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Balneabilidade das praias capixabas x turismo

Por Eraylton Moreschi Junior, presidente da Juntos SOS Ambiental / Foto: Lucas Costa (Ales)

O litoral do Espírito Santo possui cerca de 400 a 410 quilômetros de extensão, com mais de 100 praias, dunas, enseadas e areias monazíticas que formam um patrimônio natural estratégico para o turismo e para a economia capixaba.

O Estado oferece um contraste singular entre mar e montanha, combinando o litoral com destinos de serra, gastronomia e turismo de experiência. Justamente por isso, episódios como o rompimento da barreira da Lagoa de Carapebus, na Serra, e as recentes manchas escuras nas praias de Vitória impactam diretamente a percepção de qualidade ambiental e a confiança de turistas e moradores.

A balneabilidade das praias não é apenas um dado técnico — é um fator determinante para a reputação turística do Estado. Informações seguras, atualizadas e respostas rápidas das autoridades são essenciais para garantir segurança sanitária e evitar insegurança comunicacional.

Atualmente, as prefeituras da Serra e de Vitória realizam coletas semanais, normalmente às segundas-feiras, validando os resultados para o período da sexta-feira seguinte até a quinta-feira subsequente. O problema é que ocorrências ambientais podem surgir após a coleta, dentro do prazo de validade do laudo, criando um intervalo de risco e de incerteza.

Tecnologias mais rápidas já disponíveis

Hoje existem métodos mais modernos que reduzem drasticamente o tempo de análise:

1. qPCR (Quantitative Polymerase Chain Reaction)
Tempo: 3 a 4 horas.
Detecta diretamente o DNA de bactérias indicadoras de contaminação fecal, como enterococos, sem necessidade de cultura.
Vantagem: permite emitir alertas no mesmo dia da coleta.

2. ddPCR (Droplet Digital PCR)
Tempo: semelhante ou até mais rápido que a qPCR.
É considerada mais sensível e precisa. Foi adotada pioneiramente para monitoramento de praias em San Diego, nos Estados Unidos, oferecendo respostas no mesmo dia.

3. Técnicas baseadas em ATP (como Cov-IMS/ATP)
Tempo: menos de 1 hora.
Método portátil que utiliza esferas magnéticas ligadas a anticorpos para identificar bactérias fecais, com leitura por luminômetro.

Comparação de tempo

  • Métodos tradicionais (cultura): 24 a 48 horas

  • Métodos moleculares (qPCR/ddPCR): 3 a 4 horas

  • Técnicas com ATP: menos de 1 hora

Há, naturalmente, limitações. Métodos moleculares detectam DNA de bactérias vivas e mortas, enquanto o método de cultura identifica apenas organismos viáveis. Ainda assim, a rapidez dos métodos modernos é considerada estratégica para proteção da saúde pública e gestão preventiva.

A questão estratégica

Diante disso, surge uma reflexão inevitável:

Quando o Estado do Espírito Santo e seus municípios passarão a incorporar tecnologias de análise rápida para fortalecer a segurança sanitária, proteger a saúde dos banhistas e preservar a imagem turística do litoral capixaba?

Num cenário em que informação circula em tempo real e imagens viralizam em minutos, não basta agir corretamente — é preciso agir com rapidez, transparência e base científica atualizada.

Balneabilidade não é apenas um relatório semanal. É confiança pública, competitividade turística e compromisso com a saúde coletiva.

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