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Euclério e Rose na disputa ao Senado. Mas, MDB lançará candidatura?

Por Fabiana Tostes / FOLHA VITÓRIA / Foto: Divulgação

Partido tem a pré-candidatura do governo do ES e pode ter que abrir a vaga do Senado para fortalecer a coligação

A Convenção Estadual do MDB, realizada no último sábado (28), reelegeu o vice-governador Ricardo Ferraço à presidência e definiu a nova Executiva do partido – eles irão comandar o MDB capixaba pelos próximos dois anos.

Ricardo reafirmou sua pré-candidatura ao governo do Estado, sendo, inclusive ovacionado pelos militantes e chamado de “futuro governador”. Durante entrevista, falou da importância dos aliados, especialmente da federação União Progressista, a quem prometeu “forte protagonismo”.

No evento, não foram realizadas filiações e nem foi tratado sobre chapas, mas foi aberto o livro de candidaturas do partido para a registro daqueles que pretendem concorrer em outubro.

O prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio, e a ex-senadora Rose de Freitas participaram da convenção e assinaram – nessa ordem – o livro, pleiteando espaço para a disputa ao Senado.

Nesse ano, duas vagas estarão em jogo e os dois mantêm posição firme na pré-candidatura. Até o momento, nem o prefeito e nem a ex-senadora dão indícios de que poderão recuar ou chegar a um entendimento. E cada um tem seus motivos para insistir na disputa.

Representação feminina e bandeira municipalista

Rose foi senadora de 2015 a 2022, tendo exercido anteriormente os mandatos de deputada estadual e deputada federal constituinte.

No Congresso, exerceu posições importantes, como a 1ª vice-presidência na Câmara dos Deputados e foi a primeira mulher a presidir a Comissão Mista de Orçamento (CMO).

Ao longo de sua trajetória em Brasília, ficou conhecida por encampar a pauta municipalista, o que lhe rende, até hoje, o apoio de muitos prefeitos e lideranças, especialmente do interior do Estado.

Também é uma defensora de uma maior representação feminina na política. Na convenção do MDB, em entrevista à imprensa, chegou a tratar do tema.

“A política que se constrói todo dia, passa pelas mulheres. É preciso que mais mulheres estejam na política. Não em detrimento dos homens, mas eu acho ainda que tem que ter mais mulheres no debate”, afirmou.

Em 2022, Rose disputou a reeleição ao Senado com o MDB integrando a base do governador Renato Casagrande (PSB). Houve apoio recíproco: o partido esteve ao lado de Casagrande na corrida ao Palácio Anchieta, e o governo respaldou a candidatura de Rose. Ainda assim, ela acabou derrotada por Magno Malta (PL).

Rose quer, agora, voltar ao Senado, mas sabe que primeiro vai precisar convencer internamente seu partido. Ela disse que tem conversado com Euclério para chegarem a um entendimento. Mas, se não houver, afirma que vai disputar no voto.

“A disputa é democrática, mas ela cria momentos muito emocionantes. Lado a lado, se puder construir na unidade, é bom. Se não der, vamos para o voto democraticamente. Não posso cruzar os braços e dizer: deixa pra lá. Eu não deixo pra lá. Estou de pé, com vontade, estimulada, mais de 69 prefeitos e instituições que eu recebi, com muito carinho, a manifestação de apoio. Pensei muito, conversei com meus filhos, com aliados e decidi aceitar essa inscrição”.

Voto conservador e dobradinha com Casagrande

O prefeito Euclério Sampaio está no segundo mandato à frente de Cariacica, após uma reeleição em 1º turno com 88,4% de aprovação.

Euclério foi um dos nomes citados pelo governador como um “plano B” ao Palácio Anchieta caso o projeto prioritário do governo – a pré-candidatura de Ricardo Ferraço – não vingasse.

O prefeito, no entanto, foi um dos primeiros a se posicionar publicamente ao lado de Ricardo, empenhando seu capital político na viabilização da pré-candidatura. De lá para cá, tem atuado para projetar o vice e fortalecê-lo no tabuleiro eleitoral.

Ao se posicionar dessa forma, a cotação que era para o governo migrou para o Senado e Euclério passou a receber apoio de diversos grupos para a empreitada. Representantes de igrejas evangélicas e de forças de segurança, principalmente, declararam apoio ao prefeito.

Nos bastidores, a pré-candidatura de Euclério ao Senado, numa dobradinha com Casagrande, é considerada estratégica por aliados do governo.

Evangélico, de direita e conservador, Euclério concentraria os votos de uma parcela da população que tenderia a votar em candidatos da oposição.

Num eventual sucesso da dupla Casagrande-Euclério, é bem possível que em temas nacionais e ideológicos, os dois se posicionem em lados opostos no Senado. Mas, em assuntos do Estado e na política regional, o que deve prevalecer é a lealdade de Euclério a Casagrande.

E isso Euclério tem deixado bem claro nas entrevistas.

Ao ser perguntado sobre a pré-candidatura ao Senado, disse ter sido o primeiro a assinar o livro de candidaturas, mas que o partido vai decidir pelo que for melhor para Ricardo – inclusive aventou a possibilidade do MDB nem ter candidatura ao Senado.

“Acima da vontade dela (Rose) e da minha, o partido vai fazer o que for melhor para a eleição de Ricardo. Não vai agradar a mim e não vou impor minha vontade, vou fazer o que for melhor. O MDB pode abrir mão de candidatura ao Senado para puxar aliado para Ricardo”, disse Euclério.

MDB vai ter nome ao Senado?

Pela legislação, não há impedimento de que uma mesma sigla lance dois nomes à corrida do Senado. Isso costuma ocorrer, por exemplo, quando o partido não coliga com ninguém e vai sozinho para as urnas, com candidaturas puro-sangue.

Mas, não é o comum. E, no caso do MDB, além de ter duas pré-candidaturas ao Senado tem, também, o pré-candidato ao governo do Estado, que vem a ser o nome escolhido para a sucessão de Casagrande.

O governo hoje lidera uma frente ampla, com partidos de peso, que querem ter protagonismo no processo eleitoral como condição para selar a aliança. Esse “protagonismo” passa pela indicação e apoio de nomes em pontos-chave da disputa, como, por exemplo, o segundo nome ao Senado e a composição da chapa como vice.

 

 

 

Ricardo Ferraço

Ricardo Ferraço (Foto: Thiago Soares/Folha Vitória)

 

 

Não é à toa que, ao ser questionado pela formação da chapa federal do MDB, Ricardo deu a entender que a chapa poderia ser sacrificada em prol dos aliados.

“Nós temos uma frente ampla. Essa frente ampla pressupõe que a gente tenha muita cautela e solidariedade com todos aqueles que a compõem. Então, constituindo agora a nossa Executiva, nós vamos ter o mês de março inteiro para que a gente possa conversar com os nossos colegas, companheiros do MDB e com todas as forças políticas que compõem esse projeto”, disse Ricardo na convenção.

Por isso, tendo em vista que a prioridade do MDB é eleger o governador do Estado, poderá ser uma possibilidade que a segunda vaga de Senado – já que a primeira é de Casagrande e do PSB – seja negociada com outro aliado, para garantir o fortalecimento da coligação.

Outra questão que se soma a essa é também muito pragmática: é fato de que uma campanha majoritária custa dinheiro e que duas campanhas majoritárias custam muito dinheiro. E os recursos do partido são finitos e precisam ser distribuídos por todo o País.

Sem previsão

Já o secretário-geral do MDB capixaba, Chico Donato, aposta que o partido bancará uma candidatura ao Senado no Estado.

Questionado se a legenda poderia negociar a vaga do Senado com outra sigla aliada, Chico respondeu: “Não tem essa previsibilidade. Os cenários para todos os partidos deverão clarear agora, sempre nos últimos momentos”.

De qualquer forma, a decisão deve ser tomada ainda neste mês, ainda que seja conhecida somente nas convenções partidárias.

Euclério e Rose na disputa ao Senado. Mas, MDB lançará candidatura?

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