Por Fabiana Tostes / FOLHA VITÓRIA / Foto-legenda: Helder Salomão discursa em Encontro Estadual do PT / Crédito: Rodrigo Gavini
Deputado federal mantém nome na corrida eleitoral, a depender apenas de um aval do Lula. Ontem, ministro petista admitiu união com projeto do governo
Ao largo de todo o imbróglio envolvendo a dupla de prefeitos de Vitória e Vila Velha na corrida pelo Palácio Anchieta, o deputado federal Helder Salomão (PT) tem dado passos para consolidar sua pré-candidatura ao governo do Estado.
Em entrevista para a coluna De Olho no Poder, Helder reafirmou que sua pré-candidatura está de pé. “O processo de construção da minha pré-candidatura ao governo está crescendo cada vez mais. Dentro e fora do PT. Nós estamos dialogando com outros partidos”.
A entrevista com Helder ocorreu durante a visita do ministro da Educação, Camilo Santana (PT), ao Estado, ontem (10).
Em um café com jornalistas, Camilo foi questionado sobre a manutenção da candidatura própria do PT capixaba e se haveria chance do partido recuar para acompanhar o projeto do governo do Estado, de quem é aliado.
Camilo disse que não poderia falar em nome do partido, mas admitiu a possibilidade de um projeto único envolvendo o governador Renato Casagrande (PSB) e o PT no Espírito Santo.
“Sobre política, eu deixo com meus companheiros do partido. Mas, quero dizer que Casagrande é um grande aliado, um grande parceiro do presidente Lula e nosso parceiro. Não posso falar em nome do partido, mas a ideia é que nós possamos construir um projeto juntos”, afirmou.

Helder, Camilo e Contarato (Foto: Thiago Soares/Folha Vitória)
Helder disse que não é adversário do governador, mas afirmou que o partido está empenhado em ter um palanque próprio para defender a reeleição do presidente Lula e do senador Fabiano Contarato (PT), além de um projeto de governo para o Espírito Santo.
“Fizemos uma reunião muito produtiva com o governador em dezembro do ano passado. Nós não somos adversários do governador, mas neste momento estamos reafirmando o nosso desejo de ter uma candidatura própria com uma construção que envolve outros partidos, segmentos da sociedade e também a perspectiva de apresentar um projeto para o Espírito Santo. Não queremos apenas discutir nomes”, disse o deputado.
Segundo Helder, o debate eleitoral está “pobre” e citou, como exemplo, o episódio da aproximação entre os prefeitos Lorenzo Pazolini (Republicanos) e Arnaldinho Borgo (PSDB), ocorrido no Carnaval de Vitória.
“A nossa avaliação é que o debate está muito pobre em torno de pessoas. O que aconteceu no Carnaval Capixaba é a demonstração que os nomes se sobrepõem a um debate sério e responsável sobre o presente e o futuro do Espírito Santo”, disse Helder, que complementou:
“Eu tenho dito que o Espírito Santo não quer retrocesso, mas também não quer mais do mesmo. E nós queremos apresentar um projeto que já começou a ser construído de maneira participativa. Uma das nossas críticas a esse período que nós vivemos no Espírito Santo nos últimos 20 anos é que houve pouca participação da sociedade. Queremos apresentar um projeto ousado, inovador, que construa a possibilidade de utilizarmos as novas tecnologias para aproximar o Estado das pessoas e as pessoas do Estado”.
Nada descartado
Questionado, porém, se estaria descartada a possibilidade de se repetir o que ocorreu em 2022, quando o PT ensaiou uma candidatura própria ao governo – com Contarato –, mas depois recuou, Helder respondeu:
“Olha, na política a gente precisa sempre ter muita ponderação, mas o estágio em que nós estamos não é de composição no primeiro turno. Nós vamos dialogar agora com os partidos que estão na nossa federação, com os partidos que estão na federação Psol-Rede, que têm manifestado muito interesse de compor conosco e além de outros partidos que serão procurados”.
Helder ainda depende de um aval do Presidente da República para a disputa, o que deve ocorrer até abril. Segundo o deputado, os sinais até agora são positivos.
“Já tem sinais, mas nós estamos aguardando essas conversas que teremos com o Presidente. Eu já sou visto como um potencial nome, aliás, seria hoje o nome que o partido tem na região Sudeste para enfrentar as eleições do governo. Confirmando isso até abril, eu serei o pré-candidato do partido, da federação, com o apoio de pelo menos mais uma federação e de segmentos da sociedade”.
Helder descarta ser candidato ao governo apenas para garantir um palanque para Lula no Estado. “Vamos fazer um debate com humildade, mas também com ousadia. Meu nome aparece nas pesquisas com percentual surpreendente para alguns, para nós não, porque tenho uma trajetória de muita coerência política. Nós queremos elevar o nível do debate eleitoral no Espírito Santo”.
Perguntado sobre como avaliava a aproximação entre os prefeitos de Vitória e Vila Velha – seus possíveis adversários –, que pegou o Palácio Anchieta de surpresa e pode mudar completamente o cenário eleitoral capixaba, Helder foi sucinto:
“Eu acho que eles é que têm que explicar à sociedade. Agora, demonstra a fragilidade do processo eleitoral em que os pré-candidatos, os postulantes ao cargo de governador, em vez de discutirem projetos, colocam os nomes em evidência”.
Os próximos passos

Representantes da federação Brasil da Esperança (Foto: Luciana Castro)
Na manhã desta quarta-feira (11), Helder se reuniu com os representantes dos partidos que compõem a federação Brasil da Esperança (PT, PV e PCdoB) para traçar os principais eixos da campanha eleitoral.
Sentaram à mesa, além de Helder, o presidente estadual do PT, João Coser; o presidente do PCdoB, Neio Pereira; o pré-candidato a deputado federal Nésio Fernandes (PCdoB); o presidente do PV, Fabrício Machado, com os filiados Paulo e Cidinha Quinelato.
Eles definiram os próximos passos, que consistem na montagem da coordenação da campanha e da comissão responsável pela elaboração do programa de governo.