Por assessoria / Foto: Divulgação
Deputada Camila Valadão quer que o Estado reforce ações de proteção aos animais no Contorno do Mestre Álvaro
Com a chegada do verão, o aumento no fluxo de veículos nas rodovias do Espírito Santo acende um sinal de alerta para a fauna silvestre. No município da Serra, esse risco é ainda mais evidente no Contorno do Mestre Álvaro, trecho da BR-101 que corta uma área ambiental. Analisando esse contexto, a deputada estadual Camila Valadão apresentou a Indicação 1668/2025, cobrando do Governo do Estado novas ações para reduzir os atropelamentos de animais na via.
A proposta, encaminhada à Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Seama), pede que o Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) não apenas cobre o cumprimento das medidas ambientais já previstas no licenciamento da rodovia, mas também adote estratégias mais atuais e eficientes, com uso de tecnologias de monitoramento e estruturas físicas que ajudem a direcionar a fauna e impedir o acesso direto à pista.
“Estamos falando de uma rodovia que atravessa um corredor ecológico fundamental para o Espírito Santo. Não dá para aceitar que a morte de animais silvestres seja tratada como algo normal. O impacto já era previsto nos estudos ambientais e, justamente por isso, deveria estar sendo enfrentado com seriedade”, afirma Camila.
O Contorno do Mestre Álvaro corta áreas de Mata Atlântica, terrenos alagados, pastagens e integra o Corredor Ecológico Duas Bocas – Mestre Álvaro, uma rota de circulação de fauna do estado. No próprio Estudo de Impacto Ambiental aprovado para a obra, já constava a previsão de impacto direto sobre 168 espécies de animais, entre aves, mamíferos, anfíbios, répteis e peixes. Ainda assim, ambientalistas apontam que parte das medidas obrigatórias não foram totalmente executadas.
A indicação surge em meio a uma sequência de atropelamentos registrados no trecho. Em 2025, em menos de seis meses, duas onças-pardas morreram após serem atingidas por veículos. Antes disso, também houve registros de uma jaguatirica e de um cervo.
Entre as sugestões apresentadas estão a instalação imediata de cercas direcionadoras ao longo da rodovia, o uso de sistemas de monitoramento da fauna, como o “Passa-Bicho”, e a análise de projetos já aplicados em outros estados, a exemplo do “Bicho na Pista”, do Rio de Janeiro. A proposta também inclui a realização de blitz educativas para conscientizar motoristas sobre a redução de velocidade e os riscos de atropelamento naquele trecho.
“A tecnologia avançou e o poder público precisa acompanhar esse avanço. Hoje existem formas mais eficazes de monitorar a circulação de animais e de evitar que eles cheguem à pista.”, afirma Camila.
Ela também destaca que o período de verão exige ainda mais atenção. “Com mais veículos circulando, principalmente por conta do turismo e das férias, o risco aumenta. É justamente nesse período que o Estado deveria reforçar as ações de prevenção para evitar novas mortes. Essa precisa ser uma responsabilidade do Estado com a vida e com o futuro”, conclui Camila.