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Interlocutor do governo vê ingratidão em Arnaldinho, mas diz que vai “lutar” para mantê-lo no grupo

Por Fabiana Tostes / FOLHA VITÓRIA / Foto-legenda: Tyago Hoffmann / Crédito: Governo do ES

O secretário Tyago Hoffmann disse que se prefeito trocar de lado deixa de ser protagonista para ser coadjuvante. Ele também criticou postura de Pazolini

Não tinha como passar despercebido. E tampouco ficar sem resposta. O desfile emblemático do prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (PSDB), com o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), pelo Sambão do Povo, na abertura do Carnaval de Vitória, provocou uma reação à altura da cúpula do Palácio Anchieta.

Nos bastidores, o sentimento do governador Renato Casagrande (PSB) e de aliados sobre a cena de explícito entrosamento entre um aliado e um de seus principais opositores foi de perplexidade. Parte do grupo, inclusive, partiu para o enfrentamento, em defesa do governador e do projeto político do governo.

Um dos que vocalizaram essa reação, pela primeira vez após o episódio, foi o secretário estadual da Saúde e deputado licenciado, Tyago Hoffmann (PSB), integrante do núcleo duro do Palácio Anchieta e um dos principais interlocutores do governo do Estado.

Em entrevista à coluna De Olho no Poder, afirmando ser o “sentimento do governo”, Tyago criticou a postura de Arnaldinho, classificando o gesto como “erro” e “ingratidão”. Disse que a sociedade irá julgar o episódio, mas, num aceno estratégico e calculado, garantiu que o grupo ainda pretende “lutar” para manter o prefeito de Vila Velha na base aliada.

“Nós ainda entendemos que Arnaldinho faz parte do grupo. Acho que foi um erro dele. Mas não é por causa desse erro que nós deixamos de entendê-lo como membro do grupo político do governador Renato Casagrande”, disse Tyago.

Ao ser perguntado sobre qual teria sido exatamente o erro, o secretário foi categórico:

“A política é feita de gestos. Esse é um gesto inadequado, porque todos sabem que Pazolini vai disputar a eleição. Mas, independente disso, o governador, Ricardo, o nosso grupo… Nós vamos lutar para que ele esteja do nosso lado na disputa política que vai acontecer este ano”.

Tyago fez uma avaliação sobre a parceria entre o governo do Estado e a Prefeitura de Vila Velha e também destacou que a postura de Arnaldinho não passará incólume pelo crivo público.

“É um comportamento que a política como um todo julga (…) A política ama a traição, mas odeia o traidor. E com o máximo respeito ao Arnaldinho, as obras que estão fazendo a diferença na vida do cidadão de Vila Velha e principalmente no crescimento político do prefeito são todas obras do governo do Estado”.

Traição? Ingratidão?

Tyago não citou a expressão “traição” à toa. Nos bastidores e nas redes sociais, aliados de Casagrande passaram a classificar o prefeito de Vila Velha como traidor. O secretário, porém, evitou rotular Arnaldinho e disse que não é essa a leitura que o governo faz sobre o episódio até o momento.

“Eu acho que nesse momento ainda não é uma traição porque eu não sei se há algo consolidado, mas é uma ingratidão. Mesmo que fosse um adversário político, o governador faria os investimentos que vem fazendo em Vila Velha. O que eu quero dizer é o ganho político, a capitalização política que ele consegue a partir desses investimentos que estão resolvendo problemas crônicos e históricos de Vila Velha. Então, o que a gente espera de todos que têm esse ganho político é que tenham reciprocidade e que respeitem a liderança política do governador e do projeto que ele lidera. Acho que foi um gesto inadequado, mas eu não vou ainda classificar como traição. Só no momento em que ele anunciar algo e isso não foi feito”.

De fato, não houve anúncio por parte de Arnaldinho. Teve indiretas diretíssimas de Pazolini, fotos com os braços erguidos, desfile pela avenida e até ensaio de samba no pé. Muitos sinais, mas anúncio de uma aliança para as eleições de outubro, ninguém ouviu.

“Se fosse um filme, seria coadjuvante”

 

Pazolini e Arnaldinho de braços erguidos no Sambão (foto: Marcos Salles)

 

O secretário afirmou ainda que caso o prefeito de Vila Velha resolva mudar de lado, trocar o grupo de Casagrande pelo de Pazolini, deixará de ser protagonista para ser coadjuvante.

“Ele pode selar o destino político dele de ser um grande político no Espírito Santo ou de não ter uma carreira tão longeva e tão bem-sucedida. Porque você tem que estar no lugar onde você seja protagonista. E no grupo Renato Casagrande, no projeto que o governador lidera, ele é protagonista. Protagonismo não é necessariamente você ser o candidato. É você estar sempre sendo ouvido, respeitado e legitimado por esse grupo”, avaliou.

Na avaliação de Tyago, Pazolini não irá abrir mão da candidatura ao governo em prol de Arnaldinho, que também é pré-candidato ao Palácio Anchieta e estaria se afastando do governo por ter sido preterido na escolha da sucessão de Casagrande.

“Lá no Carnaval, se fosse um filme, ele (Arnaldinho) seria um coadjuvante. É trocar o protagonismo para ser coadjuvante de uma outra história. Porque eu tenho uma convicção: o Pazolini não abrirá mão pra ele (Arnaldinho) ser candidato. Então, se Arnaldinho resolver abrir mão para o Pazolini, por que não abre mão para o Ricardo a pedido do governador, que é o líder desse projeto? Então, para mim, essa ponta está solta”.

Tyago disse ainda que o governador vinha mantendo conversas com o prefeito e que o gesto de Arnaldinho no Carnaval caiu como algo “nada agradável” para Casagrande.

Subiu o tom contra Pazolini

Como era de se esperar, Tyago Hoffmann subiu o tom contra o prefeito da Capital, a quem acusou de ter uma postura “prepotente” e “arrogante” durante a abertura do Carnaval de Vitória. Ele disse que “faltou civilidade” no discurso de Pazolini e que o prefeito não teria se comportado de forma institucional.

“A fala dele na abertura do Carnaval foi extremamente deselegante. Em vez de se comportar como prefeito, ele se comporta como candidato. Não consegue ter um comportamento decente, educado com as pessoas. É impressionante. É gerar um tensionamento desnecessário, é arrogante, é prepotente, é falta de civilidade”, disse Tyago.

O secretário fez referência ao discurso de Pazolini na abertura do evento. Sem citar nomes, mas com destinatário evidente, o prefeito de Vitória contrapôs “velha guarda” e “modernidade” – numa alusão direta, respectivamente, ao grupo do governador Casagrande e ao seu próprio campo político, que pode estar em expansão a depender dos próximos passos de Arnaldinho.

“Esse trabalho extraordinário que vamos fazer unindo nosso povo, derrubando os muros invisíveis que separavam os capixabas, que são todos irmãos… Respeitando a velha guarda, a ancestralidade, mas trazendo a modernidade, nós vamos, Arnaldinho, reescrever essa história. Respeitando o passado, respeitando os que estiveram antes de nós, mas com a certeza que o futuro será de paz e de prosperidade”, disse o prefeito da Capital, no discurso.

Em outro ponto da fala, também num contexto eleitoral, Pazolini, teria dito que não se pode esperar resultados diferentes escolhendo os mesmos nomes.

Após o discurso, em entrevista para o Folha Vitória, Pazolini foi questionado sobre o que significaria o gesto de ter chegado junto com Arnaldinho para o evento. “Significa que nós estamos dialogando, conversando, pensando na vida dos capixabas. É uma conversa saudável, madura, de dois jovens que acreditam muito no Espírito Santo”, afirmou.

Para Tyago, não seria o “tempo” de se fazer tal debate:

“O governador o cumprimenta sempre, o governador fala com ele em eventos públicos, o governador consegue separar. Assim, não tem que transformar a política num ringue, onde você transforma as pessoas em inimigos. Essa é a questão e mais do que isso: tem locais e tempos, a política tem os seus tempos. Não é tempo desse tipo de debate”, afirmou o secretário.

Outro lado

A coluna procurou os prefeitos Pazolini e Arnaldinho, bem como suas respectivas assessorias, para comentar as declarações do secretário de Estado.

Até o fechamento desta edição, não houve retorno. O espaço permanece aberto e a coluna será atualizada em caso de manifestação dos prefeitos.

Interlocutor do governo vê ingratidão em Arnaldinho, mas diz que vai “lutar” para mantê-lo no grupo