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Como será a relação do Casagrande senador com o Pazolini governador?

Como será a relação do Casagrande senador com o Pazolini governador?

Por Vitor Vogas / A GAZETA / Foto-legenda: Lorenzo Pazolini e Renato Casagrande cumprimentam-se durante solenidade de posse dos deputados estaduais (2023) / Crédito: Fernando Madeira / Arte: IA

Casagrande se coloca à disposição para ajudar “o Espírito Santo”, o que inclui o Governo do Estado. Sublinha, porém, uma condição fundamental

Durante os últimos oito anos, Renato Casagrande (PSB) e Lorenzo Pazolini (Rep) estiveram em lados opostos na política capixaba. Mantiveram desentendimentos públicos e nos bastidores, com direito a ação judicial e inquérito na Polícia Federal.

Agora, quiseram as urnas (ou melhor, os eleitores capixabas) que, a partir de fevereiro, eles passem a ocupar posições diferentes, mas mantendo elevado destaque: no dia 6 de janeiro, Pazolini, o governador eleito, se sentará à cadeira ocupada por Casagrande por quase 11 anos, entre 2011 e o último mês de abril; Casagrande, por sua vez, voltará ao Senado a partir de 1º de fevereiro. Os dois estarão em posições mais que estratégicas para o desenvolvimento do Estado.

Politicamente, deverão seguir sendo adversários. Mas uma mínima relação entre eles, republicana e produtiva, pode ser fundamental para os interesses do Espírito Santo. Afinal, o Estado depende de investimentos federais em muitas áreas, sobretudo logísticas. E, em que pese sua consagração nas urnas, um “detalhe grandão” saiu fora do script da campanha de Pazolini no domingo: a vitória de Lula (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL), apoiado pelo ex-prefeito de Vitória.

Os dois outros senadores da próxima bancada capixaba, Magno Malta (PL) e Evair de Melo (Rep), são aliados de Pazolini, mas serão personae non gratae no próximo governo Lula, ao qual fazem e farão oposição. O governo Pazolini iniciará seus trabalhos com zero articulação com o governo central do PT.

É uma ponte que precisará ser construída desde o primeiro tijolinho. E quem estará em melhor posição para ajudar o governo nessa tarefa senão Casagrande, que terá passe livre no Planalto? Pois é.

Por isso, na entrevista a seguir, perguntamos a Casagrande qual é a natureza da relação que ele pretende estabelecer com o sucessor de seu sucessor, Ricardo Ferraço (MDB). Casagrande se coloca à inteira disposição para ajudar “o Espírito Santo”, o que inclui o Governo do Estado. Sublinha, porém, uma condição.

“O que não pode é as pessoas acharem que o Espírito Santo será descoberto no dia 5 de janeiro de 2027. O Espírito Santos já existe. […] Que seja respeitado tudo aquilo que nós fizemos nesse tempo em que estivemos à frente do governo, naturalmente. […] Sendo respeitado, abre caminhos para relações institucionais.”

Leia a entrevista:

Da sua parte, como será o relacionamento político, durante seu mandato no Senado, com o próximo governador do ES, Lorenzo Pazolini? Haverá diálogo institucional? O senhor buscará estabelecer essa interlocução, ou caberá ao próximo governo e governador construir isso junto ao seu mandato?

Geralmente, a iniciativa da interlocução com a bancada é iniciativa do governador. Eu já fui governador, e a gente sempre buscou a interlocução com a bancada.

Eu, como senador do Brasil representando o Espírito Santo, estou à disposição e estarei sempre à disposição para colaborar com o Espírito Santo, independente de quem quer que seja o governador. Naturalmente, eu já fiquei no governo nesses últimos mais de sete anos, e o governador eleito foi prefeito nesses últimos cinco anos e pouco. Ele, como prefeito, não buscou interlocução com o Governo do Estado.

“O histórico dele não é um histórico de buscar a interlocução comigo. Mas eu, naturalmente, pela minha história, pelas minhas tarefas, estarei, sim, à disposição para poder colaborar naquilo que eu puder colaborar com o Espírito Santo, pois é meu dever fazer isso”. Renato Casagrande (PSB), senador eleito e ex-governador

A minha colaboração com o Espírito Santo acontecerá independente até do governador querer interlocução ou não.

O senhor disse que ele, como prefeito de Vitória, nunca buscou essa interlocução, mas a recíproca é verdadeira? Ou o senhor e seu governo procuraram essa interlocução? Tomaram a iniciativa de convidá-lo e de buscar isso?

Nós tentamos convite para as solenidades, para os eventos, para as reuniões, mas nunca teve muito interesse por parte do município em fazer essa interlocução. A gente teve muitas dificuldades em diversos assuntos que a gente tratava, seja de obra, licença de obra, autorização para fazer permuta de servidores. Então, é uma coisa que passou. Eu não quero ficar agarrado naquilo que passou.

Eu estou à disposição. Estou falando esse assunto para poder falar do futuro. No futuro, eu estarei inteiramente à disposição. Então vamos para a frente pensando justamente nesse futuro… desde que aquilo que eu liderei no Estado e que hoje o Ricardo Ferraço lidera seja reconhecido.

Reconhecido em que sentido?

O que não pode é as pessoas acharem que o Espírito Santo será descoberto no dia 5 de janeiro de 2027. O Espírito Santos já existe.

O que o senhor espera, especificamente? 

“Que seja respeitado tudo aquilo que nós fizemos nesse tempo nosso, em que estivemos à frente do governo, naturalmente”. Renato Casagrande (PSB), senador eleito e ex-governador

Ou seja, o reconhecimento dos créditos, dos méritos?

Não é crédito nem mérito. Tem que ser reconhecido para não parecer que o Estado será descoberto a partir de 6 de janeiro de 2027. Então não quero mérito, nem quero elogio de ninguém, não estou pedindo isso.

Estou dizendo o seguinte: que nós cumprimos uma tarefa no Estado, que o Ricardo Ferraço vai dar sequência a ela, que é uma tarefa que produziu muitos resultados positivos para a sociedade capixaba. Isso tem que ser respeitado. E, sendo respeitado, abre caminhos para relações institucionais.

A partir de fevereiro, a bancada capixaba no Senado terá, além do senhor, os senadores Magno Malta e Evair de Melo. Estes dois atualmente fazem oposição ao governo Lula e assim devem se manter no próximo governo. O senhor, ao contrário, é líder regional e nacional do PSB, aliado do governo do PT. Não é preciso ser brilhante para inferir que o senhor terá, junto ao próximo governo Lula, canal direto e abertura bem maior que os seus dois futuros colegas de bancada. O senhor pretende colocar essa “abertura bem maior” à disposição do próximo Governo do Estado?

À disposição do Espírito Santo, querendo o governo ou não. A minha interlocução com o Governo Federal, que nós temos, está à disposição do Espírito Santo. Está à disposição do governo, está à disposição das entidades, da sociedade capixaba. Os parlamentares que estiveram no projeto do presidente Lula também vão poder ajudar nesse trabalho.

Então, sim, está à disposição do Espírito Santo, incluindo o Espírito Santo, o Governo do Estado, as prefeituras municipais, as câmaras de vereadores, a Assembleia Legislativa. Estou inteiramente à disposição para colaborar nessa interlocução com o Governo Federal.

 

Como será a relação do Casagrande senador com o Pazolini governador?

Como será a relação do Casagrande senador com o Pazolini governador?

Como será a relação do Casagrande senador com o Pazolini governador?