Por Vitor Vogas / ES 360 / Foto-destaque: Ricardo Ferraço, Arnaldinho Borgo e Renato Casagrande / Crédito: Divulgação
Questionamos governador sobre hipótese de trabalhar com dois candidatos em vez de um, isto é, lançar Ricardo E Arnaldinho, em vez de um ou outro
O número de aliados habilitados a representar o governo em sua própria sucessão já oscilou bastante nas listas de Renato Casagrande. Começou em quatro, em dezembro do ano passado (Ricardo Ferraço, Arnaldinho, Euclério e Vidigal). Nos primeiros meses do ano, subiu para seis (os mesmos, mais Da Vitória e Gilson Daniel). No meio do ano, caiu para três (Ricardo, Arnaldinho e Da Vitória). Agora, só restam dois: Ricardo e Arnaldinho. Independentemente do tamanho da lista, o que nunca mudou foi o número de candidatos que Casagrande pretende lançar e apoiar como representante do governo: apenas um.
Em entrevistas anteriores, o governador já afirmou que, estrategicamente, entende que seu grupo político só deve ter um candidato na disputa pela sua sucessão, representando o projeto político-eleitoral liderado por ele e unificando forças em torno de si. Ricardo e Arnaldinho, no momento, competem por esse lugar. Casagrande há meses tornou explícita sua preferência pelo atual vice-governador.
No entanto, nos últimos dias, chegaram à coluna especulações sobre a possibilidade de lançamento não de um, mas de dois candidatos governistas. Nesse caso, em vez de lançar Ricardo OU Arnaldinho, o Palácio Anchieta poderia lançar Ricardo E Arnaldinho, concomitantemente.
Traçando uma analogia com o mundo do automobilismo, seria mais ou menos como numa corrida de Fórmula 1, na qual cada equipe possui dois pilotos. Ambos pilotam carros iguais (diferindo-se apenas pelo número), vestem o mesmo uniforme, defendem o mesmo emblema, representam a mesma escuderia. E um deles, como costuma ocorrer, pode até ser considerado o “piloto número um” da equipe, condição que lhe rende alguns privilégios: o melhor carro, os melhores pneus, atenção especial dos mecânicos… É nele que os donos da equipe investem mais.
Mas, uma vez na pista, os dois são competidores como outros quaisquer. Vão evitar bater seus carros um no outro, em prejuízo maior da equipe e em benefício dos adversários. Mas qualquer um dos dois pode vencer a prova.
Voltando do automobilismo para a política, num cenário em que Arnaldinho e Ricardo fossem candidatos correndo com o emblema do Palácio Anchieta, sendo o segundo o “piloto nº 1”, ambos na certa evitariam se chocar no meio da prova, fazendo valer um pacto de não agressão durante a campanha eleitoral. Seriam aliados e companheiros (dentro da equipe governista), mas, ao mesmo tempo, concorrentes entre si.
Entretanto, o próprio Casagrande é taxativo. Questionado pela coluna sobre a ideia de trabalhar com duas candidaturas em vez de uma, ele afirma que essa hipótese não está em avaliação. Nem sequer em cogitação.
“Não. Não confirmo isso. Nós vamos decidir nos próximos meses a candidatura. É uma candidatura. Quem tem dois não tem nenhum. Então, nos próximos meses, vamos definir a nossa candidatura e vamos trabalhar com essa candidatura.”
O que Casagrande quer é evitar uma dispersão de forças dentro da ampla aliança comandada por ele no Estado e que ele pretende transferir, na íntegra, para seu candidato a sucessor – hoje, Ricardo Ferraço, a julgar por sua preferência manifesta. Ele busca a unificação. Se ele passa a admitir mais de uma candidatura a esta altura, corre o risco de perder o controle dos movimentos dos aliados.
“O nosso objetivo, naturalmente, é agregar todas as forças políticas em torno de um movimento político, de uma candidatura única, para a gente poder dar sequência àquilo que a gente está fazendo e também aperfeiçoar esse trabalho”, completa.
Ter dois “pilotos” faz sentido?
Na avaliação da coluna, do ponto de vista do governo Casagrande, lançar Ricardo E Arnaldinho só faz sentido se ficar comprovado que essa estratégia é mais eficaz para derrotar o principal adversário estabelecido hoje para o Palácio Anchieta: o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos). Ou seja, se pesquisas quantitativas e qualitativas comprovarem que, com dois candidatos governistas – esses dois candidatos governistas –, a votação de Pazolini tende a ser menor.
Para ser mais exato, teria de ficar comprovado que Arnaldinho tira votos de Pazolini, sem prejuízo da campanha de Ricardo; ou, para ser ainda mais exato, que o prefeito de Vila Velha tira muito mais votos de Pazolini do que tira de Ricardo.
Com perfil geracional parecido, Arnaldinho poderia ser uma alternativa a Pazolini para o eleitor que realmente prefere votar num candidato mais jovem e com menor quilometragem política, mas que aprova o governo Casagrande e tende a priorizar um candidato que seja aliado do governador.
Diferentemente de Ricardo, Arnaldinho poderia falar em “renovação”; diferentemente de Pazolini, poderia falar em “renovação com continuidade ao que está bom”, ou “continuidade ao que está bom, mas com renovação”. O eleitor simpático ao atual governador e mais conservador seguiria votando em Ricardo de todo modo.
Por esse ângulo, voltando à metáfora da corrida de automóveis, Arnaldinho poderia jogar como aquele segundo piloto da equipe que atrapalha e retarda o primeiro piloto da escuderia adversária, enquanto seu companheiro de equipe se distancia na frente.
Esse é um ângulo de análise.
Mas acaso não existe o risco de que se dê o contrário? Se semelhante estratégia fosse colocada em prática, Arnaldinho não poderia acabar por tirar mais votos de Ricardo do que de Pazolini?
Quem quisesse votar num candidato de oposição, votaria em Pazolini de todo modo… Mas simpatizantes do governo, que preferem votar num aliado de Casagrande, poderiam migrar de Ricardo para Arnaldinho seduzidos pela imagem e pelo discurso de renovação do prefeito de Vila Velha.
Esse é um segundo ângulo de análise.