e citar ensinamentos bíblicos podem criar identificação. Mas, quando chega a hora de escolher quem vai administrar o Estado, falar de saúde, educação, segurança, emprego e gestão continua sendo fundamental.

A fé pode abrir as portas de uma igreja para o candidato. Para conquistar o voto de quem está lá dentro, porém, é preciso muito mais do que dizer amém.

Em nome da fé e do voto no Espírito Santo: a peregrinação dos candidatos

Em nome da fé e do voto no Espírito Santo: a peregrinação dos candidatos

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