Por Leide Pires, empresária / Foto: A empresária Leide Pires; o advogado Dr. Pelaes; e Bárbara Pires Cabral, médica-veterinária e pós-graduanda em Cirurgia de Pequenos Animais no Hospital Veterinário Anclivepa-SP.
O mapeamento do Transtorno do Espectro Autista (TEA) pelo Censo do IBGE representa um divisor de águas para o Espírito Santo. Agora, sabemos que mais de 51 mil capixabas possuem diagnóstico de autismo — aproximadamente 1,3% da população estadual. São cerca de 31,7 mil homens e 19,7 mil mulheres. Os dados colocam o Espírito Santo na quarta posição entre os estados brasileiros em proporção de pessoas diagnosticadas com autismo. Entretanto, por trás de cada número existem histórias de mães, pais e familiares que cuidam, educam e lutam diariamente por inclusão, direitos, respeito e oportunidades.
Mais do que causar impacto, essas estatísticas precisam orientar o futuro. O diagnóstico é apenas o primeiro passo. Depois dele, é indispensável assegurar uma rede sólida de políticas públicas, com atendimento de saúde acessível, educação inclusiva de qualidade, apoio às famílias e uma sociedade preparada para acolher a neurodiversidade com empatia e dignidade.
Diante dessa realidade, o Espírito Santo também precisa recuperar espaços de comunicação comprometidos com a escuta, o acolhimento e a transformação social.
Pela volta do Fala Pelaes: a voz que as mães atípicas não podem perder
Existem programas de televisão que apenas informam. Outros acolhem, transformam realidades e dão voz a pessoas que, durante muito tempo, permaneceram invisíveis. O Fala Pelaes sempre foi muito mais do que um espaço na televisão: tornou-se um ambiente de respeito, escuta e apoio para centenas de mães atípicas capixabas.
Sob a condução de Pelaes — um comunicador que não apenas apresenta, mas sabe ouvir com o coração —, o programa deu visibilidade às lutas, às dores e às conquistas das famílias atípicas. Com empatia e coragem, mostrou que a comunicação pode e deve ser um instrumento de justiça social, inclusão e acolhimento humano.
A luta continua, e a voz das mães atípicas precisa seguir ecoando na televisão capixaba. O Espírito Santo precisa da volta do Fala Pelaes.
Acolher a neurodiversidade também significa garantir que a voz de quem cuida, protege e luta todos os dias jamais seja silenciada.


