Notícias

[wpadcenter_ad id=8039 align='none']

Folletto desiste de reeleição e pode voltar a integrar equipe de governo

Por Fabiana Tostes / FOLHA VITÓRIA / Foto: Deputado Paulo Folletto / Crédito: Bruno Spada (Câmara dos Deputados)

Deputado federal não será mais candidato, mas participará do processo eleitoral. PSB o vê como um possível nome para o secretariado

Após um mandato de vereador, dois de deputado estadual e quatro de federal, sempre representando o Noroeste do Estado, o deputado federal Paulo Folletto (PSB) vai se aposentar das urnas.

Ele decidiu que não irá concorrer à reeleição, em outubro, e nem participar de nenhuma outra disputa eleitoral futura. A decisão já foi comunicada ao governador Renato Casagrande (PSB) e ao presidente estadual do PSB, Alberto Gavini.

Folletto já constava como pré-candidato da chapa federal do partido – que agora terá de buscar um nome para substituí-lo. Entretanto, a decisão não pegou os dirigentes de surpresa, já que desde o ano passado Folletto se queixava de algumas situações.

Saúde e decepção com Brasília

Em entrevista para a coluna De Olho no Poder, Folletto informou que três fatores foram cruciais para a decisão de não ser mais candidato. O primeiro, e mais importante, tem a ver com sua saúde.

Em 2016, Folletto foi diagnosticado com tumor na medula. De lá para cá passou por diversos tratamentos, dentro e fora do Brasil, e por duas cirurgias que lhe deixaram sequelas significativas, como dor crônica, perda de sensibilidade na perna esquerda e dificuldades para caminhar.

A rotina de ida e volta a Brasília, somado às demandas para tocar o mandato no Estado, contribuíram para aumentar o desgaste na saúde do deputado, há 10 anos muito debilitada. O que o forçou a reduzir o ritmo.

Mas não foi só isso que contribuiu para a decisão de Folletto. Ele está também bastante frustrado com o Congresso e com a política nacional.

“Há um componente também de desesperança com o cenário nacional. No mandato passado, eu estive na Secretaria de Agricultura e a gente produziu bastante, foram muitas entregas, fico animado de ver as coisas acontecer. Aí chega em Brasília, é um estica-encolhe, um bando de idiota torcendo pro quanto pior melhor, gente utilizando fake news em rede social, cada um atrapalhando a vida do outro, sem nenhum compromisso com o crescimento coletivo, com o crescimento social”, justificou.

O terceiro fator – ou componente, como o deputado cita – é a questão familiar e o sentimento de dever cumprido. “Do ponto de vista de disputa, já cumpri meu papel. Fui vereador, por duas vezes deputado estadual, quatro vezes deputado federal. Aí entra também o componente de ficar mais com a família. Com a patroa, os filhos, os irmãos, pais… É um conjunto de situações”.

Firme no ninho

O presidente partidário não se opôs à decisão do deputado, pelo contrário. Gavini concordou com os motivos de Folletto, embora isso, a princípio, traga um prejuízo para a chapa federal.

“Ele já deu uma contribuição enorme, foram vários mandatos, uma entrega muito grande ao partido. Ele está no direito dele de dar uma parada”, disse Gavini.

Mesmo sem disputar, Folletto disse que permanece no partido. “Vou fazer 34 anos de PSB, não há nenhum motivo para eu sair. O PSB tem um modelo partidário atrativo e eu me identifico com o partido”.

Fora do processo eleitoral? Nem pensar!

Folletto também garantiu que, embora não seja mais candidato, não ficará de fora do processo eleitoral. “Ainda tenho um pouco de lenha para queimar”, brincou.

O parlamentar disse que vai apoiar o projeto do governo, que consiste em eleger Casagrande ao Senado e o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) ao Palácio Anchieta. Ele também promete ajudar a eleger candidatos do partido e, principalmente do seu reduto, Colatina.

“Vou trabalhar para eleger Renato e Ricardo, e nosso grupo tem dois candidatos a deputado estadual: o servidor público Sandro Ferrari e o vereador (de Colatina) Claudinei Costa, que está no segundo mandato e é cria da gente”.

Volta a ser secretário?

A saída de Folletto da disputa vai exigir, do PSB, um esforço para completar a chapa federal. Mas, também, vai dar ao partido uma opção na reformulação do primeiro escalão da gestão Casagrande.

Conforme a coluna noticiou, ao menos 13 secretários do governo Casagrande são cotados para disputar as eleições. Se todos eles virarem candidatos, o governo vai precisar mudar metade do secretariado. Isso sem contar os que ocupam o comando de autarquias e subsecretarias.

E é nessa mudança que o nome de Folletto pode surgir.

Uma das apostas do ninho socialista para a chapa federal é o nome do ex-deputado Eustáquio de Freitas, que hoje comanda o DER-ES. Como é ordenador de despesa, Freitas vai precisar se desincompatibilizar em abril, para poder disputar em outubro. Ele é o 1º suplente do PSB capixaba na Câmara Federal. Em 2022, teve 36.791 votos.

Um caminho, que já está sendo estudado pelo partido, é a possibilidade de uma dobradinha entre Folletto e Freitas. O deputado, que já não anda muito satisfeito com Brasília, se licenciaria do mandato parlamentar, dando espaço para o 1º suplente – Freitas – assumir uma cadeira na Câmara Federal, após deixar o DER-ES.

Folletto, por sua vez, ficaria à disposição do governo para assumir uma das pastas que ficarão vagas, com a saída dos secretários candidatos.

“É um nome à disposição e que poderá ser usado pelo governador”, disse Gavini, admitindo a possibilidade, mas enfatizando que não há – pelo menos por ora – nenhum compromisso firmado com o governo nesse sentido.

Já Folletto, ao ser questionado se poderia voltar a ser secretário, desconversou: “Está fora de hora falar disso. Vamos esperar a definição do governo, eu tenho um comprometimento partidário”.

No mandato anterior de Casagrande, Folletto foi secretário estadual da Agricultura. Ele tinha sido reeleito à Câmara dos Deputados (em 2018), mas pediu licença para assumir a pasta. O suplente Ted Conti assumiu o mandato parlamentar.

No início do mês que vem, o PSB vai reunir sua Executiva para tomar algumas decisões com relação ao processo eleitoral. Essa pauta deve fazer parte do debate. Uma reunião entre o partido e o governador também já está pré-agendada para ocorrer no mesmo período.

Em tempo: Entre os principais nomes que integram a chapa federal do PSB, estão: o secretário da Saúde, Tyago Hoffmann; o secretário da Educação, Vitor de Ângelo; o secretário da Justiça, Rafael Pacheco (que ainda não se filiou); a secretária de Governo, Emanuela Pedroso; o diretor-presidente do DER-ES, Freitas; o reitor do Ifes, Jadir Pela, e a subsecretária estadual de Infraestrutura Turística, Lorena Vasques.

 

Folletto desiste de reeleição e pode voltar a integrar equipe de governo