Reparem que nem o governador sofreu uma queda vertiginosa nem Pazolini “disparou”, mas como a distância que os separava era curta, as oscilações foram suficientes para mudar consideravelmente o cenário.
E o que explica esse fenômeno? Cruzamentos feitos pela própria Quaest indicam as prováveis respostas.
Ao passo que Pazolini subiu de 19% para 28%, nove pontos, entre os eleitores que têm 60 anos ou mais.
Os idosos soltaram a mão de Ricardo, por assim dizer.
RICARDO CAI NA ESQUERDA; PAZOLINI CRESCE NA DIREITA
Outro ponto que chama a atenção está no quesito “identificação política”.
Ricardo perdeu seis pontos entre os eleitores que se declaram lulistas (passou de 41% para 35%) e oscilou três pontos para baixo entre os de esquerda não lulista (de 41% para 38%).
Já Pazolini deu um salto de 11 pontos entre os eleitores que dizem ser de direita, mas não bolsonaristas: foi de 42% para 53%.
Entre os bolsonaristas, o ex-prefeito oscilou para baixo, passou de 51% para 49%.
O governador não apoia nenhum candidato à Presidência da República, nem responde se é um político de centro, de esquerda ou direita. Podemos considerá-lo sem medo de errar, contudo, como um homem de centro-direita.
Ricardo fez vários acenos ao eleitorado de direita na pré-campanha e na campanha eleitoral, mas, aparentemente, não está conseguindo empolgar esse segmento.
Na direita não bolsonarista o emedebista ficou praticamente na mesma: tinha 27% em agosto e tem 26% agora. Entre os bolsonaristas, o governador até oscilou para cima: de 27% a 29%.
Pazolini, por sua vez, declarou apoio a Flávio Bolsonaro (PL) na corrida pela Presidência da República e aliou-se ao senador Magno Malta, presidente estadual do PL.
Nas peças de campanha e nos discursos, porém, o ex-prefeito nunca cita Flávio nem Magno. E posta-se mais à centro-direita que à direita radical.
O republicano é, historicamente, de centro-direita mesmo.
PAZOLINI CRESCE ENTRE LULISTAS; HELDER CAI
Curiosamente, entre os eleitores lulistas, Pazolini cresceu três pontos, passou de 12% para 15%.
Entre os de esquerda e não lulistas, cresceu mais ainda, foi de 11% para 18%.
O candidato de Lula no Espírito Santo é Helder Salomão (PT), que está em terceiro lugar na corrida, com 12%.
Helder tinha a preferência de 32% dos lulistas em agosto, percentual que agora caiu para 29%.
Na esquerda não lulista, o petista passou de 27% para 28%.
Ou seja, por mais contraditório que pareça, quem mais cresceu entre os eleitores de esquerda (lulistas e não lulistas) foi Pazolini, o candidato apoiado por Flávio Bolsonaro, principal rival de Lula.
REJEIÇÃO NÃO COLOU
A rejeição a Pazolini não aumentou significativamente de agosto para cá.
Passou de 22% para 24%. Esse é o percentual de entrevistados pela Quaest que disseram que conhecem, mas não votam no ex-prefeito.
Os dois pontos percentuais estão dentro da margem de erro.
A rejeição a Ricardo também não mudou muito, mas segue superior à de Pazolini: foi de 30% para 32%.
O mais rejeitado, numericamente, é Helder, com os mesmos 34% que tinha em agosto. Mas está tecnicamente empatado com Ricardo nesse quesito.
Ao se aliar ao PL de Magno Malta, um dos riscos para Pazolini era justamente sofrer aumento da rejeição. Isso não se confirmou.
Magno tem um eleitorado cativo no estado, tanto que foi eleito em 2022, mas ao mesmo tempo é bastante rejeitado.
Pazolini, como já registrei neste texto, não cita nem exibe as imagens de Magno e Flávio Bolsonaro na campanha.
Não renega a aliança, mas tampouco a enfatiza.
SEGUNDO TURNO
O resultado da pesquisa indica que vai haver segundo turno nas eleições para o governo do Espírito Santo, entre Ricardo e Pazolini.
Para uma eleição ser encerrada em primeiro turno, é preciso que um dos candidatos obtenha 50% dos votos mais um voto.
Hoje, nenhum deles chega a tanto, de acordo com o levantamento.
A simulação de um eventual segundo turno entre o governador e o ex-prefeito de Vitória revela, mais uma vez, uma corrida acirrada.
Ricardo tem 43% e Pazolini, 38%. Considerando a margem de erro, é mais um empate técnico.
Afirmei já no primeiro parágrafo deste texto que o resultado desta pesquisa Quaest é ruim para Ricardo Ferraço. Isso se deve ao fato de que a curva de intenções de voto é levemente descendente para ele e levemente ascendente para Pazolini e também à constatação de que a distância entre os dois diminuiu.
Só que, na prática, cabe ressaltar, ninguém pode cantar vitória antes da hora.
A reta final da campanha promete fortes emoções.