Por João Caetano Vargas / Foto-legenda: Janete: Estado precisa cuidar da prevenção de fato / Crédito: Paula Ferreira
Discurso considerou o início nesta segunda-feira (1º) do julgamento do acusado pela morte da enfermeira grávida Íris Rocha de Souza em janeiro de 2024
A deputada Janete de Sá (PSB) utilizou o tempo destinado aos pronunciamentos parlamentares em sessão extraordinária realizada nesta segunda-feira (1º) para denunciar a brutalidade do feminicídio em janeiro de 2024 da enfermeira Íris Rocha de Souza, de 30 anos, grávida de oito meses, e defender medidas urgentes para o fortalecimento da rede de proteção às mulheres no Espírito Santo. O julgamento do acusado teve início hoje no Fórum de Alfredo Chaves, Cleiton Santana dos Santos, ex-namorado da vítima, é apontado como autor do crime.
Janete iniciou o pronunciamento ressaltando o impacto do caso: “É com profundo pesar, sentimento de dor e indignação que trago a atenção desta Casa e da nossa sociedade para o caso de Íris Rocha de Souza, assassinada brutalmente enquanto estava grávida de oito meses de sua filha Rebecca. Íris e Rebecca são as mais novas vítimas da terrível epidemia que assola o nosso país: o feminicídio.”, lamentou a parlamentar.
A deputada descreveu a crueldade do crime, que, segundo as investigações, envolveu emboscada, disparos de arma de fogo e tentativa de desfiguração do corpo para ocultação da identidade. “O assassino, além de matá-la com quatro disparos, tentou desfigurar o rosto de Íris para que ela não fosse reconhecida, simplesmente porque ela estava grávida dele e ele não queria ter o bebê”, afirmou.
Janete também destacou o comportamento controlador e agressivo atribuído ao acusado, reforçando que o caso representa falhas estruturais do sistema de proteção. “A motivação dele foi a recusa em aceitar a paternidade, aliada ao histórico de comportamento possessivo e agressivo. O assassinato de Íris é um retrato da falha sistêmica em proteger as mulheres contra a violência doméstica e o controle masculino tóxico ainda exercido por companheiros e ex-companheiros”, acrescentou.
A deputada também defendeu que o Estado avance em medidas concretas para prevenir novos casos: “Não podemos nos contentar apenas com a condenação do agressor. Nossa responsabilidade é agir de forma proativa para que tragédias como a de Íris e Rebecca não se repitam”, concluiu.
Entre as ações defendidas por Janete, estão: efetividade nas medidas protetivas, com punição imediata em caso de descumprimento; campanhas contínuas nas escolas e na mídia sobre relacionamentos saudáveis, ciclo da violência e combate ao machismo; recursos suficientes para casas-abrigo, Patrulha Maria da Penha e atendimento psicológico e jurídico especializado.
Ao final do discurso, um apelo: “O resultado do julgamento trará uma punição, mas a verdadeira justiça será alcançada quando pudermos dizer que reduzimos a zero a estatística de feminicídio em nosso estado e no nosso país. Por Íris, por Rebecca, por todas as mulheres, fica aqui o nosso grito de justiça”, finalizou.