Por Fabiana Tostes, com a contribuição de Jonathan Robert / FOLHA VITÓRIA / Foto: Divulgação
Os dois prefeitos são cotados para disputar o governo do Estado e, até então, estavam em lados opostos
O abre-alas do Carnaval de Vitória 2026 colocou na avenida um fato que não estava no enredo de nenhuma agremiação – nem carnavalesca e nem partidária.
Os prefeitos de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), e o de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (PSDB), chegaram juntos ao Sambão do Povo, anunciaram investimentos lado a lado e desfilaram pela passarela do samba na mesma cadência.
Demonstrando muito entrosamento e uma aproximação até então jamais vista, os dois cumprimentaram a plateia, bateram ponto nos camarotes e posaram para fotos abraçados e com os braços erguidos.
A cena passaria despercebida se não fosse o fato de que os dois são pré-candidatos ao governo do Estado neste ano e integram grupos opostos – ou pelo menos integravam, até a noite desta sexta-feira (06).
Arnaldinho é (ou era) aliado do governador Renato Casagrande (PSB), adversário de Pazolini. Mesmo após ser deixado na concentração na escolha da sucessão – o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) será o nome apoiado por Casagrande na disputa pelo Palácio Anchieta –, o prefeito reiterou apoio a Casagrande na disputa ao Senado e não recuou, nem um centímetro, em sua pré-candidatura ao governo.
Em entrevista à coluna De Olho no Poder, na série “Cidades e Desafios”, ele chegou a dizer que é candidatíssimo, com ou sem o apoio de Casagrande.

Foto: Thiago Soares/FV
Harmonia, nota…
Questionado pela equipe do Folha Vitória sobre o recado que a chegada junto ao prefeito da Capital mandaria ao mercado político, Arnaldinho desconversou: “É Carnaval, é o encontro da alegria, da confraternização, da união, da paz. Um encontro de todos”.
Já Pazolini sinalizou para além da folia. Ao ser abordado sobre o significado de estarem juntos no Sambão do Povo, registrou que tem dialogado com o prefeito de Vila Velha “sempre buscando o interesse coletivo”.
“Significa que nós estamos dialogando, conversando, pensando na vida dos capixabas. É uma conversa saudável, madura, de dois jovens que acreditam muito no Espírito Santo. Então, nós vamos conversando com muita paz, com muita serenidade, sempre buscando o interesse coletivo, sempre cuidando das pessoas, como nós temos feito aqui, como o prefeito Arnaldinho tem feito em Vila Velha”, afirmou Pazolini.
Perguntado se também significaria apoio na corrida eleitoral, Pazolini insistiu: “Significa conversa, significa diálogo, significa criar pontes, derrubar muros invisíveis. Como o nosso saudoso Elcio Alvares, em 1979, pensou na Terceira Ponte, nós estamos pensando no Espírito Santo. É uma conversa sadia e saudável. Republicana”.
Nas redes sociais, os dois fizeram postagens conjuntas sobre o encontro. “Que comece a festa”, escreveu Arnaldinho. “Derrubando muros invisíveis”, postou Pazolini.
Samba atravessou
Casagrande também estava na abertura do Carnaval de Vitória e acompanhou, de perto – mais precisamente, ao lado – todo o “desfile” dos prefeitos.
Nos bastidores, a cena da chegada de Arnaldinho com Pazolini teria surpreendido Casagrande e gerado bastante constrangimento.
Se a postura retrata apenas um flerte de Carnaval ou o início de uma aliança mais duradoura, só o tempo dirá. Fato é que, em política, gestos públicos raramente são improvisados e, nesta sexta-feira, o samba atravessou o enredo oficial do Palácio Anchieta.