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Gandini define seu novo partido para disputar mais um mandato

Por Vitor Vogas / ES 360 / Foto-legenda: Fabrício Gandini e Gilson Daniel / Crédito: Assessoria de Gandini

Dada a atual armação do tabuleiro político-eleitoral do ES, a permanência de Gandini no PSD, há algum tempo, era mesmo difícil (e desconfortável para ele)

O deputado estadual Fabrício Gandini decidiu se filiar ao Podemos para disputar um terceiro mandato seguido na Assembleia Legislativa (Ales) no próximo ano. O deputado e ex-vereador de Vitória fez o anúncio em nota oficial, nesta sexta-feira (12). Atualmente no Partido Social Democrático (PSD), ele mudará de agremiação na próxima janela legal para que deputados com mandato possam fazê-lo sem incorrer no risco de cassação por infidelidade partidária, no próximo mês de março.

“Por razões estratégicas e pela afinidade com as pautas defendidas pelo Podemos nos âmbitos estadual e federal, decidi me filiar ao novo partido, no momento definido pela legislação eleitoral.”

Gandini aproveitou para agradecer ao presidente estadual do PSD, o prefeito de Colatina, Renzo Vasconcelos, pelo apoio recebido durante seus dois anos de filiação.

No Espírito Santo, o Podemos é liderado pelo deputado federal Gilson Daniel, com quem Gandini acertou sua migração.

“A partir de agora, quero dar a minha contribuição no Podemos, com o propósito de ajudar no fortalecimento da legenda no Espírito Santo, sob a liderança do deputado federal Gilson Daniel. Tenho convicção de que, no Podemos, continuarei defendendo com firmeza as causas e os interesses do povo capixaba.”

Vereador de Vitória por dez anos (três mandatos seguidos), de 2009 a 2018, Gandini chegou à Assembleia Legislativa em 2019 e reelegeu-se em 2022. No atual mandato, preside a Comissão de Meio Ambiente, pauta consolidada como uma de suas principais bandeiras. Também é o vice-líder do governo Casagrande na Assembleia.

O parlamentar construiu a maior parte de sua trajetória no Cidadania (antigo PPS: Partido Popular Socialista) e como grande aliado do ex-prefeito de Vitória Luciano Rezende. Ele chegou a presidir o Cidadania no Espírito Santo e elegeu-se pelo partido para os seus cinco mandatos parlamentares consecutivos. Também pelo Cidadania, foi candidato a prefeito de Vitória em 2020, sem sucesso no pleito.

Em 2023, deixou a presidência estadual e desfiliou-se do Cidadania. No fim do mesmo ano, entrou no PSD, a convite de Renzo Vasconcelos, e chegou a presidir a sigla em Vitória.

Gandini também é um aliado histórico do governador Renato Casagrande (PSB). Tanto que foi seu candidato a vice-governador em 2014, em eleição vencida por Paulo Hartung. Após um ligeiro estremecimento na relação política com o governo, no começo do atual mandato, em 2023, o parlamentar se realinhou e seguiu na base governista, tornando-se o vice-líder do Executivo no início deste ano.

Após uma reeleição apertada em 2022, Gandini tem se destacado, na atual legislatura, pela estratégia de interiorização do mandato. Antes concentrado em Vitória, seu reduto original, passou a exercer influência em muitos outros municípios, como Guarapari.

Dada a atual armação do tabuleiro político e eleitoral do Estado, a permanência de Gandini no PSD, há algum tempo, parecia mesmo muito difícil (e desconfortável para ele). Conforme frisamos acima, ele é aliado do governo Casagrande. Apesar de sua boa relação com Renzo Vasconcelos, o fato é que, desde maio, o PSD passou a ser, no Espírito Santo, a casa do ex-governador Paulo Hartung e de seu grupo político, adversários do atual governador.

Além disso, existe a possibilidade de o PSD vir a apoiar a provável candidatura de Lorenzo Pazolini a governador do Espírito Santo em 2026. Filiado ao Republicanos, o prefeito de Vitória é adversário do governo Casagrande. Sob a presidência estadual de Renzo, o PSD ainda não definiu seu rumo eleitoral em 2026, sendo muito assediado pelos dois lados (até por ser um partido grande, com muitos recursos financeiros e tempo de propaganda eleitoral).

O próprio Renzo mantém conversas políticas com Pazolini e com o presidente estadual do Republicanos, Erick Musso, enquanto tem se encontrado constantemente com Casagrande e com o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB), pré-candidato ao Governo do Estado, visando a uma estratégica aproximação administrativa que também pode resultar num alinhamento político-eleitoral.

Pelo sim, pelo não, Gandini entrará no processo eleitoral de 2026 num partido que seguramente pertence à base de Casagrande e que já está comprometido com o projeto eleitoral da situação. O próprio Gilson Daniel se firmou, desde o primeiro semestre, como um dos principais apoiadores da pré-candidatura de Ricardo Ferraço ao Palácio Anchieta.

Neste sábado (13), Gandini já participará de um encontro estadual do Podemos, no município de Cariacica.

Gandini define seu novo partido para disputar mais um mandato