Por Fabiana Tostes / FOLHA VITÓRIA / Foto-legenda: Governador Ricardo Ferraço / Crédito:: Thiago Soares (Folha Vitória)
Ricardo Ferraço afirmou que o nome a ocupar a chapa ao seu lado será definido através de uma construção coletiva com os aliados
O governador Ricardo Ferraço (MDB), que disputará a reeleição nas eleições de outubro, deve deixar para o último minuto do prazo legal a escolha do (ou da) vice que irá compor a chapa com ele na corrida pelo Palácio Anchieta.
Embora prevaleça no meio político o entendimento de que a escolha do vice é, acima de tudo, uma decisão pessoal do cabeça de chapa – já que a relação de confiança costuma pesar –, Ricardo defende uma construção coletiva, a ser discutida com as lideranças que integram a frente ampla formada em torno de sua pré-candidatura.
Em entrevista para a coluna De Olho no Poder, Ricardo Ferraço foi questionado sobre qual seria o perfil de um vice ideal, mas evitou traçar um modelo e muito menos recorreu a possíveis nomes. Ele disse que a escolha será “na hora certa” e com base no diálogo.
“Nosso movimento é muito amplo e a política tem o seu tempo. Então, no momento certo, a gente vai começar a conversar com os nossos aliados para a construção desse perfil”, afirmou Ricardo, citando o período das convenções partidárias – quando os partidos definem candidaturas e coligações –, que se inicia daqui a dois meses.
Esse perfil precisa ser resultado desse debate, desse ambiente de liberdade e de confiança que a gente estruturou em torno desse amplo movimento político que nós lideramos no Espírito Santo junto com o nosso governador Casagrande. Essa não será uma decisão pessoal, tem que ser uma decisão fruto de muito diálogo”, acrescentou o governador.
Perguntado sobre algo que não abriria mão na escolha do vice, Ricardo enfatizou o diálogo e fez um aceno aos aliados.
“Não abro mão de fazer um diálogo com todos os partidos que compõem o nosso movimento político. Não é o Ricardo que vai decidir sobre isso. Somos nós, que somos parceiros e que estamos fazendo parte dessa construção. Não é uma construção individual, é uma construção coletiva, e eu tenho muita confiança que coletivamente nós vamos construir um nome que possa caminhar ao meu lado, colocando de pé o melhor projeto para o Espírito Santo”.
Sobre qual seria esse “melhor projeto”, respondeu:
“É aquele que assegura como destino conceitos e princípios muito importantes. O primeiro é que o Estado possa ser cada vez mais inclusivo. O segundo, é que possa ser um estado cada vez mais inteligente, eficiente, digital e impregnado de elevadas tecnologias nos ambientes da educação, saúde e segurança pública”, avaliou.
Posto cobiçado
Hoje, é grande a especulação sobre quem poderia ocupar o lugar ao lado do governador na chapa. Partidos indicam seus quadros – como o PDT, que colocou na mesa o nome do ex-prefeito da Serra Sergio Vidigal – e o mercado político faz suas apostas, calculando quem poderia contribuir mais para a chapa.
Há quem defenda que o vice precisa ser um nome jovem, para atrair o voto dos que buscam renovação e também para equilibrar na disputa com o principal oponente do governador – o ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos). Na data da eleição, Ricardo terá 63 anos e Pazolini, 44.
Outros querem uma mulher na chapa, para garantir o equilíbrio de gênero e atrair o voto feminino, especialmente se delegar à vice a defesa de pautas caras a esse eleitorado, como por exemplo, o combate ao feminicídio.
Já alguns aliados apostam numa liderança popular, de preferência com reduto na Grande Vitória, para complementar a chapa atraindo o voto do eleitorado C, D e E e também da Região Metropolitana – onde acredita-se que o desempenho de Ricardo possa ser inferior ao de Pazolini. O PDT e Vidigal estão nesse campo.
E há os que defendem que o posto de vice seja ocupado por um nome da Segurança Pública, para erguer essa bandeira como prioridade na campanha e numa eventual futura gestão e também fazer frente a Pazolini, que é delegado licenciado da Polícia Civil.
Independentemente do perfil escolhido, fato é que a vaga de vice de Ricardo desperta grande interesse. Afinal, se for reeleito, o governador chegará ao fim do mandato impedido de disputar uma nova eleição consecutiva, o que abrirá a discussão sobre sua sucessão em 2030.
Nesse contexto, o vice passa a ser visto como um potencial herdeiro político do projeto governista, beneficiado pela visibilidade do cargo e pela expectativa de continuidade do legado da atual gestão – como ocorreu entre Ricardo e o ex-governador Renato Casagrande (PSB).


