Por Henrique Sávio Rezende, Despachante Aduaneiro Federal e Bacharel em Direito
O paradoxo capixaba: enquanto a economia pulsa e sobram vagas, o pequeno empresário enfrenta custos elevados e as incertezas da nova engrenagem tributária.
O eleitor brasileiro não pode reclamar da falta de opções nas urnas. Para os cargos de Presidente da República, Governadores, Senadores e Deputados, o espectro de ideias, propostas e projetos é amplo.
A verdadeira questão, porém, não está na quantidade de candidatos, mas na qualidade da nossa reflexão coletiva. É urgente que a sociedade analise cada postulante à luz da razão, da responsabilidade e da capacidade de gestão, evitando duas armadilhas que historicamente enfraquecem as democracias: o ódio cego e a idolatria política.
Escolhas movidas pelo rancor ou pela paixão costumam cobrar seu preço diretamente no bolso de quem trabalha, empreende e produz.
Vivemos um período de profundas transformações na economia brasileira, impulsionadas, entre outros fatores, pela implementação da Reforma Tributária. Embora o objetivo declarado seja simplificar o sistema de arrecadação, muitos pequenos e médios empresários ainda convivem com dúvidas sobre a adaptação às novas regras, seus custos de transição e seus impactos sobre o fluxo de caixa e a competitividade.
Esse segmento, responsável por grande parte dos empregos formais e da atividade econômica nacional, precisa participar de forma mais ativa do debate público. Afinal, são justamente os empreendedores que enfrentam diariamente os desafios de manter empresas abertas, preservar empregos e gerar riqueza.
No Espírito Santo, essa realidade assume contornos ainda mais desafiadores. Vivemos um aparente paradoxo: a economia demonstra dinamismo e diversos setores registram dificuldade para preencher vagas de trabalho. Ao mesmo tempo, o pequeno empresário enfrenta custos operacionais crescentes, escassez de mão de obra qualificada e a necessidade de se adaptar a um novo modelo tributário.
O empreendedor capixaba caminha sobre uma corda bamba. Precisa manter sua empresa competitiva, cumprir obrigações fiscais, enfrentar custos cada vez maiores e continuar investindo na geração de empregos. A sustentabilidade dos pequenos negócios dependerá, em grande medida, de políticas públicas que favoreçam um ambiente econômico mais previsível, eficiente e estimulante para quem produz.
A Plenária Capixaba apresenta-se como um espaço oportuno para essa reflexão. Precisamos de representantes comprometidos com o desenvolvimento econômico, a segurança jurídica, a simplificação do ambiente de negócios e a valorização do empreendedorismo.
O voto nas próximas eleições não deve ser um ato de paixão partidária, mas uma decisão consciente sobre o futuro do Estado e do país. Independentemente das preferências ideológicas, cabe ao eleitor avaliar propostas, histórico, preparo e compromisso com o interesse público.
A construção do nosso futuro político e econômico depende da participação responsável de cada cidadão. Como bem lembra o Hino do Espírito Santo:
“Salve o povo espírito-santense,
Herdeiro de um passado glorioso;
Somos nós a falange do presente,
Em busca de um futuro esperançoso.”
Que esse futuro seja construído com responsabilidade, diálogo e escolhas conscientes.


