Por assessoria / Foto-Legenda. Projeto de coleta seletiva obrigatória abre possibilidade de benefício financeiro para as escolas / Crédito: Divulgação
Projeto de Gandini que incentiva reciclagem nas escolas avança na Assembleia. Medida prevê separação de resíduos, educação ambiental e até geração de renda nas unidades escolares
A Comissão de Educação da Assembleia Legislativa do Espírito Santo aprovou o Projeto de Lei 297/2023, de autoria do deputado estadual Fabrício Gandini (Pode), que obriga a implantação da coleta seletiva em escolas públicas e privadas de todo o Estado.
A proposta determina que as instituições de ensino façam a separação correta dos resíduos — como papel, plástico, vidro e metal — seguindo as regras do sistema de limpeza urbana de cada município. O projeto também prevê ações de conscientização ambiental dentro das escolas.
Autor da proposta e membro da comissão, Gandini defende que a mudança começa pela educação.
“A educação pode ser um instrumento importantíssimo para criar uma cultura. Reciclar é bom para todos. Quanto menos a gente devolver resíduo de forma inadequada para a natureza, mais economia teremos no futuro. É bom para o planeta”, afirmou.
Segundo o deputado, a escola tem papel central na transformação de comportamento da sociedade.
“Essa cultura precisa começar em algum lugar. Se a escola incluir isso no dia a dia, os alunos vão levar esse hábito para casa e ensinar os pais, familiares e vizinhos”, destacou.
Gandini também chamou atenção para um problema comum: a falta de incentivo à separação do lixo dentro das próprias casas.
“Muitas vezes as pessoas não fazem coleta seletiva porque não há separação no destino final. Mas, mesmo assim, precisamos criar o hábito. Eu, por exemplo, não consigo não separar o lixo, independente de onde eu estou”, disse o parlamentar, que preside a Comissão de Proteção ao Meio Ambiente do Legislativo estadual.
Gandini acredita que a medida pode gerar impacto em cadeia e até despertar interesse econômico.
“Os filhos vão ensinar os pais. Se todos separarem, vai ganhar escala. Vai ter gente interessada em buscar esse material, inclusive da iniciativa privada. É uma mudança de perspectiva”, explicou.
Além do impacto ambiental, o projeto também abre possibilidade de benefício financeiro para as escolas.
“Como a escola gera muitos resíduos, esse material pode ser comercializado e virar uma fonte de renda. Isso já acontece em shoppings e supermercados”, completou.
O texto estabelece que a implantação da coleta seletiva deve respeitar a realidade de cada município e só será obrigatória onde já houver sistema estruturado de gestão de resíduos sólidos. A lei passa a valer um ano após a publicação.
A proposta, que deverá entrar em votação em breve na Assembleia Legislativa, está alinhada à Política Nacional de Resíduos Sólidos e busca reduzir os impactos ambientais, incentivar o consumo sustentável e formar uma nova geração mais consciente.



