Por Vinícius Baptista / SIM NOTÍCIAS / Foto: Os candidatos Hélder Salomão, Lorenzo Pazolini e Ricardo Ferraço participam do debate do Grupo SIM / Crédito: Josué de Oliveira
Primeiro confronto entre os candidatos ao governo será um teste de argumentos, credibilidade e capacidade de persuasão.

A campanha, que andava morna, esquentou nesta última semana. Se, até poucos dias atrás, os candidatos ao governo do Estado usavam suas redes sociais para falar apenas de propostas e fazer críticas mais pontuais aos adversários, o que se viu recentemente foram ataques mais enfáticos e com um alvo bem definido: o senador Magno Malta (PL).
Os candidatos Helder Salomão (PT) e Ricardo Ferraço (MDB) parecem ter adotado a mesma estratégia: reforçar que o senador é aliado de Lorenzo Pazolini (Republicanos) e que Magno terá muita influência em um eventual governo do ex-prefeito de Vitória.
Ricardo, sempre muito ponderado em suas falas, como fez na sabatina da última quarta-feira nas emissoras do Grupo Sim, quando não fez nenhuma crítica aos seus adversários, publicou em sua página no Instagram um vídeo que faz uma analogia ao novo modelo de telefone celular lançado neste mês pela Apple, de tela dobrável, dizendo que “esse é o novo modelo 2 em 1”. Quando a tela do telefone “abre”, aparece a foto de Pazolini e Magno. “Quando a gente abre e descobre quem vem colado no outro”, continua o vídeo, mostrando trechos de eventos em que o senador aparece ao lado do ex-prefeito.
“Isso é movimento natural à medida que a campanha vai avançando. Mas nós não estamos atacando ninguém. Trazemos apenas uma informação importante para o eleitor. Quem governa, governa com seus aliados. Então, o eleitor precisa saber quem são os aliados de quem”, pontuou Ferraço.
Já Helder exibiu um vídeo em suas inserções na TV em que Pazolini é retratado como uma marionete sendo manipulada por Magno. “Pazolini é Magno Malta”, diz o vídeo.
Em pesquisa feita em julho pela Quaest sobre o cenário eleitoral do Espírito Santo, Magno apareceu com a maior rejeição entre os possíveis candidatos ao governo do Estado, com 55% dos entrevistados rejeitando o nome do senador.
E é exatamente essa possível rejeição que os adversários pretendem colar em Pazolini. Em nota enviada à coluna, Magno respondeu.
“Vejo essas críticas como sinal de que a candidatura de Lorenzo Pazolini está crescendo e incomodando os adversários. Quando faltam propostas e resultados para apresentar, alguns preferem atacar alianças políticas. Minha união com Pazolini é pública, transparente e baseada na convergência de valores e projetos para o Espírito Santo. Não é uma aliança de conveniência nem construída nos bastidores”, destacou Magno Malta.
“Se a minha presença na campanha virou o principal argumento dos adversários, é porque eles estão mais preocupados conosco do que em explicar ao capixaba o que pretendem fazer pelo Estado. Continuaremos apresentando propostas e deixando que a população faça a comparação”, finalizou o senador.
Mas não foi só Pazolini que Helder criticou. Em outra inserção de sua campanha, ele mostrou um vídeo feito com animação, no estilo de bonecos de pano, lembrando uma antiga propaganda do posto Ipiranga, em que uma pessoa pergunta onde encontrar de tudo, e um gaiato sempre respondia: “No Posto Ipiranga”.
No vídeo do petista, uma mulher pergunta para um sujeito:
“Onde eu encontro médicos especialistas e exames sem fila?”
“E segurança pública nas ruas?”
“E defesa do trabalhador, da cultura e de mais igualdade?”
A resposta do homem, que lembra o ator da propaganda, é sempre a mesma: “Lá na propaganda do Ricardo Ferraço. Na propaganda cabe tudo, já na vida real…”.
Em seguida, Helder aparece em frente ao Palácio Anchieta e completa: “Um dos principais erros é esquecer que o verdadeiro dono desse palácio aqui é o povo capixaba. Para ser um bom governador, não basta ser escolhido por um grupo político. Tem que ter liderança, escutar a população e ter a capacidade de pensar grande”.
“Não houve mudança de tom, apenas estamos em uma fase em que destacamos o nosso projeto e estamos dando mais visibilidade ao nosso trabalho. Trata-se de uma estratégia de campanha, sendo que a nossa estratégia principal é mostrar que o nosso projeto é diferente e melhor para o Espírito Santo”, ponderou Helder.
Pazolini foi procurado pela coluna, mas sua assessoria disse que ele não iria comentar as propagandas.
Nesta sexta-feira (18), às 11h, os três estarão frente a frente pela primeira vez nesta campanha. O Grupo Sim promove o primeiro debate em rede de televisão com Helder, Pazolini e Ferraço. Será a oportunidade de o eleitor capixaba sentir o clima da campanha e ver os três postulantes ao Palácio Anchieta confrontarem seus adversários ao vivo.
Debates são importantes espaços para os candidatos apresentarem suas propostas, mas, principalmente, para debaterem ideias e mostrarem seus pontos divergentes.
A importância desse tipo de encontro remonta a 2.300 anos, no período da Grécia Antiga. Aristóteles, considerado por muitos um dos pais da retórica — embora não tenha sido o inventor dessa prática, já utilizada por sofistas como Górgias e Protágoras —, foi um dos primeiros a transformá-la em uma disciplina filosófica sistemática e estruturada por meio de sua famosa obra Arte Retórica.
Ali, Aristóteles identifica três caminhos pelos quais um discurso pode persuadir e convencer: ethos, pathos e logos.
Ethos é a credibilidade e o caráter que o orador tem e transmite — autoridade, experiência, currículo, entre outros aspectos. Já o pathos é a habilidade que o comunicador tem para despertar emoções no público, enquanto o logos é a força dos argumentos apresentados.
Então, em uma época em que a Inteligência Artificial e os vídeos superproduzidos tentam convencer o eleitor, o que veremos a partir das 11h desta sexta-feira será um debate à luz de Aristóteles.
Mais de dois mil anos depois de o filósofo grego estudar e nos ensinar os mecanismos da persuasão, três candidatos ao governo do Espírito Santo estarão diante das câmeras para uma das mais antigas tarefas da política: convencer cidadãos, por meio da palavra, sobre qual futuro deve ser escolhido.



