Por Vitor Vogas / SIM NOTÍCIAS / Foto: Divulgação
Em entrevista à Coluna Vitor Vogas, presidente do PSD no ES revela ainda ter esperanças e diálogo com Arnaldinho para filiá-lo ao partido no limite do prazo legal. Prefeito de Colatina também responde sobre Meneguelli, Hartung e com que roupa quer ir para “festa eleitoral”: a de Pazolini ou a de Ricardo? Leia aqui
O prefeito de Colatina, Renzo Vasconcelos, está se reaproximando do Palácio Anchieta. Renzo também é o presidente estadual de uma importante legenda política, o Partido Social Democrático (PSD). Na tarde de quinta-feira (19), ele esteve literalmente ao lado de Renato Casagrande (PSB) e de Ricardo Ferraço (MDB), no gabinete do governador, em um duplo anúncio positivo para Colatina: o asfaltamento de ruas na cidade, com recursos estaduais, e um projeto de lei assinado por Casagrande que concede benefícios fiscais à indústria têxtil, muito forte no município.
Após a solenidade, ainda no Palácio Anchieta, Renzo deu à coluna a entrevista abaixo. E, falando em indústria têxtil, fizemos a ele a pergunta cuja resposta todos querem saber no momento: com que roupa o PSD irá para a “festa eleitoral” no Espírito Santo? Com a do vice-governador Ricardo Ferraço, que assumirá o governo no dia 2 de abril e será candidato à reeleição, ou com a do prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), que renunciará até a mesma data para concorrer ao mesmo cargo?
Renzo afirma que todas as opções seguem em aberto para o PSD – ao contrário do que dão a entender sua amizade com Pazolini e, sobretudo, uma foto muito eloquente postada por eles há precisamente um mês, no dia 20 de fevereiro. Segundo o presidente estadual do PSD…
As chances são as mesmas. As construções são as mesmas, e não é foto que decide, senão essa última foto significaria que estou fechado.”
Ele assegura que o deputado estadual Sérgio Meneguelli, recém-filiado ao PSD, terá legenda para ser candidato a senador. E reafirma que, se Paulo Hartung quiser disputar algum mandato eletivo, também terá legenda garantida – conforme pedido feito a ele por Gilberto Kassab, o presidente nacional do PSD.
Mas a surpresa maior fica guardada para o fim da entrevista e tem a ver com outro possível candidato a governador: Renzo e Arnaldinho Borgo reabriram diálogo sobre a possível filiação do prefeito de Vila Velha ao PSD.
Desde dezembro, Arnaldinho é o presidente do PSDB no Espírito Santo. Mas, tecnicamente, para ser candidato, ainda pode trocar de partido até o dia 4 de abril.
Segundo Renzo, se Arnaldinho ainda quiser migrar para o PSD para ser candidato a governador pela sigla, ele mesmo topa “na hora”. “É lógico!”
Confira a entrevista (na qual sobra uma alfinetada para o ex-prefeito de Colatina e atual secretário estadual de Recuperação do Rio Doce).
Estamos dentro do Palácio Anchieta e, aqui, lhe pergunto: o senhor confirma que está se reaproximando do Governo do Estado? Essa aproximação é apenas administrativa, ou também pode ser considerada uma aproximação política com o governo Casagrande e Ricardo?
Na verdade, eu queria corrigir: não é que estou tendo uma aproximação. Eu sempre tive. Na Assembleia, eu era base. Sempre fui apoiador de Renato Casagrande nas campanhas anteriores. E de fato, não sei se por que o Governo do Estado estava no projeto prededor em Colatina [em 2024] e eu ganhei a eleição, o afastamento foi natural por eles. Eu nunca me afastei. Sempre procurei o diálogo. Só para você ter uma noção, a Secretaria Especial de Recuperação do Rio Doce só foi a Colatina agora. Então, o afastamento não foi meu. Colatina não é autossuficiente. Eu não sou autossuficiente politicamente. Você, junto com alguém, é muito mais forte. E a política é assim: vamos ganhando confiança e fazendo relações para ficarmos mais fortes. Colatina sempre esteve aberta e, graças a Deus, agora o Governo do Estado olhou mais solidariamente não para o prefeito, mas para a sociedade civil organizada, e está fazendo os investimentos em Colatina.
E, além dos investimentos, desse “reencontro” do ponto de vista administrativo, há também um realinhamento do ponto de vista político, de parcerias e alianças eleitorais?
Há construções, é óbvio. Política se faz assim. Preciso fazer um partido forte. E um partido forte só se faz dialogando com todo mundo. Amanhã mesmo [nesta sexta-feira], vou receber lá Helder Salomão, que é um pré-candidato a governador [pelo PT]. Estou tentando conversar com todo mundo para tentar ter uma política pública forte em Colatina.
Vamos falar, então, sobre o PSD, partido importantíssimo, de grande porte, com muitos recursos, muito disputado hoje no mercado político capixaba. Hoje, onde está o PSD no tabuleiro eleitoral do Espírito Santo?
O PSD não está restrito a Colatina. Tenho tentado construir o PSD no Espírito Santo inteiro. Então, o PSD hoje está conversando com candidatos de Pedro Canário a Apiacá. Estou procurando dar tamanho e robustez ao partido. Se eu conseguir fazer isso, as partes que estão disputando de fato vão nos cobiçar e vão querer nos trazer para perto. Hoje, a minha preocupação é fazer um partido forte no Espírito Santo.
E na disputa majoritária para governador? Estamos dentro da sede do Poder Executivo Estadual, onde estará o próximo governador eleito, a partir de janeiro do ano que vem. Colatina é um grande polo têxtil. Com que roupa vai o PSD para essa eleição? Vai, hoje, com a roupa de Ricardo ou com a de Lorenzo Pazolini?
Vai ser imaturo da minha parte dizer com qual roupa o partido vai. Como te falei, estou tentando fazer um partido forte para ter tamanho para sentar à mesa e discutir tanto a eleição de governador como a de senadores. A relação é essa. Publicamente, a gente já postou que o Sérgio Meneguelli é um candidato ao Senado.
Isso está confirmado?
Está confirmado pelo presidente nacional, o Kassab.
Meneguelli terá legenda para ser candidato a senador?
Terá legenda. O presidente nacional garantiu. Eu não posso garantir sozinho. O dono do partido é o ministro Gilberto Kassab, e ele vai, de cima pra baixo, mas me escutando. Ontem, ele me ligou e disse especificamente: “Construa. Faça um partido forte. Monte as chapas que seu valor será maior, e aí depois você olha o governo que mais te dá carinho…”
Então, na eleição a governador, as opções do PSD estão em aberto?
Lógico! As pessoas confundem muito, porque sou amigo de Lorenzo, fui deputado estadual com ele e sou amigo de Arnaldinho. A gente tinha amizade antes de ele ser vereador de Vila Velha [2013-2020]. Ele ia para Colatina nas festas. E aí parece que você não pode tirar foto… Se você tira uma foto com o Ricardo, você está jogando todas as fichas em Ricardo; se você tira foto com Pazolini, a mesma coisa. Eu vou tirar foto com Helder amanhã… Essa briga política não é minha. A minha briga política é fazer o PSD forte.

Permita-me pegar o seu gancho, porque o senhor falou das fotos. Políticos sempre tiram um sem-número de fotos, mas uma especificamente causou um impacto bem grande. Foi “a foto”, tirada em meados de fevereiro, quando o senhor e sua esposa receberam em Colatina a visita de Pazolini e Arnaldinho. Vocês tiraram e postaram aquela clássica fotos de mãos dadas, algo universalmente compreendido como um gesto simbólico de união de forças. O que significou exatamente aquela foto, naquele momento?
Significou o fato de eles ajudarem o PSD, como o Renato [Casagrande] agora, junto com o Ricardo, se aproximou também querendo dar essa ajuda. Hoje fiz fotos de mãos dadas tanto com o governador quanto com o Ricardo. As chances são as mesmas. As construções são as mesmas, e não é foto que decide, senão essa última foto significaria que estou fechado.
O apoio do PSD não será definido por uma foto? É isso?
Darei carinho como sempre dei. Construo paredes e não muros.
E quanto ao Paulo Hartung? De novo: estamos dentro do Palácio Anchieta, onde ele governou por 12 anos. Ele está no PSD. O senhor já me disse, em entrevista anterior, que um dos únicos pedidos do Kassab para o senhor foi dar legenda e condições ao ex-governador se ele quiser ser candidato. Isso está mantido, se ele quiser?
Está mantido. Eu tenho juízo. O que me deu condições de ser eleito prefeito de Colatina foi estar na presidência estadual do PSD. E pretendo mantê-la. Então, vou obedecer às ordens do presidente nacional. Ele já disse que tem vaga para Sérgio [Meneguelli] e também já disse publicamente que Paulo [Hartung] está habilitado para o que ele quiser. Foi o pedido que Kassab me fez. Ontem ele me pediu para construir um partido forte, para conseguir bons acordos no Espírito Santo.
Pode até haver uma dobradinha, se for o caso? O PSD poderá lançar Meneguelli e Hartung ao Senado?
Se for da vontade do presidente nacional, eu vou acatar. Vamos construir um PSD forte para esta eleição e para eu continuar tendo o PSD para minha reeleição [em 2028].
E Arnaldinho Borgo? O senhor confirma que vocês voltaram a dialogar sobre a possível filiação dele ao PSD? Essa possibilidade ainda está na mesa?
Se Arnaldinho quiser vir para o PSD, topo na mesma hora!
O senhor ainda quer ter no seu partido o prefeito de Vila Velha?
Lógico!