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Davi Esmael e Armandinho atacam cotas trans na UFES e são rebatidos por Professor Jocelino

Por Redação Multimídia (Por Mary Martins) / ES HOJE / Foto: Divulgação

A sessão desta terça-feira (29) da Câmara Municipal de Vitória foi marcada por um discurso inflamado do vereador Davi Esmael (Republicanos), que defendeu com veemência a aprovação da Moção nº 1121, uma moção de repúdio à reitoria da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), por adotar cotas destinadas à população trans em seus programas de pós-graduação. Vale destacar que a votação da moção de repúdio foi aprovada.

O parlamentar criticou duramente o que chamou de “programa de ideologia de gênero” implementado pela universidade por meio da reserva de vagas e bolsas de estudos no mestrado e no doutorado.

“O acesso à universidade pública federal precisa se dar com base na meritocracia, com base naquilo que é o melhor desempenho em uma prova. Nem estou falando mais da graduação, mas sim do mestrado e doutorado, que deveriam prezar ainda mais pela excelência acadêmica”, declarou.

Davi Esmael reforçou a necessidade de alinhamento entre os parlamentares da Casa para aprovar não só a moção de repúdio de sua autoria, mas também a moção de aplauso proposta pelo vereador Armandinho, a Moção nº 576.

Segundo ele, a universidade tem se afastado de sua missão primordial de ensino ao se tornar um espaço de “doutrinação ideológica”. “UFES, o que vocês estão fazendo com nossos estudantes é repudiável. É por isso que esta Câmara se manifesta. Não à ideologia de gênero. Não à algazarra e bagunça que vocês têm feito num espaço que deveria ser de formação acadêmica”, disse.

Durante o discurso, o vereador relembrou ainda sua própria trajetória na instituição. Disse ter ingressado no curso de Economia da UFES, mas optado pelo curso de Direito a noite. “Me arrependo de não ter terminado Economia. Seria válido para aquilo que me proponho na vida pública”, afirmou, em tom pessoal, para destacar que sua crítica não se dá por desconhecimento da realidade da instituição.

A declaração inflamou os ânimos no plenário e foi prontamente rebatida por Professor Jocelino (PT), que subiu à tribuna para criticar duramente a moção e defender a política de inclusão da universidade.

“Estamos diante de uma proposta absurda. A UFES está certa ao criar cotas para pessoas trans. Isso é inclusão, é reparação. Falar de meritocracia num país que não oferece condições iguais é tapar os olhos para a realidade. A universidade pública não é clube da elite. É espaço de transformação social, de justiça e de dignidade”, disse, com indignação.

O petista foi além, destacando o papel da UFES em projetos de sucesso e ressaltando o cenário alarmante da violência contra pessoas trans no Brasil. “A quem incomoda uma travesti no mestrado? Por que tanta rejeição a uma pessoa trans ganhar uma bolsa para estudar, enquanto a transfobia mata todos os dias? Não há justiça sem equidade. Meu voto é pelo futuro, pela dignidade. E que outras universidades sigam o exemplo da UFES”, completou, provocando reações da bancada conservadora.

O debate escancarou mais uma vez a polarização que atravessa as discussões políticas em Vitória, com vereadores de espectros opostos protagonizando embates sobre temas como inclusão, direitos humanos e os rumos da educação pública. O embate desta terça-feira evidenciou que o terreno da Câmara Municipal está longe de consensos quando o assunto é diversidade e políticas afirmativas.

Davi Esmael e Armandinho atacam cotas trans na UFES e são rebatidos por Professor Jocelino

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