Notícias

[wpadcenter_ad id=8039 align='none']

Primeira-dama de Colatina pode ser candidata a deputada pelo PSD

Primeira-dama de Colatina pode ser candidata a deputada pelo PSD

Por Vitor Vogas / ES 360 / Foto-legenda: Lívia e Renzo Vasconcelos / Crédito: reprodução Facebook

Referência em cirurgia na Região Noroeste do ES, Lívia Vasconcelos é tratada como o “talento político oculto” da família do seu marido, o prefeito Renzo Vasconcelos. Conheça aqui os bastidores

Doutora antes dos 30 anos, Lívia Vasconcelos é uma cirurgiã-geral reconhecida e muito respeitada na cidade de Colatina. Especialista em sua área, opera no filantrópico Hospital São José, pertencente à família de seu marido (a sua, portanto). Agora, a doutora é fortemente cotada para participar de outro tipo de operação: a de fortalecimento da chapa do PSD nas próximas eleições para a Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales). Ah, um detalhe importante: Lívia é a primeira-dama de Colatina. Seu marido é o prefeito Renzo Vasconcelos, presidente estadual do PSD.

Fontes também destacam que ela é talentosa com as palavras: sabe falar muito bem – virtude essencial para o sucesso de qualquer mandato parlamentar, de vereador a senador. A primeira-dama não tem cargo no São José nem na Prefeitura Municipal. Mas, segundo relatos, influi diretamente na direção do hospital e, desde janeiro, na administração do marido. Há quem diga que o verdadeiro “talento político” da família Vasconcelos ainda está guardado: Lívia nunca disputou uma eleição. Isso pode mudar no ano que vem.

Intensa no início do ano, a especulação “deu um tempo” por um motivo de força maior: há poucos meses, Lívia deu à luz a segunda filha do casal, chamada Ava. O primeiro, nascido há poucos anos, é o pequeno Otto. No próximo dia 17, ela voltará da licença-maternidade. Estará plena para disputar as eleições parlamentares – se assim quiser. A ideia também voltou à luz.

 

Renzo Vasconcelos, Lívia Vasconcelos e Pergentino Júnior. Foto: reprodução Facebook

Renzo Vasconcelos, Lívia Vasconcelos e Pergentino Júnior. Foto: reprodução Facebook

 

A família de Renzo, filho do empresário Pergentino Júnior, é uma das mais influentes, política e economicamente, da maior cidade do noroeste capixaba. Além de proprietária do Hospital São José, a família é dona da maior faculdade particular de Colatina e tem negócios em outros ramos. Quanto a Lívia, além de ser cirurgiã-geral no São José, atende em consultório próprio e é também produtora rural (café e cacau).

A possível eleição de Lívia para a Assembleia Legislativa pode significar a expansão da influência da família Vasconcelos no cenário político regional e capixaba. E é claro que, para Renzo, seria muito interessante poder contar com sua maior parceira e aliada na Ales, representando os interesses de Colatina e da sua administração no Legislativo Estadual. Mas há mais que isso.

Uma candidatura da primeira-dama também é vista como trunfo para resolver um problema eleitoral de ordem prática para Renzo, à frente do PSD no Espírito Santo: o partido, hoje, não tem uma chapa para apresentar na disputa à Câmara dos Deputados (até 11 candidatos) e também precisa botar de pé uma chapa para a Assembleia (até 31 candidatos), respeitando, nos dois casos, a cota de gênero de 30% das vagas para mulheres.

Muito grande nacionalmente – foi o partido que mais elegeu prefeitos no país inteiro em 2024 –, o PSD é relativamente pequeno, hoje, no Espírito Santo. No ano passado, além do próprio Renzo, só dois prefeitos capixabas foram eleitos pela sigla, em cidades menores. Em maio deste ano, tornou-se o partido do ex-governador Paulo Hartung.

 

Renzo Vasconcelos, Lívia Vasconcelos e Paulo Hartung. Foto: reprodução Facebook

Renzo Vasconcelos, Lívia Vasconcelos e Paulo Hartung. Foto: reprodução Facebook

 

Pelo que a coluna apurou, o plano inicial para Lívia era que ela fosse candidata a deputada federal pelo PSD. Ocorre que, nesse caso, a empreitada seria muito mais difícil e arriscada. Dirigentes partidários calculam que, para um partido eleger um deputado federal no Espírito Santo, sua chapa terá de atingir pelo menos 210 mil votos (o quociente eleitoral). Em 2022, como candidato a deputado federal, o próprio Renzo obteve mais de 80 mil votos.

Nos círculos da família e da Prefeitura de Colatina, dado o já mencionado carisma de Lívia, a força política da máquina municipal e o poderio econômico da família Vasconcelos, muitos creem que não seria absurdo apostar numa votação igualmente expressiva para a primeira-dama. Se todos os votos de Renzo fossem “transferidos”, ela poderia sonhar com, pelo menos, 80 mil votos para deputada federal. Seria um resultado estrondoso… mas insuficiente e distante do quociente eleitoral, sem outros candidatos competitivos na chapa do PSD para aumentar a votação total da chapa. Mesmo bem votada nominalmente, ela ficaria longe de um lugar na Câmara.

O exemplo vem do próprio Renzo, que aprendeu essa lição duramente em 2022. Mesmo com seus mais de 80 mil votos, ele passou longe de abocanhar uma vaga na Câmara, pois ficou isolado em uma chapa fraquíssima do Partido Social Cristão (PSC). O prefeito não há de querer submeter a própria esposa à mesma frustração.

Com isso, a solução encontrada – ainda que provisória – é lançar Lívia Vasconcelos como candidata a deputada estadual, construindo a chapa para a Assembleia a seu redor. Nesse caso, a meta é bem mais factível, pois o quociente eleitoral é bem menor para fazer uma cadeira. Lívia poderia ser a puxadora de votos da chapa, garantir tranquilamente um lugar para si mesma e ainda ajudar outros candidatos do PSD a chegarem lá.

Hipótese: Meneguelli candidato a federal

Há um último fator nesse cálculo político, que atende por Sérgio Meneguelli. Recordista histórico de votos para a Assembleia Legislativa em 2022, o ex-prefeito de Colatina tornou-se parceiro forte de Renzo, tendo jogado papel fundamental em sua vitória eleitoral sobre o então prefeito Guerino Balestrassi (MDB), na reta final da campanha em Colatina no ano passado. Hoje no Republicanos, Meneguelli já está determinado a migrar para o PSD na próxima janela, em março, com as bênçãos do prefeito e presidente estadual da sigla.

Meneguelli também está decidido a ser candidato a senador, e disso não abre mão. Não quer nem ouvir falar da ideia de se candidatar a deputado federal. No entanto, dentro do próprio PSD, alguns players consideram que eventual “descida” de Meneguelli para a chapa de federais do partido seria uma boa para todo mundo: para ele mesmo, para o PSD, para Renzo e até para Lívia.

A eleição ao Senado, para Meneguelli, convenhamos, não será fácil. A concorrência é fortíssima. Mas, supondo que ele tope ser candidato a federal, a chapa do PSD poderá ser construída em torno dele. E aí, sim, Lívia poderia compor a chapa de federais ao lado dele. Com a boa votação projetada para ambos, uma vaga na Câmara, no mínimo, seria certa. Mas seria possível sonhar até com a eleição dos dois – apesar de ambos serem de Colatina, partilhando o mesmo reduto.

Primeira-dama de Colatina pode ser candidata a deputada pelo PSD

Primeira-dama de Colatina pode ser candidata a deputada pelo PSD

Primeira-dama de Colatina pode ser candidata a deputada pelo PSD