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MOAB: duas décadas de luta pelo orgulho autista e uma nova etapa no Espírito Santo

MOAB: duas décadas de luta pelo orgulho autista e uma nova etapa no Espírito Santo

Por redação / Foto: Divulgação / Arte: IA

 

O Movimento Orgulho Autista Brasil — MOAB — nasceu em Brasília, em 18 de junho de 2005, a partir de uma mobilização chamada “Blitz do Autismo”. Durante a atividade, familiares, apoiadores e agentes envolvidos distribuíram materiais informativos aos motoristas, com o objetivo de ampliar o conhecimento da sociedade sobre o autismo e chamar atenção para as necessidades das pessoas autistas e de suas famílias. A mobilização ocorreu durante a celebração do Dia do Orgulho Autista, inspirada em uma iniciativa internacional iniciada no ano anterior.

A repercussão da primeira ação demonstrou a necessidade de criar uma organização permanente. A partir de 2006, o MOAB passou a desenvolver uma atuação institucional e nacional, constituindo-se como uma organização sem fins lucrativos formada por pessoas autistas, mães, pais, familiares, profissionais, amigos e voluntários comprometidos com a promoção da qualidade de vida e da cidadania da população autista.

 

Desde seus primeiros anos, o movimento adotou uma atuação voltada simultaneamente para a conscientização social, o acolhimento das famílias e a defesa de direitos. Entre suas iniciativas históricas estão a Blitz do Autismo, os encontros “Desabafo Autistar”, atividades educativas em escolas, seminários, palestras, caminhadas, manifestações e o Prêmio Orgulho Autista, criado para reconhecer pessoas e instituições que contribuíram para a causa.

Com o crescimento do movimento, o MOAB passou a participar de audiências públicas, debates legislativos, campanhas nacionais e articulações com órgãos governamentais e entidades da sociedade civil. Sua trajetória está relacionada à mobilização e ao acompanhamento de importantes marcos legais, entre eles a Lei Federal nº 12.764/2012, conhecida como Lei Berenice Piana, que instituiu a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista e reconheceu legalmente a pessoa autista como pessoa com deficiência.

 

Audiência pública sobre autismo no Senado Federal. Foto: Divulgação

 

Ao longo de sua história, o MOAB ampliou sua atuação para diferentes estados e municípios, mantendo uma estrutura baseada principalmente no trabalho voluntário de coordenadores, conselheiros, pessoas autistas, familiares e apoiadores. Essa expansão possibilitou que demandas locais fossem levadas ao debate nacional e que experiências desenvolvidas em diferentes regiões fossem compartilhadas.

Em 2024, durante sessão especial do Senado Federal sobre o autismo, o presidente nacional do MOAB, Dr. Edilson Barbosa, defendeu não apenas a criação de leis, mas também a fiscalização e a efetiva implementação das políticas públicas já existentes. Na ocasião, destacou a necessidade de acompanhamento permanente da Lei nº 12.764/2012 e de articulação entre movimentos sociais, governos e instituições públicas.

Em 18 de junho de 2025, o MOAB completou vinte anos de atuação. A data representou duas décadas de mobilização pela inclusão, pelo respeito à neurodiversidade, pelo combate ao preconceito e pela garantia de direitos das pessoas autistas em todas as fases da vida.

A história iniciada com uma ação informativa em uma rodovia alcançou novo reconhecimento em 30 de março de 2026, quando foi sancionada a Lei nº 15.365/2026, que instituiu oficialmente o Dia Nacional do Orgulho Autista, celebrado anualmente em 18 de junho. O reconhecimento nacional da data fortalece a agenda de direitos, identidade, inclusão, visibilidade e respeito à neurodiversidade.

A continuidade dessa história no Espírito Santo

A visita do Dr. Edilson Barbosa ao Espírito Santo representa a continuidade dessa trajetória nacional. Mais do que uma agenda comemorativa, trata-se de uma oportunidade para aproximar o MOAB das pessoas autistas, das famílias, dos profissionais, das entidades e das instituições públicas capixabas.

Ao conhecer serviços como o CETEA, dialogar com gestores e ouvir as experiências desenvolvidas no estado, o MOAB cumpre sua missão histórica de conectar as demandas locais ao debate nacional, fortalecer boas práticas e contribuir para que os direitos previstos em lei se transformem em atendimento, acolhimento e inclusão efetiva.

A visita também simboliza uma nova etapa de organização do movimento no Espírito Santo, ampliando a participação direta das pessoas autistas e fortalecendo a cooperação entre sociedade civil, rede de saúde, instituições públicas e famílias.

MOAB: duas décadas de luta pelo orgulho autista e uma nova etapa no Espírito Santo

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