Por Carla Nigro / A TRIBUNA / Foto: Divulgação / Foto: Valter Campanato / Crédito: Agência Brasil / Arte: IA
No grupo de voto facultativo estão adolescentes de 16 e 17 anos e idosos com mais de 70
Na primeira vez em que foi votar, Maria de Lourdes Arrabal estava morrendo de medo. Professora aposentada, hoje com 74 anos, ela conta que tremia, sentindo como se todos os olhos estivessem sobre ela. A lembrança de ter vivido durante a ditadura, quando os brasileiros não escolhiam diretamente o presidente da República, marcou sua relação com o voto e a motiva a não faltar às urnas.
A relação de Maria com a votação, porém, não se repete entre todos os eleitores. No Espírito Santo, 639.248 pessoas não compareceram ao primeiro turno das eleições, mas ainda podem votar hoje, segundo a Justiça Eleitoral. O número equivale a quase o dobro da diferença de 329.236 votos entre os dois candidatos mais votados no 1º turno da disputa pelo governo estadual.
Integrante da Comissão de Mesários do Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo, Rosiane Marrochi explica que quem faltou ao primeiro turno pode votar no segundo, mesmo que ainda não tenha justificado a ausência ou pago a multa correspondente.
“A pessoa não conseguiu votar no primeiro turno e ainda não procurou a Justiça para fazer a justificativa ou pagar a multa. Mesmo assim, pode votar no segundo turno. Uma coisa não depende da outra”, ressalta.
No grupo de eleitores com voto facultativo, estão adolescentes de 16 e 17 anos e pessoas com 70 anos ou mais. No Estado, 412.370 eleitores desse grupo estão aptos a votar. No primeiro turno, 46,11% não compareceram às urnas.
“Nós somos filhos da ditadura. Vivi a experiência de estar em sala de aula e ser vigiada por alguém”, relembra Maria, “Era terrível. Só tinha dois partidos quando a gente começou a votar. Antes era indicado pelos militares”.
Ela conta que, nas vezes que não pode votar, se sentiu mal por justificar. Para seu marido, Antônio Miguel Arraba, 84, votar é exercer sua democracia. “Quero votar e até quando eu puder, eu vou”, diz.
O casal ensinou a importância de votar para sua filha, Silvana Arraes, que por sua vez ensinou ao filho Gabriel Arraes, de 18 anos, que vota desde os 16 por escolha e incentivo dos pais. Aos 50, a dona de casa diz que é triste saber que há tantos sem votar. “É um dever. Se não entender que nosso voto faz a diferença, como você vai querer um Brasil melhor?”



