Por Vitor Vogas / A GAZETA / Foto: Divulgação / Arte: IA
As duas campanhas estão se marcando com lupa, por meio dos respectivos advogados. A guerra jurídica já começou, com uma derrubada em massas de posts de lado a lado. E vem muito mais por aí…
Na semana passada – a primeira do período oficial de campanha, com propaganda eleitoral liberada nas redes sociais –, 20 posts de Ricardo Ferraço (MDB) foram derrubados por decisão liminar do desembargador Robson Albanez, do Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE-ES), a partir de uma representação movida pelos advogados da campanha de Lorenzo Pazolini (Republicanos).
Numa tacada, o Instagram, o Facebook e o Threads de campanha de Ricardo foram “zerados”, e ele perdeu seis dias de postagens. Isso porque o time jurídico de Pazolini constatou falhas técnicas nas informações prestadas pela campanha de Ricardo e seu vice, Camillo Neves (PP), à Justiça Eleitoral, a respeito de suas redes sociais: endereços eletrônicos não informados previamente ou comunicados com erro, links que não funcionavam etc.
No dia 21, com tudo sanado, Ricardo voltou a postar, ao som de seu conterrâneo Roberto Carlos: “Eu voltei, agora pra ficar…”
Em contrapartida, também na semana passada, a campanha de Pazolini removeu de suas redes sociais, voluntariamente, 17 posts, a partir de sete representações ajuizadas pela equipe jurídica de Ricardo.
Pondo a lupa sobre o material de Pazolini, os advogados do governador verificaram o descumprimento de regras básicas, como a obrigação de fazer constar o nome da candidata a vice, Eliane Leal (PL), em espaço corresponde a 30% do ocupado pelo nome do titular da chapa. Alguns dos posts vinham até sem o nome da vice. Outros não faziam constar o nome da coligação e os partidos que a compõem.
Antes de qualquer decisão, a própria campanha de Pazolini retirou do ar o conteúdo e comunicou a iniciativa ao relator, Robson Albanez, no bojo das sete petições – as quais, assim, em bom “juridiquês”, perderam o objeto.
Reparem: o horário eleitoral gratuito de rádio e TV ainda nem começou (estreia nesta sexta), e as duas campanhas já estão nesse nível de fogo cruzado na arena da Justiça Eleitoral, cada uma marcando em cima a outra, passando o pente fino em cada material adversário, em busca de cada filigrana de deslize ou vacilo que possa dar ensejo a um questionamento ou impugnação judicial.
Esses dois exemplos ilustram algo que só tende a se aprofundar daqui até outubro: a “Batalha das Bancas” intensamente travada nos bastidores, na arena da Justiça Eleitoral.
Como o leitor pode concluir, essa nervosa luta jurídica, tendo por Coliseu o TRE-ES, já foi desencadeada entre os escritórios de advocacia das duas maiores coligações para governador do Espírito Santo.
E é justamente sobre essas bancas e seus respectivos representantes que trataremos na próxima coluna, apresentando aqui quem é quem nessa batalha invisível.


