Por Vitor Vogas / SIM NOTÍCIAS / Foto-legenda: Lorenzo Pazolini decidiu renunciar ao cargo de prefeito de Vitória / Crédito: PMV
Em sua primeira entrevista como ex-prefeito de Vitória, ele afirmou que “há um clamor popular” para que ele seja candidato a governador e que “não enganou ninguém” ao decidir renunciar
Logo após a solenidade de posse de sua sucessora no cargo de prefeito de Vitória, Cris Samorini (PP), Lorenzo Pazolini concedeu uma entrevista sobre as eleições 2026. Oficialmente livre do cargo, ele se mostrou mais “solto” para falar sobre o assunto, de maneira mais objetiva. Respondeu sobre aliados, alianças já consolidadas e outras que, segundo ele, ainda podem ser estabelecidas – por exemplo, com o Partido Liberal (PL), que hoje descreve um voo solo, e com a Federação União Progressista, que já anunciou o compromisso de apoiar Ricardo Ferraço (MDB) a governador do Espírito Santo.
“Vamos fazer um convencimento”, afirmou Pazolini, sobre os diálogos para atrair o partido de Bolsonaro para a sua coligação. “A foto [com Ricardo] foi tirada antes da minha desincompatibilização. Agora, o cenário muda. Tem espaço para todos”, declarou o ex-prefeito, sobre a federação do União Brasil com o PP.
Pazolini também afirmou que “há um clamor popular” para que ele seja candidato a governador e que “não enganou ninguém” ao decidir renunciar, pois jamais declarou que isso estava fora de questão.
“Clamor popular”
Pazolini atendeu à imprensa dentro do plenário da Câmara de Vitória, enquanto alguns apoiadores atrás dele gritavam “nosso governador”. Perguntamos ao ex-prefeito se a claque estava certa. Ele respondeu assim:
“Existe um clamor popular, graças a Deus. Aonde nós estamos chegando, a cada visita que a gente faz, a cada município, a cada local, a cada comunidade, as pessoas querem vivenciar o que Vitória viveu. As pessoas querem viver a escola em tempo integral efetiva de nove horas, querem ter um restaurante popular, querem ter uma unidade de saúde funcionando sábado, domingo e feriado. Querem ter a oportunidade de ter o cartão Vix + Cidadania, que tira as pessoas da pobreza. Querem ter uma cidade mais segura, com 53% de redução. Querem ter a valorização dos servidores. Nós já conseguimos 47% de aumento para os servidores. É esse o pedido. Então, com muita humildade, nós vamos construir o ambiente”.
Ele afirmou que, a partir de agora, além de circular mais intensamente por outras cidades (o que já se pôs a fazer no último sábado), buscará atrair mais aliados.
“Não existe candidatura de uma pessoa. Não existe desejo de um ser humano. Eu disse aqui e repito, desde o primeiro dia que cheguei: o que vale é a conectividade. Então, se for o desejo, nós vamos conversar com as pessoas, como tenho feito, sem barreiras. O que dificulta a política são os intermediários. As pessoas que se colocam entre o poder público e as instituições oficiais. Nós conseguimos unir a cidade, dando protagonismo às pessoas. A própria presença das lideranças comunitárias mostra isso. É um modelo que pode existir em outros locais, mas talvez Vitória seja a única capital do país em que as lideranças estão dentro da prefeitura. Não só às quintas-feiras, mas principalmente às quintas-feiras. E elas decidem junto com o prefeito, com a vice-prefeita, com o secretariado… É isso que faz a diferença na vida das pessoas”.
Partido Liberal (PL)
Na semana passada, Pazolini conseguiu um apoio partidário importantíssimo, que foi o do PSD (Partido Social Democrático), de Paulo Hartung e Renzo Vasconcelos, aqui no Espírito Santo. E quanto ao PL? Perguntamos a Pazolini se ele acredita ser possível uma aliança eleitoral, no Estado, com o partido de Flávio e Jair Bolsonaro.
“O nosso papel é o de conversar, dialogar. É isso que nós temos feito. Por isso é que eu falei que não existe candidatura de uma pessoa só. É uma construção. E nós vamos tentar, vamos fazer o convencimento, vamos mostrar os resultados que nós temos, vamos ouvir, vamos trazer. […] Nosso objetivo é esse. De maneira muito serena, eu falo que a construção de uma candidatura majoritária passa essencialmente pelo povo. Ela vem do povo. O poder emana do povo. Ela vem da sociedade. Não existe mais esse modelo de imposição. Então, é a sociedade que se manifesta.”
“Não enganei ninguém”
Pazolini afirmou que “não enganou ninguém” com relação à possibilidade de deixar pela metade o segundo mandato de prefeito.
“É o que eu disse lá atrás, com muita tranquilidade, quando olhei nos olhos dos capixabas e pedi uma oportunidade de continuar à frente da Capital. Eu disse que confiávamos na Cris e que eu poderia sair. Então, eu não enganei ninguém. Quando eu pedi o voto no passado, eu disse que eu poderia eventualmente vir a não concluir o mandato. E foi isso que aconteceu. Sempre falando a verdade. Saindo de mãos limpas, com a cabeça erguida, sem nenhum tipo de contestação em relação à postura administrativa, sem processo envolvendo improbidade administrativa, sem processo junto ao Tribunal de Contas. Ou seja, entrei e saí do mesmo tamanho. Na minha casa nunca entrou uma caneta. Na minha casa nunca entrou um clips. Com isso eu não tergiverso. É isso que eu ensino à minha filha. E lá nós somos intransigentes. Tanto eu quanto a minha esposa, até pela carreira que escolhemos, no poder público, para servir [a esposa dele, Paula de Pazolini, é promotora de Justiça]. É isso que a gente acredita. Em ajudar as pessoas.”
Conversas com Magno
O agora ex-prefeito foi indagado sobre eventuais diálogos com o presidente estadual do PL, o senador Magno Malta.
“Olha, essas conversas são feitas tanto na instância nacional, pelo presidente [do Republicanos] Marcos Pereira, e na instância regional, pelo presidente Erick Musso. Eles fazem esse tipo de diálogo. Eu respeito muito os partidos, a instituição partidária. No Brasil, para você ser mandatário, você precisa estar filiado. Não existe a candidatura avulsa. Então, eu tenho esse processo muito sólido na minha cabeça. Os partidos têm um papel fundamental nessa composição.”
Guerino Zanon
O ex-prefeito de Linhares Guerino Zanon (PSD) está apoiando Pazolini. É cotado até para ser candidato a vice-governador com ele. Pazolini lhe dedicou palavras muito favoráveis:
“Guerino transformou Linhares na maior cidade do norte do Estado. Linhares era uma cidade antes, hoje é uma cidade após o Guerino, com geração de empregos, de indústrias, de empresas. Olha a Linhares de hoje e olha a Linhares do passado. Isso tem o DNA, tem o dedo, tem o trabalho do Guerino, que liderou uma equipe grandiosa lá. Ele tem o papel de nos orientar, de nos guiar, de nos ajudar a tomar decisões. Conhece o território como ninguém, o norte do Estado. Ninguém tem mais propriedade para falar do norte do Estado do que o Guerino Zanon.”
Arnaldinho Borgo
Também perguntaram ao pré-candidato do Republicanos se ele pretende voltar a dialogar eleitoralmente com o prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (PSDB).
“Estamos dialogando com todas as forças. Queremos juntar todas as forças”, respondeu Pazolini.
Após uma maratona de eventos lado a lado em fevereiro, o relacionamento entre os dois congelou em março. Há mais de um mês, não são vistos mais juntos.
Evair de Melo
Evair ficou bem atrás de Pazolini durante toda a entrevista. Na semana passada, ele trocou o PP pelo Republicanos. Chega ao partido do ex-prefeito, a princípio, para ser candidato a mais um mandato na Câmara dos Deputados. Perguntamos a Pazolini se o aliado pode subir para a chapa majoritária (como candidato a senador ou a vice-governador dele).
“Evair pode estar em qualquer posição. Tem qualificação para isso, já mostrou resultado, tem legitimidade social. Isso é o mais importante. Nós estamos caminhando há mais de um ano. Começamos em janeiro de 2025. Por onde passa, o Evair é referência. Transformou o setor cafeeiro do Espírito Santo, transformou a agricultura do Espírito Santo, deu vez e voz às mulheres e homens do campo que trabalham diuturnamente, nas noites e madrugadas. Então, esse trabalho do Evair também é da ciência e tecnologia, é uma marca. Ele está habilitado e qualificado para estar em qualquer posição, com certeza.”
Segundo Pazolini, esse tipo de definição ficará para o período das convenções partidárias, entre 20 de julho e 5 de agosto.
“Eu acho que tem um tempo certo. Nós cumprimos uma etapa, que era a desincompatibilização. Precisávamos estar aptos agora a participar do processo. Era essa a etapa. Agora vamos madurecer com calma esse processo. Acho que o mais importante de tudo é ouvir as pessoas. […] Foi esse processo de escuta e ausculta que levou a vitória ao primeiro lugar do país em gestão, a ser a cidade mais inteligente conectada.”
Federação União Progressista
Para o ex-prefeito, a Federação União Progressista (comprometida com o governador Ricardo Ferraço) ainda pode acabar ficando em sua coligação:
“Nós temos tempo de conversar. Até a homologação das coligações, muita coisa pode acontecer. Quem eventualmente está em outra posição, pode estar junto conosco. Isso é possível. Nós estamos construindo uma frente ampla. Esse é o nosso objetivo. Então, eventualmente, a foto de hoje… A foto de hoje, que nós respeitamos, foi tirada antes da nossa desincompatibilização. Muita gente tinha uma dúvida sobre a desincompatibilização. A foto foi tirada antes. Com a nossa desincompatibilização, esse cenário muda. Então, nós vamos ouvir, sim, a federação. Vamos exaurir esse debate. E tem espaço para todo mundo”.

