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Davi contra três Golias: o desafio da bancada capixaba

Davi contra três Golias: o desafio da bancada capixaba

Por Vinícius Baptista / SIM NOTÍCIAS / Foto: Divulgação / Arte: IA

Com apenas 10 deputados, Espírito Santo enfrenta bancadas muito maiores no Sudeste. Coordenador há oito anos, Da Vitória aposta na união, apesar das diferenças ideológicas, para fortalecer a representação do Estado em Brasília.

Há oito anos, ele tem a missão de travar uma verdadeira luta de Davi contra Golias. Na verdade, de Davi contra três Golias.
O deputado federal reeleito Da Vitória (PP) conhece como poucos a dificuldade de integrar a menor bancada da Região Sudeste. Afinal, enquanto São Paulo possui 70 deputados, Minas Gerais tem 53 e o Rio de Janeiro, 46, a bancada capixaba na Câmara Federal conta com apenas 10 parlamentares.

“Os outros três estados agem como se fossem repúblicas. Como são grandes em tamanho, ficam brigando entre si, cada um pelo seu próprio interesse. E nós ficamos espremidos no meio dessas disputas, lutando pelas nossas entregas”, destacou Da Vitória, que há quase uma década é o coordenador da bancada capixaba.

“Da Bahia até o Piauí, eles atuam como se fossem uma bancada única. Eles são 100% unidos porque sabem que o sofrimento é semelhante. Tanto que conseguem emplacar vários ministros e presidentes da Câmara e do Senado”, observou o deputado, que vai para o terceiro mandato.

A bancada capixaba chega a Brasília, na próxima legislatura, em meio a uma polarização política nacional que reverberou em todos os estados da Federação. No Espírito Santo, não foi diferente. Em meio a uma renovação de 70% de seus integrantes na Câmara Federal, teremos quatro deputados em posições ideológicas bem antagônicas. Pelo PL, passam a integrar a bancada Lucas Polese e Lucas Casagrande, o “federal da direita”. Pelo PT, estarão Jack Rocha, reeleita, e João Coser.

Mas, para Da Vitória, essa polarização não deve atrapalhar o trabalho dos capixabas.

“A bancada chega sempre de acordo com a vontade popular. Cada um tem a sua representatividade e a sua legitimidade no Congresso. E não acredito que essa polarização vai atrapalhar nossa atuação enquanto bancada. Acredito que vamos seguir com o mesmo comportamento, de trabalhar apenas em interesse do povo do Espírito Santo. Nesses meus oito anos como coordenador, em momento nenhum eu uni a bancada para debater pautas ideológicas. Só reuni a bancada para tratar dos interesses públicos do nosso Estado. E acredito que deverá continuar sendo assim”, destacou Da Vitória.

Questionado se pretende disputar a permanência no cargo de coordenador no próximo ano, o deputado resumiu:
“Estou a cavalheiro, bem tranquilo. Me sentirei representado na liderança por quem estiver lá e unir a bancada para defender os interesses do Espírito Santo”.

Da Vitória reforçou ainda que, por serem do mesmo partido do presidente Lula, os deputados João Coser e Jack Rocha terão um papel especial na interlocução com o governo federal e na defesa das prioridades do Espírito Santo junto à equipe do presidente.

Quando o assunto é a disputa pelo governo do Estado, integrantes da bancada também estiveram em palanques opostos. Enquanto os dois parlamentares do PL e Coronel Ramalho (Republicanos) apoiaram o governador eleito Lorenzo Pazolini (Republicanos), os dois petistas estiveram ao lado de Helder Salomão (PT). Já o candidato Ricardo Ferraço (MDB) reuniu em sua coligação os partidos de Gilson Daniel (Podemos), Manu (PSB) e os três integrantes da federação União Progressista: Dr. Bruno Resende, Marcelo Santos e o próprio Da Vitória.

“Tem muita gente experiente ali. Todos devem usar essa maturidade para tocar os interesses do Estado e convergir para o que realmente é importante para o Espírito Santo. Temos pautas importantes para nos unir e batalhar juntos, como matérias de desenvolvimento econômico, mobilidade urbana e políticas públicas de saúde. Fora, cada um tem o direito de fazer suas defesas ideológicas e partidárias. Mas acredito que o interesse do Estado sempre vai nos unir. Conseguimos construir esse modelo de atuação em conjunto, como bancada, e agora é só seguir essa linha”, destacou Da Vitória.

O deputado deixou um recado aos colegas que estão chegando: não se esqueçam do tamanho da bancada capixaba. São apenas 10 deputados em uma região com estados muito maiores, mais populosos e economicamente mais importantes do que o Espírito Santo.

“Qualquer deputado que tiver a honra de representar o povo capixaba tem que se comportar muito bem e trabalhar junto com os demais em prol dos interesses do nosso Estado. Foi com essa união que sempre conseguimos, mesmo pequenos, entregar grandes resultados”, aconselhou o coordenador.

No Congresso Nacional, o Espírito Santo não tem o peso numérico de seus vizinhos, tampouco a força de suas bancadas. Tem, porém, uma alternativa para não desaparecer no meio das disputas: transformar os 10 votos que possui em uma única voz quando o assunto for o interesse dos capixabas. Afinal, diante de três Golias, Davi não pode se dar ao luxo de lutar sozinho.

Davi contra três Golias: o desafio da bancada capixaba

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Davi contra três Golias: o desafio da bancada capixaba