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Com tornozeleira e tudo, Marcos do Val pode ter voltado ao jogo político capixaba

Por Robson Maia / ES BRASIL / Foto: Divulgação

Senador Marcos do Val pode ter ganhado sobrevida em episódio que, costumeiramente, serve de enterro no jogo político

A política, muitas vezes, beira o irônico. Aquilo que, para qualquer parlamentar, seria considerado o fundo do poço – como o uso de tornozeleira eletrônica, o recolhimento domiciliar noturno, bloqueio de contas bancárias, proibição de uso de redes sociais e outras medidas cautelares determinadas pelo Supremo Tribunal Federal – pode, curiosamente, se tornar uma plataforma para reposicionamento político. Esse parece ser o caso do senador capixaba Marcos do Val, do Podemos (ES).

Na segunda-feira, 4 de agosto de 2025, Do Val desembarcou dos Estados Unidos direto para uma cena que poderia facilmente compor um roteiro de filme político: foi abordado pela Polícia Federal ainda no aeroporto de Brasília, teve o passaporte apreendido e passou a cumprir novas ordens do ministro Alexandre de Moraes, por ter desrespeitado medidas impostas anteriormente. Para muitos políticos, uma situação assim representaria um baque irreversível. No entanto, para Marcos do Val, o episódio pode marcar uma reviravolta.

Analistas da política nacional são unânimes ao afirmar que o desempenho de Do Val no Senado foi decepcionante, especialmente diante dos 863.359 votos que recebeu em 2018, ficando atrás apenas de Fabiano Contarato, do PT, na disputa pelas cadeiras do Espírito Santo. Eleito com o discurso firme da segurança pública, abandonou essa agenda e teve um mandato marcado por polêmicas e declarações controversas, sem grandes projetos ou participação relevante em debates de peso.

Na prática, o senador se destacou mais por episódios vexatórios do que por realizações: declarações polêmicas, ataques a ministros do Supremo, comparações infelizes, suspeitas sobre viagens com verba pública e, sobretudo, denúncias de tentativa de obstrução da Justiça e envolvimento com grupos que buscavam invalidar as eleições de 2022. Foi essa sucessão de fatos que levou às medidas restritivas determinadas pelo STF nesta semana.

É nesse ponto que o enredo começa a mudar. A direita capixaba, que carece de figuras com expressão nacional, pode encontrar justamente nessa crise a oportunidade de reviver politicamente Marcos do Val. Mesmo fragilizado institucionalmente, ele pode ser reposicionado como símbolo de um discurso já bem conhecido: o de perseguição por parte de um Supremo considerado ativista. Essa retórica tem forte apelo junto a segmentos mais radicais da direita, especialmente em tempos de forte sentimento anti-sistema.

E o momento é estratégico. Em 2026, o Espírito Santo terá duas cadeiras em disputa no Senado. Uma delas tende a ser ocupada por Renato Casagrande, do PSB, atual governador com alta aprovação popular. A outra, no entanto, está indefinida. É nesse espaço que Do Val pode tentar voltar ao cenário, não pelo mérito de seu mandato, mas por meio de uma narrativa construída a partir do enfrentamento com o Judiciário.

Não se trata aqui de julgar os méritos jurídicos da situação – essa é uma tarefa da Justiça. Politicamente, o que se observa é uma tentativa de reentrada em cena. Um político que vinha perdendo relevância no debate público e nas redes sociais agora retorna ao centro da atenção, amparado por um novo discurso: o de vítima do sistema.

Com tornozeleira e tudo, Marcos do Val pode ter voltado ao jogo político capixaba

Marcos do Val pode se tornar a aposta da extrema-direita capixaba para 2026. E, por mais controverso que isso pareça, essa aposta pode ter força eleitoral. Num estado onde o conservadorismo é forte, especialmente no interior, basta um discurso sintonizado com o clima de insatisfação para que um nome volte a ganhar fôlego.

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