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“Ciúme de você”: a disputa de aliados pelo apoio de Casagrande

"Ciúme de você”: a disputa de aliados pelo apoio de Casagrande

Por Letícia Gonçalves / A GAZETA / Foto-legenda: Renato Casagrande e Manu (PSB), em ato de campanha da candidata a deputada federal / Reprodução: Instagram/@emanuelapedroso.es / Arte: IA

Candidatos a deputado federal estão descontentes com a atenção e o esforço dedicados pelo ex-governador a determinados nomes

A aliança que sustenta as candidaturas do governador Ricardo Ferraço (MDB) ao Palácio Anchieta e do ex-governador Renato Casagrande (PSB) ao Senado é ampla, formada por nove partidos, que contêm, ao todo, 33 candidatos a deputado federal.
Casagrande é considerado até por adversários como “praticamente eleito” e é o cabo eleitoral mais disputado entre aliados. A divisão da atenção e do esforço dedicados pelo socialista aos candidatos à Câmara dos Deputados, porém, já virou motivo de discórdia.
Nos bastidores, é patente o descontentamento dos deputados federais Da Vitória (PP) e Gilson Daniel (Podemos) com o ex-governador.
De acordo com o que a coluna apurou, Casagrande nem foi convidado para o lançamento da candidatura de Gilson, na última quinta-feira (3). Na ocasião, o deputado apareceu ao lado de outros dois candidatos ao Senado: Rose de Freitas (MDB) e Evair de Melo (Republicanos).

Rose, ok. Faz parte da coligação. Mas a presença de Evair, que é do time do ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos), chama a atenção.

A ausência de Casagrande, entretanto, destaca-se ainda mais.

Segundo aliados de Da Vitória, o deputado federal, que preside o PP e a superfederação União Progressista, também soltou a mão do ex-governador por se sentir desprestigiado.
Apoia, para o Senado, Sérgio Meneguelli (PSD), que não está na coligação de Ricardo e Casagrande, e Evair, seu aliado de longa data e ex-correligionário.

“Casagrande trabalha, principalmente, pela eleição de candidatos a deputado federal do PSB, notadamente a Manu (Emanuela Pedroso, ex-secretária de Governo), o Freitas (ex-diretor-geral do DER) e o Tyago Hoffmann (deputado estadual e ex-secretário estadual de Saúde)”, contou uma pessoa que integra a coligação.
O apoio do ex-governador seria explicitado não apenas diretamente, mas por meio de interlocutores, que apelam a lideranças locais nos municípios.
Ninguém, nem mesmo os descontentes, acredita que a falta de empenho de Da Vitória e Gilson Daniel por Casagrande ameaça de alguma forma a eleição do ex-governador.
A questão é que esse mal-estar pode antecipar um racha que se daria, em tese, apenas após o pleito de 2026.
É difícil mesmo conciliar interesses quando há muitas pessoas no palanque.
Evair de Melo e Gilson Daniel
Evair de Melo e Gilson Daniel – Instagram/@gilsondaniel.es
Casagrande, em entrevista à coluna, negou ter preferência por qualquer candidato a deputado federal.
“Tenho participado de todas as atividades que os deputados federais me chamam, todas elas, seja do PSB, seja de qualquer outro partido, da União Progressista, do Podemos …”
“Não tem preferência por nenhum candidato a deputado federal. O que acontece é que tem gente que me chama mais, tem gente que me chama menos para as atividades” Renato Casagrande (PSB), candidato a senador.
Em relação a Da Vitória e Gilson Daniel, o ex-governador disse o seguinte: “Da minha parte tá tudo certo, eu não tenho tido, não tenho encontrado com eles, eles estão cuidando das campanhas deles, tá certo? Mas não tem nenhum problema com eles”.

A coluna entrou em contato com os dois deputados federais. Não houve resposta.

 

Da Vitória e Sérgio Meneguelli

Da Vitória e Sérgio Meneguelli – Instagram/@deputadodavitoria

 

O ex-governador também fez questão de não comemorar antes da hora, não quer entrar em clima de “já ganhou”, apesar de liderar as pesquisas de intenção de voto.
“Eu não estou eleito. Temos muito trabalho pela frente ainda. Já vi gente que todo mundo dizia que ia perder a eleição ganhar a eleição”, observou.
De fato, a eleição para o Senado, em especial quando há duas vagas em disputa, pode proporcionar surpresas.
Em 2018, por exemplo, os então senadores Ricardo Ferraço (na época, filiado ao PSDB) e Magno Malta (cujo partido se chamava PR) lideraram as intenções de voto até a reta final.
Por fim, veio a reviravolta. Eles perderam os assentos em Brasília para Fabiano Contarato (então filiado à Rede) e Marcos do Val (na época, no PPS).

 

 

"Ciúme de você”: a disputa de aliados pelo apoio de Casagrande

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