Por Fabiana Tostes / FOLHA VITÓRIA / Foto: Divulgação / Arte: IA
Atual presidente, William Miranda, e o ex-presidente Rodrigo Caldeira já se articulam nos bastidores em busca de apoio na Casa e no Executivo
A eleição da Mesa Diretora da Câmara da Serra ocorre no próximo dia 23 e dois grupos já se movimentam para conquistar apoios e formar chapa para a disputa.
De um lado está o atual presidente da Casa, William Miranda (União), que assumiu a presidência em setembro do ano passado após o afastamento determinado pela Justiça de quatro vereadores, incluindo o então presidente Saulinho (PDT).
Miranda e Saulinho fazem parte do mesmo grupo político eleito no início do ano passado para a Mesa Diretora. Miranda ocupava a 1ª vice-presidência.
De outro lado, está o vereador Rodrigo Caldeira (Republicanos), que já foi presidente da Casa por dois mandatos (entre 2018 e 2022), durante os governos de Audifax Barcelos (PP) e Sergio Vidigal (PDT).
Caldeira faz oposição ao grupo de Saulinho e Miranda e não é de agora que tenta retomar o comando da Casa.
Grupo tentou destituir Mesa Diretora
Em março deste ano, Caldeira e seu grupo – que, à época, era composto por 9 a 11 vereadores – protocolaram dois requerimentos para destituir a Mesa Diretora e convocar novas eleições para o comando da Casa.
Eles alegaram que a Mesa estava “desfalcada” e operando de forma “precária”, desde que quatro vereadores foram afastados por decisão judicial – entre eles, três eram integrantes da Mesa.
Miranda conseguiu derrubar os requerimentos – um deles numa votação de 13×9 –, mas não conseguiu impedir que o grupo se fortalecesse, nos bastidores, para a disputa que se aproxima.
Conforme a coluna De Olho no Poder apurou, Miranda já teria o apoio certo de sete vereadores para a sua tentativa de reeleição. Isso não significa que os outros 14 parlamentares tenham fechado com Caldeira – alguns, ainda não se decidiram ou não se manifestaram sobre a eleição.
Há também aqueles que estão aguardando o posicionamento do prefeito Weverson Meireles (PDT), para definirem o lado.
O que está em jogo

Weverson Meireles (foto: Dyhego Salazar)
A coluna apurou que tanto Miranda quanto Caldeira buscam o apoio do prefeito. A relação dos dois pré-candidatos é de proximidade com Weverson e o prefeito ainda não teria definido a quem irá apoiar.
“Até agora o prefeito não se manifestou. Não tem nenhum movimento do Executivo. Vou ter uma conversa com ele em breve, estou aguardando”, disse o líder do prefeito na Câmara, Sérgio Peixoto (PDT).
Como o prefeito tem maioria na Casa, a tendência é que a base siga em apoio ao nome escolhido por Weverson, o que pode definir o pleito.
Além de comandar um orçamento estimado em R$ 68 milhões para 2027, e liderar a maior câmara de vereadores do Estado, o próximo presidente também estará à frente do Legislativo durante as eleições municipais de 2028, o que é um ponto de atenção para a prefeitura.
São os dois últimos anos do mandato de Weverson – que deve disputar a reeleição – e tudo que o prefeito não precisa é de uma câmara conturbada, que traga riscos à governabilidade e que lhe imponha derrotas no ano eleitoral.
Nome pode mudar?
Embora o atual presidente esteja liderando o grupo e seja o candidato natural à reeleição, o nome que poderá disputar contra Caldeira o comando da Câmara corre o risco de mudar.
Isso porque há um clima de instabilidade e incerteza rondando os corredores do Legislativo desde que o vereador afastado Cleber Serrinha (MDB) conseguiu uma liminar para retornar à Câmara.
Conforme a coluna noticiou, o STJ atendeu a pedido do parlamentar para retornar ao mandato após 13 meses de afastamento. O retorno ocorreu na sessão desta quarta-feira (04). Serrinha também retomou seu cargo de 1º secretário da Mesa Diretora.
Segundo Miranda informou à coluna em entrevista anterior, os outros três vereadores afastados também entraram com o mesmo recurso no STJ e aguardam decisão.
Caso consiga retornar à Câmara sem nenhuma medida cautelar, há quem aposte que Saulinho poderia pleitear voltar à presidência da Mesa Diretora – embora, regimentalmente, ele já tenha sido eleito por duas vezes consecutivas, o que o impediria de disputar novamente.
No entanto, embora tenha sido eleito para o comando da Casa no biênio 2025-2026, Saulinho presidiu por menos da metade do seu mandato, o que pode gerar questionamentos regimentais e jurídicos e abrir uma brecha para que ele volte à presidência.



