Por Fabiana Tostes / FOLHA VITÓRIA / Foto: Muribeca e Ramalho / Crédito: Divulgação
Deputado estadual abriu mão de disputar a reeleição para fortalecer chapa federal, após Amaro e Messias anunciarem saída do partido
Depois do abalo provocado pela saída de dois deputados federais, o partido Republicanos precisou reorganizar sua chapa e mexer nas peças do tabuleiro para as eleições de outubro. E a primeira definição foi a escalação do deputado estadual Pablo Muribeca (Republicanos) para disputar a Câmara Federal.
Em seu primeiro mandato na Assembleia Legislativa, Muribeca atendeu ao pedido do partido e vai abrir mão de disputar a reeleição para reforçar a chapa federal da legenda. Ele confirmou sua decisão à coluna De Olho no Poder.
“O partido me fez o pedido anteontem (quarta-feira, 25). O Erick Musso (presidente estadual do Republicanos) me ligou e me comunicou que a chapa precisa de mim e que eu teria que ser federal (…) Sou soldado do Erick, confio plenamente nele”, disse o deputado.
Segundo ele, a decisão foi tomada junto à instância nacional do partido, passando pelo presidente Marcos Pereira.
A possibilidade de Muribeca “subir” pra federal – noticiada pela coluna – começou a ser ventilada no mercado político após os deputados Amaro Neto e Messias Donato anunciarem, na quinta-feira (26), que deixariam o Republicanos.
Amaro vai se filiar ao PP e Messias está entre o Podemos e o União Brasil – vai definir em consenso com o prefeito Euclério Sampaio (MDB), seu aliado. Os deputados vão tentar a reeleição.
Muribeca, embora estreante na Ales, ganhou bastante visibilidade e musculatura durante a campanha eleitoral de 2024, quando disputou a Prefeitura da Serra e desbancou o ex-prefeito Audifax Barcelos (PP), passando para o 2º turno da disputa.
Ele perdeu o pleito para o atual prefeito, Weverson Meireles (PDT) – candidato à sucessão do ex-prefeito Sergio Vidigal (PDT) –, mas recebeu 39,5% dos votos válidos (90.227 votos).
Como candidato a deputado federal, vai disputar o maior colégio eleitoral do Estado contra o filho de Vidigal e candidato de Weverson, Serginho Vidigal (PDT) – que ainda está definindo por qual partido irá disputar.
“Sou o federal de Pazolini na Serra. Caminharemos juntos. Estarei com Pazolini no projeto de governador. Vai ser a dobradinha para disputar contra a família Vidigal”, disse Muribeca, enfatizando o apoio ao prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos) ao Palácio Anchieta.
Ramalho pode ser o próximo a sair?
Se, por um lado, o Republicanos dá sinais de ter estancado a sangria provocada pelas duas baixas, por outro, precisa redobrar a atenção para não sofrer novas perdas.
Nos bastidores, é notável o desconforto do secretário de Meio Ambiente, coronel Alexandre Ramalho (Republicanos), com a recente aproximação entre Pazolini e o prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (PSDB) – desafeto político do secretário.
Em 2024, Ramalho disputou a Prefeitura de Vila Velha numa campanha bastante hostil contra Arnaldinho, que terminou reeleito.
As críticas de Ramalho contra a gestão do prefeito continuaram mesmo após a eleição e não há o menor sinal de que os dois possam estar juntos no mesmo palanque.
Porém, a recente aproximação entre Arnaldinho e Pazolini indica que os dois estarão juntos em outubro. Um deles será o candidato ao governo e o outro ao Senado. O combinado não passou por Ramalho.
Questionado pela coluna sobre a aproximação entre os dois prefeitos e se cogitaria deixar o Republicanos, Ramalho respondeu: “Continuamos no Republicanos, confiando na coordenação do presidente Erick Musso e apoiando o projeto Pazolini”.
Ao ser perguntado, porém, sobre a possibilidade de Pazolini apoiar Arnaldinho ao governo, foi enfático: “Meu compromisso e apoio é com Pazolini”, disse o coronel, sem responder se deixaria a legenda nessa circunstância.
Nos bastidores, Ramalho já teria sido abordado e sondado para trocar de legenda.