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PL: quatro baixas e uma quase baixa no ES em menos de dois anos

Por Vitor Vogas / ES 360 / Foto: PL-ES

É preciso prestar atenção ao que está acontecendo no partido presidido, no ES, pelo senador Magno Malta. Sigla tem demonstrado dificuldade em “reter ativos”

Na semana passada, os bastidores políticos capixabas foram marcados pelo anúncio do deputado estadual Wellington Callegari de que vai se desfiliar do Partido Liberal (PL) para ser candidato a senador. Como noticiamos aqui, ele irá para o nanico Democracia Cristã (DC), a fim de viabilizar a candidatura, uma vez que no PL estava sem espaço para isso.

Callegari sai em acordo com Magno Malta, presidente estadual do PL, e até já recebeu dele a carta de anuência para que possa trocar de legenda sem perder o atual mandato na Assembleia Legislativa. Na Casa de Leis, dos cinco deputados eleitos pelo PL em 2022, restarão apenas três: Bahiense, Polese e Assumção. A bancada encolhe; o partido, idem.

Quadro orgânico do PL e um dos mais ideológicos bolsonaristas do Espírito Santo, Callegari sai por não concordar com a escolha, muito pessoal e familiar, feita por Magno Malta para representar a agremiação na disputa por uma das duas vagas em jogo no Senado: a legenda está reservada, pelo próprio senador, para uma de suas duas filhas, a publicitária Maguinha Malta. “Não concordo que seja o melhor nome”, verbalizou Callegari, encerrando assim seus dias de PL.

Nos últimos tempos, essa não é a primeira baixa de um quadro importante da legenda do ex-presidente Jair Bolsonaro no Espírito Santo – nem a segunda, nem a terceira… Do início de 2024 para cá, ou seja, num intervalo de menos de dois anos, contabilizam-se quatro desfiliações de peso, além de outra que parece tão somente uma questão de tempo.

Considerando que partidos fortes se fazem com ideias (ideologia clara e consistente) e pessoas (líderes políticos capazes de alcançar e exercer mandatos relevantes), é preciso prestar atenção ao que está acontecendo no partido presidido, no Espírito Santo, pelo senador Magno Malta. A legenda tem demonstrado dificuldade em “reter ativos”.

Relembre abaixo quem já deixou as fileiras do PL-ES no referido período, e quem pode estar prestes a deixar, com os respectivos motivos.

Zé Preto

Criador de cavalos e vereador mais votado de Guarapari em 2020, Zé Preto foi um dos cinco deputados estaduais eleitos pelo PL em 2022. Tão logo foi eleito, passou a dizer algo que muito desagradou a Magno: anunciou que se integraria à base aliada do governo Casagrande, e assim de fato agiu desde os primeiros meses do mandato.

Zé Preto é deputado do PL. Crédito: Lucas S. Costa/Ales

Já em meados de 2023, sua relação com a direção estadual azedou, assim como o ambiente para ele no partido. Todos sabiam que Zé Preto queria ser candidato a prefeito de Guarapari no ano seguinte. Mas Magno o pôs na geladeira. Em eventos preparatórios para o pleito, não lhe dava nem direito a fala. Logo restou claro para todos: o senador não teria da direção do PL a legenda para concorrer. O que ele fez, então? Com uma carta de anuência de Magno, trocou a sigla pelo Progressistas (PP), no começo de 2024.

De fato, foi candidato a prefeito de Guarapari, com o apoio de boa parte do governo Casagrande e partidos da base governista. Seu candidato a vice-prefeito foi Gedson Merízio (Podemos), aliado de Casagrande. E um dos seus principais apoiadores foi o casagrandista Tyago Hoffmann (PSB). O PL, por sua vez, partiu para um caminho esquisito: lançou a candidatura do também deputado estadual Danilo Bahiense, que até tem casa em Guarapari, mas mora em Vila Velha.

Não deu nem um nem outro. Quem ganhou foi o vereador Rodrigo Borges (Republicanos), agora prefeito.

Juninho Corrêa

Ex-seminarista e membro de uma ala bem conservadora do catolicismo, o jovem Juninho Corrêa elegeu-se vereador de Cachoeiro em 2020. Até o início do ano passado, era cotado para se candidatar a prefeito pelo PL e considerado bem competitivo, num município altamente permeável ao bolsonarismo.

Porém, em fevereiro de 2024, anunciou a decisão de se desfiliar do PL, não ser candidato a nada e voltar ao seminário para se ordenar padre. Ao expor seus motivos, queixou-se da condução do partido por Magno Malta e da estratégia eleitoral ditada pelo senador, que o impedia de se coligar com outras siglas (até siglas de direita). Desentendeu-se também com Callegari, influente na mesma região.

Mas a decisão durou pouco, e ele logo desistiu de desistir. Em vez de voltar para o seminário, Juninho filiou-se ao Novo e foi candidato a vice-prefeito do veteraníssimo Theodorico Ferraço (PP). A chapa foi vitoriosa. O PL chegou em segundo lugar, com o então vereador Léo Camargo. Juninho já até assumiu a Prefeitura de Cachoeiro por um período no lugar de Ferraço, durante licença do prefeito para tratar de questões de saúde.

Alexandre Ramalho

O ex-secretário estadual de Segurança teve uma passagem bem mais curta no PL do que se poderia imaginar, haja vista seu entusiasmo enquanto ali esteve. Em março de 2024, após entregar o cargo de secretário e se desfiliar do Podemos, Ramalho entrou no PL, a convite de Magno Malta, tendo a ficha de filiação abonada pessoalmente por Jair Bolsonaro. Filiou-se para ser candidato a prefeito de Vila Velha e o foi.

Durante a temporada eleitoral, radicalizou o discurso e revelou-se um dos mais fervorosos bolsonaristas, participando de atos públicos com Gilvan da Federal, Eduardo Bolsonaro, Sargento Fahur, entre outros. Apostando na divisão ideológica, passou a campanha a tachar o prefeito Arnaldinho Borgo de “esquerdista” e criticou bastante o governo Casagrande e o PSB, partido do governador, por serem de esquerda. Mas a tática falhou: aliado de Casagrande, o prefeito canela-verde se reelegeu com quase 80% dos votos válidos.

Sem mandato nem cargo público, Ramalho fez nova revisão de rota. Em abril deste ano, após 13 meses de filiação ao PL, o coronel da reserva da PMES aceitou o convite de Erick Musso e Lorenzo Pazolini (ambos do Republicanos) para assumir a Secretaria de Meio Ambiente de Vitória. Para isso, saiu do PL, pois Magno não queria participação na gestão de Pazolini. A mudança é parte de um plano maior: Ramalho deve se filiar ao Republicanos para se candidatar a deputado no próximo ano.

Carlos Manato

A rigor, ainda está no PL, mas a desfiliação oficial é só uma questão de tempo. Pelo partido de Bolsonaro, foi candidato a governador do Espírito Santo em 2022, e a verdade é que chegou muito perto. Levou a eleição para o segundo turno, no qual teve 46,1% dos votos válidos. Deu trabalho para Casagrande, mas o viu se reeleger.

Após o pleito, não partiu para a oposição. Ao contrário, deu um tempo da política e foi se concentrar em seus negócios empresariais: construiu e inaugurou uma pousada em Pedra Azul. No começo deste ano, dizendo querer ser candidato a senador em 2026, voltou a fazer algumas movimentações políticas. Mas suas chances de ficar no PL são remotas.

Primeiro, pelo mesmo motivo que levou até Callegari a decidir agora sair do PL: para ser candidato a senador, terá de procurar outra legenda, pois o lugar no PL está guardado, pelo próprio Magno, para Maguinha Malta.

Mas, no caso de Manato, há uma questão adicional: um desentendimento pessoal com Magno. Após a derrota nas urnas em 2022, ele passou a exteriorizar algo que era evidente (bastava olhar os números informados ao TSE): como presidente estadual do PL, Magno concentrou os recursos do Fundo Eleitoral na própria campanha a senador, deixando a de Manato, financeiramente, em segundo plano. Manato fala em uma dívida de campanha milionária que teria sobrado para ele mesmo quitar, após supostas promessas não cumpridas pela direção partidária.

PL: quatro baixas e uma quase baixa no ES em menos de dois anos

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