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Expedição vai mapear situação do Rio Doce 10 anos após desastre

Por assessoria / Foto-legenda: A reunião contou com a presença do diretor-presidente da Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh), Fábio Ahnert, e do secretário em exercício da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Seama), Vitor Ricciardi / Crédito: Gleberson Nascimento

Expedição vai avaliar recuperação ambiental e aplicação de recursos da repactuação; tema foi debatido na Comissão de Meio Ambiente, presidida por Gandini

As soluções adotadas na recuperação do Rio Sena, na França — como drenagem com retenção de água da chuva, controle de resíduos e gestão integrada de bacias — vão ajudar a orientar a Quarta Descida Ecológica do Rio Doce, prevista para ocorrer entre 4 de maio e 5 de junho. O tema foi debatido em reunião da Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa, presidida pelo deputado estadual Fabrício Gandini (PSD), no último dia 10.

A expedição terá caráter técnico e educativo e vai percorrer a bacia para avaliar as condições ambientais 10 anos após o desastre de Mariana (MG), a maior tragédia hídrica do país.

No dia 5 de novembro de 2015, o Brasil parou diante de uma das maiores tragédias socioambientais de sua história. O rompimento da barragem de Fundão, de propriedade da mineradora Samarco e controlada pelas empresas Vale e BHP Billiton, lançou 60 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério, destruindo comunidades, rios, modos de vida e sonhos. O desastre matou 19 pessoas e deixou um rastro de destruição em toda a Bacia do Rio Doce, em Minas Gerais, com reflexos até a foz do rio, no Espírito Santo, e no Oceano Atlântico.

O objetivo da expedição é mapear a situação de nascentes, matas ciliares, tratamento de esgoto — inclusive rural — e estruturas de contenção de sedimentos.
Também será analisada a aplicação dos recursos da repactuação, estimados em cerca de R$ 136 bilhões ao longo de 20 anos, destinados a ações de reparação e recuperação da bacia.

Segundo o ambientalista Alberto Pêgo, do movimento River Planet, a descida vai cruzar dados de campo com estudos já existentes. “Não é uma ação simbólica. É uma descida técnica. A bacia do Rio Doce é uma das mais estudadas do planeta. Já existem planos prontos. O desafio agora é conectar estudo e investimento”, afirmou.

 

 

Ambientalistas do Rive Planet apresentaram as estratégias para a quarta Descida Ecológica do Rio Doce

 

A iniciativa prevê mobilização em 51 localidades, com palestras em escolas, câmaras municipais, prefeituras e Ministérios Públicos. A equipe direta terá 12 integrantes, sendo cinco descendo o rio de caiaque, além de grupos de apoio por terra, educadores ambientais e documentaristas. A mobilização total pode reunir até 50 ou 60 participantes ao longo do percurso.

Pêgo destaca que a ação também busca aproximar comitês de bacia e governos. Hoje, o Comitê da Bacia do Rio Doce — criado em 2002 — possui planejamento técnico estruturado, mas orçamento limitado, enquanto diferentes esferas de governo concentram maiores volumes de recursos.

“Existe planejamento. O que precisamos é fazer o dinheiro chegar onde o plano já aponta como prioridade”, disse.

O deputado Fabrício Gandini afirmou que a Comissão de Meio Ambiente vai acompanhar os resultados da expedição e usar os dados como base para proposições e articulações institucionais.

“Nosso papel é transformar diagnóstico em política pública. A experiência do Sena e agora a nova descida do Rio Doce ajudam a direcionar investimentos mais eficientes para recuperar a bacia”, destacou.

A reunião contou com a presença do diretor-presidente da Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh), Fábio Ahnert, e do secretário em exercício da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Seama), Vitor Ricciardi.

A última descida completa do Rio Doce ocorreu em 1998. Segundo os organizadores, a nova edição pretende atualizar o retrato ambiental da bacia e fortalecer a integração entre ciência, gestão e execução de políticas de recuperação hídrica.

Expedição vai mapear situação do Rio Doce 10 anos após desastre