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Como foi a despedida de Casagrande no Kleber Andrade

Como foi a despedida de Casagrande no Kleber Andrade

Por Vitor Vogas / SIM NOTÍCIAS / Foto: Ricardo e Ferraço e Casagrande no evento de despedida do segundo / Crédito: Hélio Filho

As palavras finais do governador antes de passar a faixa para Ricardo e os bastidores do “Big House Big Fest” no centro do maior estádio de futebol do Espírito Santo, diante de uma torcida estimada em 6 mil pessoas

Diante de cerca de 6 mil pessoas – segundo a estimativa oficial da PMES, informada pela assessoria do Governo do Estado –, Renato Casagrande (PSB) realizou, na noite dessa quarta-feira (1º), a sua “festa de despedida” do cargo ocupado por ele por quase 12 anos, na soma dos três mandatos, antes de passar a faixa nesta quinta-feira (2) para o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB). Casagrande renuncia para poder ser candidato a senador.

O evento, com entrada franca, foi realizado no gramado do Estádio Kleber Andrade, em Cariacica, perante uma multidão de populares e de autoridades do governo e de outros Poderes.

Na despedida, entre piadas e emoção, Casagrande apontou as duas marcas do seu governo (segundo ele, “humildade” e “resultados”) e deixou uma certeza: a partir do momento em que deixar de ser governador, ele passará a ser o maior cabo eleitoral da campanha de Ricardo Ferraço à reeleição, no segundo semestre.

“A partir de amanhã [esta quinta-feira], vou circular muito pelo Estado, vou percorrer os 78 municípios e defender muito o projeto liderado por Ricardo, falando dos nossos resultados… Pode ser que haja algumas pessoas mal-informadas”, disse Casagrande, sublinhando que, para ele, é preciso evitar os riscos de “retrocesso” e de “descontinuidade”.

Sem citar o ex-governador Paulo Hartung (PSD) – ao mesmo tempo, antecessor e sucessor dele no cargo no passado –, Casagrande citou a experiência de 2014, quando perdeu para o arquirrival a primeira tentativa de reeleição. “Vocês viram o que aconteceu, a descontinuidade das nossas políticas…”

humildade” como marca

No palco montado no campo, sob uma extensa estrutura de tendas que ocupou quase todos os 110 metros de comprimento do gramado, Casagrande salientou a “humildade” como primeira grande marca do governo que ele encerra nesta quinta.

“A marca maior do nosso governo é a simplicidade, a humildade, o acolhimento. Porque o poder muitas vezes tornas as pessoas arrogantes. E, se você não tomar cuidado, você acha que ser arrogante mostra competência. No começo, algumas pessoas não entendiam e nos criticavam, pois achavam que era falta de autoridade. Mas com humildade é que você mostra o caminho para as pessoas. É esse o nosso jeito de governar. E foi isso que nos fez navegar por mares turbulentos.”

Marinheiro

Em seguida, ele citou o momento da pandemia do novo coronavírus como o mais difícil da sua vida como homem público e reiterou um dito popular que sempre repete (sem exagero, já o ouvi dizer mais de dez vezes): “Mar calmo não faz bom marinheiro”.

O momento mais triste

Casagrande também falou do momento mais triste de seus mais de 11 anos de governo. “Quando minha mãe e minha mulher, Dona Virgínia, pegaram covid, eu sofri. Quando meus assessores mais próximos pegaram covid, eu sofri. Quando eu tinha que anunciar o número de mortes no dia, eu sofria. Mas era preciso mostrar liderança.”

A megaestrutura

Se a marca do governo foi a humildade, a festa de despedida não foi tão “humilde” assim… Na verdade, foi suntuosa, no estilo de grandes shows de bandas de rock ou algo assim.

Além do supertelão de LED ao fundo do palco, as laterais da estrutura de toldos foram preenchidas por 18 placas bem grandes (de cinco a seis metros de altura), nove de cada lado, cada uma destacando uma realização do governo Casagrande.

Do engordamento da orla de Meaípe (em Guarapari) às estradas rurais do Caminhos do Campo; das torres de segurança na Grande Vitória à Ciclovia da Vida; do novo Portal do Príncipe à retomada do sistema aquaviário… tudo registrado ali, em larguíssima escala.

A segunda marca

A segunda marca, segundo Casagrande, tem a ver com essa: é a dos resultados. O governador repetiu um número que ele e Ricardo sempre reiteram: o Espírito Santo transforma 20% de sua receita total em investimentos, enquanto a média dos estados brasileiros é de 9% da receita.

“Estamos desafiando as equações matemáticas, pois investimos muito, mas temos poupança elevada e dívida pública baixa”.

Segurança” e “novo ciclo”

Em seu discurso, de cerca de 15 minutos, Casagrande fez muitas menções a seu sucessor no cargo, já colocando em marcha estratégia e discurso de campanha. “Saber que quem assume em meu lugar é Ricardo: isso me dá segurança”, disse o governador. “Estamos abrindo um novo ciclo.”

No pique do Ricardão”

Casagrande também pilheriou, falando no “pique do Ricardão”. Nas redes sociais, um dos seus slogans consagrados é “No pique do Casão”.

Assim falou o Professor Casão

Antes do evento de despedida, Casagrande concedeu uma última entrevista coletiva, literalmente, em um dos vestiários do Kleber Andrade. Sob influência do cenário, podemos dizer qual foi a orientação que o “Professô Casão” passou para o meia-direita Ricardo, ao mandar o reserva entrar em campo aos 30 do segundo tempo:

“Ricardo, você já sabe o que te espera: a partir de amanhã, trabalhar muito todos os dias e acelerar ainda mais o ritmo”, disse ele a seu sucessor.

MC quebra o protocolo

Mas o momento mais emotivo do evento ficou a cargo de um personagem completamente inesperado – logo ele, cuja função em geral consiste em se anular e levantar a bola para as autoridades no palanque: Pedro, mestre de cerimônias dos eventos do Governo do Estado desde que Casagrande voltou ao Palácio Anchieta, em 2019.

Antes de introduzir o discurso de Casagrande, ele avisou à plateia que quebraria o protocolo, e assim fez.

“Quando cheguei ao governo, eu era o Pedro, só Pedro. Ao longo desse tempo, descobri que uma bronca pode ser dada com um olhar, mas também um elogio. Hoje, passados esses sete anos, sou o Pedro do governador Casagrande. Obrigado pelo carinho! Obrigado pelo respeito…”

Momento Bonner: “Eu vou concluir!”

Nesse momento, pela primeira e única vez em todo esse tempo, o vozeirão do MC ficou embargado, e ele ganhou um abraço de Casagrande. “Eu vou concluir”, disse Pedro, lembrando William Bonner, em momento clássico, ao dar a notícia da morte de Roberto Marinho na bancada do Jornal Nacional.

E concluiu mesmo, passando a palavra a Casagrande.

Frases de efeito

Em seu discurso, Casagrande também disse que seu governo “tirou o Espírito Santo da invisibilidade no Brasil”. No supertelão de LED atrás dele, exibiu-se a frase, atribuída a ele: “Tiramos o Espírito Santo da invisibilidade e colocamos no mapa do respeito mundial”.

Nos telões ao lado do palco, lia-se “O Espírito Santo escolheu o futuro” e “Da invisibilidade para o respeito”.

Obrigado, Casão!”

O telão de LED também mostrou bastante a frase “Obrigado, Casão!”, a mesma que se viu em camisetas customizadas de muitas pessoas na plateia e até em bandeirolas (bem engraçadas) com o “carão” do governador.

Faixas de vários cantos

Como já era esperado, teve caravanas de tudo quanto é canto do Estado: Mucurici, Piúma, Alto Rio Novo, com direito a faixas de gratidão ao governador… O próprio colunista que vos fala, em dado momento, sentou-se ao lado de um idoso que disse ter vindo de São Mateus.

Escola de samba

No fim do evento, o campo foi invadido, no bom sentido, por ritmistas e belas passistas de uma escola de samba. O intérprete referiu-se à escola como “Unidos do Casão”. Mas, na realidade, eram integrantes da Boa Vista, agremiação ali de Cariacica.

O discurso de Ricardo: “Sai pela porta da frente”

Tirando a quebra de protocolo de Pedro, o último a discursar antes de Casagrande foi Ricardo Ferraço. Ele exaltou o aliado com uma hipérbole: “A mais exitosa trajetória política de um homem público da história do Espírito Santo”.

Ricardo também assumiu responsabilidades: “Eu tenho noção exata da minha responsabilidade, de dar sequência ao trabalho do nosso líder, de manter a simplicidade, a humildade, a empatia para com o dia a dia das pessoas, sobretudo as que mais necessitam”.

O próximo governador também deixou este registro:

“Quando a gente começa um governo, a gente entra pela porta da frente. Isso não é difícil. O mais difícil, o verdadeiro desafio, é quando você sai do governo pela mesma porta que você entrou, ou seja, pela porta da frente, com autoridade moral, pela obra que você lidera, pelo tanto de inspiração que você representa para todos nós, mas principalmente para mim”.

Adeus” ou “até logo”?

“Não vou dar para você um adeus”, disse Ricardo a Casagrande. “Vou dar para você, no máximo, um até logo”.

Mas quem pode ter matado a charada foi o deputado federal Josias da Vitória (PP), que discursou em nome da bancada capixaba no Congresso:

“Por que ele marcou a despedida para 1º de abril? Ele não vai se despedir de verdade! Ele nunca vai se despedir!”

Álvaro Duboc: cérebro e coração

O secretário estadual de Planejamento, Álvaro Duboc (sem partido), foi o braço direito de Casagrande desde janeiro de 2019 e, pode-se dizer, um dos maiores cérebros por trás das decisões do governo.

Duboc não é de muito falar em público. Mas coube a ele fazer o discurso em nome do secretariado. Ao seu lado, vários secretários subiram ao palco, enquanto o telão mostrou uma montagem com suas fotos. Duboc fez um vasto balanço do que foram esses sete anos e três meses de governo. Em alguns momentos, emocionou-se.

Casagrande não perdeu a piada: “Hoje descobrimos que Álvaro Duboc tem coração”, disse, rindo e fazendo rir.

Duboc: alfinetada em Pazolini

Duboc também deixou uma alfinetada em Lorenzo Pazolini (Republicanos), sem nominar o prefeito de Vitória, que, no mesmo dia, apresentou a renúncia ao cargo para ser candidato a governador.

O secretário lembrou o episódio ocorrido em junho de 2020, no auge da pandemia, quando seis deputados estaduais de oposição estiveram na ala de pacientes com covid de um hospital estadual na Serra.

À época, o episódio foi prontamente repudiado pelo Governo do Estado, que sempre o tratou como uma “invasão hospitalar”. Os deputados em questão alegaram que se tratava de uma “visita técnica”. Um dos envolvidos foi Pazolini, então deputado de oposição.

No discurso, Duboc afirmou que parlamentares “invadiram” um hospital no momento mais crítico da pandemia.

Voltas que a política dá…

Outro dos seis envolvidos naquela “visita” (ou “invasão”) foi o deputado Vandinho Leite, então oposicionista, mas hoje líder do governo na Assembleia, correligionário de Ricardo no MDB, apoiador de sua pré-candidatura e presente no evento de despedida.

De “Tropa de Elite” a “Gladiador”

Quando os secretários subiram ao palco, a produção do evento tocou a trilha sonora do filme “Tropa de Elite”, de José Padilha. Quando foi a vez de Casagrande, a trilha executada foi a de “Gladiador”.

Euclério: “Falsos conservadores”

Discursando em nome dos prefeitos, o host Euclério Sampaio disse que Casagrande é “o maior conservador do Espírito Santo” e criticou “falsos conservadores”: “Não adianta nada botar bandeira do Brasil nas costas e destruir famílias, não viver aquilo que prega”.

Além de Euclério, estiveram presentes o prefeito de Viana, Wanderson Bueno (Podemos), o da Serra, Weverson Meireles (PDT), o de Barra da São Francisco, Enivaldo dos Anjos (PSB) – chamado por Ricardo de “decano dos prefeitos” –, entre outros.

Outras “otoridades”

Nas outras categorias de autoridades, o presidente da Assembleia, Marcelo Santos (União), e vários outros deputados estaduais e federais; o procurador-geral de Justiça, Francisco Berdeal, e sua antecessora no cargo, Luciana Andrade; a ex-senadora Rose de Freitas (MDB), chamada por Casagrande de “nossa senadora da República”.

Em outra deferência, Casagrande chamou o deputado federal Paulo Folletto (PSB) de “meu irmão”. Após dois mandatos de deputado estadual e quatro de federal, Folletto está se despedindo de disputas eleitorais.

A família

Além de Dona Virgínia, estiveram presentes os dois filhos de Casagrande, Victor e Milla, e também os seus netinhos.

A chefe de gabinete

Casagrande fez um raro agradecimento nominal, de público, à sua chefe de gabinete, Valésia Perozini (PSB), assessora dele desde o primeiro mandato, na Ales, de 1991 a 1994. “À Valésia, que me acompanha todos os dias no gabinete”.

Com raríssimas aparições públicas, ela é uma das mais antigas e mais influentes conselheiras de Casagrande.

Frase final 1

“Faço uma atividade que me faz muito feliz. Saio de casa todos os dias para fazer o meu trabalho, e é como se eu estivesse indo para uma festa. Para nós, a vida pública tem que ser encarada como uma missão.”

Frase final 2

“Trabalha, trabalha e trabalha, porque de fato o exemplo arrasta mais do que as palavras.”

Frase final 3

“Não fizemos tudo, mas fizemos tudo o que pudemos fazer.”

Frase final (mesmo)

“Estou triste porque vocês sabem que eu gosto de governar, mas alegre porque Ricardo e eu chegamos aqui com este nível de organização, deixando o Estado nestas condições.”

Sim, tinha muita gente, mas…

Tinha muita gente, é verdade. Muita gente mesmo. Mas 6 mil pessoas parece uma estimativa de público um tanto superestimada. Há duas semanas, a própria assessoria do governo informou a esta coluna que a estrutura montada no campo teria capacidade para comportar 2 mil pessoas. É número mais condizente com o que a coluna viu, no campo.

A melhor piada

Encerramos com a melhor piada, feita por Casagrande:

“Dia desses um empresário me disse, lá no Palácio Anchieta: o Brasil podia ser como os países do Oriente Médio, sabe? Se o governante está bem, ele fica por tempo indefinido. A Virgínia foi a primeira a protestar: ‘Lá cada governante pode ter dez mulheres!’”.

Gargalhadas gerais da plateia.

Como foi a despedida de Casagrande no Kleber Andrade

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