Por Eraylton Moreschi Junior, presidente da Juntos SOS Ambiental, morador de Vitória há aproximadamente 27 anos e Conselheiro do CONDEMA em várias gestões no período de 2011 a 2022 / Foto: Divulgação
Dados divulgados pelo Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos mostram recorde histórico de poeira sedimentável em fevereiro de 2026
A poluição causada pelo chamado “pó preto” voltou a preocupar moradores da Região Metropolitana da Grande Vitória (RMGV). Dados divulgados pelo Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos revelam que fevereiro de 2026 registrou níveis alarmantes de poeira sedimentável, atingindo o maior índice desde 2018.
De acordo com o levantamento, o acumulado chegou a 90,16 g/m² em 30 dias, valor muito acima dos limites estabelecidos pela legislação ambiental vigente.
Limites legais foram ultrapassados
No Espírito Santo, o Decreto Estadual nº 6.076-R/2025, que regulamenta a política de qualidade do ar, estabelece limite de 10 g/m² em 30 dias. Já em Vitória, a legislação municipal é ainda mais rigorosa, fixando o teto em 5 g/m² no mesmo período.
Mesmo com esses parâmetros, diversas estações de monitoramento registraram índices superiores ao permitido:
As estações PMPS RGV 01, 04, 06, 08 e 09 ultrapassaram o limite estadual;
Em Vitória, todas as estações monitoradas (RGV 03, 04, 05, 09 e 10) excederam o padrão municipal.
Os números reforçam um cenário crítico de poluição atmosférica na região.
Saúde da população em risco
Especialistas alertam que a exposição contínua à poeira sedimentável pode causar sérios impactos à saúde, principalmente entre crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias.
Entre os principais efeitos estão:
agravamento de problemas respiratórios;
crises alérgicas;
irritações nos olhos e na pele;
queda na qualidade de vida.
Além dos impactos à saúde, o “pó preto” também afeta o cotidiano dos moradores, sujando residências e dificultando atividades ao ar livre.
Falta de estudos e identificação de fontes preocupa
Apesar da gravidade dos dados, ainda há lacunas importantes no enfrentamento do problema. A ausência de estudos epidemiológicos atualizados e de um inventário detalhado das fontes emissoras dificulta a responsabilização e a adoção de medidas mais eficazes.
Sem essas informações, especialistas apontam que o combate à poluição se torna limitado e pouco direcionado.
Moradores podem denunciar
Diante do cenário, a população pode e deve acionar os órgãos responsáveis. Denúncias podem ser encaminhadas ao Ministério Público do Estado do Espírito Santo, às secretarias municipais de Meio Ambiente e ao próprio Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos.
Essas instituições têm a responsabilidade de investigar irregularidades e adotar medidas para reduzir os impactos ambientais.



