Por Thamiris Guidoni / ES BRASIL / Foto-legenda: Lorenzo Pazolini, Helder Salomão e Ricardo Ferraço participaram das Sabatinas pela Educação – Eleições 2026, com propostas para os principais desafios da educação no Espírito Santo / Crédito: Thamiris Guidoni / Arte: IA
Lorenzo Pazolini, Helder Salomão e Ricardo Ferraço apresentam propostas para educação, com foco em ensino integral, professores, creches e formação profissional durante sabatinas.
Durante as Sabatinas pela Educação – Eleições 2026, realizadas nesta terça-feira (22), Lorenzo Pazolini (Republicanos), Helder Salomão (PT) e Ricardo Ferraço (MDB) detalharam propostas para a educação no Espírito Santo. Promovido pelo Todos Pela Educação e pelo Espírito Santo em Ação, o encontro reuniu os candidatos em entrevistas individuais de até 40 minutos.
Entre os principais temas discutidos estiveram o ensino em tempo integral, alfabetização, educação infantil, formação profissional, valorização dos professores e a parceria entre Estado e municípios. As propostas apresentadas abordaram ainda a permanência dos estudantes nas escolas, a qualificação para o mercado de trabalho e a gestão das redes de ensino.
Em entrevista à ES Brasil, Fernando Saliba, presidente do Espírito Santo em Ação, destacou a importância de colocar a educação no centro da discussão eleitoral. Para ele, embora o Espírito Santo tenha avançado em áreas como a ampliação do ensino em tempo integral, ainda há espaço para melhorar os resultados educacionais.
“Educação é o tema básico de qualquer programa de governo, qualquer plataforma de governo que venha a ser estabelecida”, afirmou.
Saliba também destacou a troca de experiências como uma ferramenta para identificar iniciativas que possam ser adaptadas à realidade capixaba. Segundo ele, a parceria entre o Espírito Santo em Ação e o Todos Pela Educação, que já dura mais de duas décadas, permite buscar referências no Brasil e no exterior.
“A gente não tem que ter preocupação em copiar, a gente tem que copiar o que tem de bom e melhorar em cada tema desse, fazer avanços mais significativos”, disse.
Outro ponto citado por Saliba foi a ampliação do acesso às creches para crianças de 0 a 3 anos. Embora a educação infantil seja uma atribuição dos municípios, ele defendeu a articulação entre diferentes esferas de governo e organizações para ampliar a oferta.
“A gente precisa o estado, o ente federativo do estado, mas a união e as organizações para que a gente possa de fato fazer com que todas as crianças tenham a oportunidade de ir a creche”, afirmou.
Na sequência, os candidatos apresentaram suas propostas para os principais desafios da educação capixaba.
Lorenzo Pazolini afirmou que o Espírito Santo precisa avançar nos indicadores educacionais e não se acomodar com os resultados já alcançados. Entre os desafios apontados pelo candidato estão a aprendizagem em língua portuguesa e matemática e a permanência dos jovens no ensino médio.
“Não podemos nos contentar em ser o segundo. Nós precisamos ser um exemplo para o Brasil. E nós precisamos melhorar, inclusive, para que o Brasil possa melhorar.”
Para enfrentar a evasão, Pazolini defendeu uma atuação mais próxima dos estudantes que abandonaram a escola e uma educação mais conectada à realidade dos jovens.
O candidato também propôs ampliar o ensino em tempo integral para outros municípios capixabas, tomando como referência, segundo ele, a experiência desenvolvida em Vitória.
A proposta envolve uma jornada ampliada com alimentação, acompanhamento e atividades ao longo do dia, especialmente em áreas consideradas mais vulneráveis. “Não precisamos inventar a máquina. Não precisamos criar um novo modelo.”
Na educação infantil, Pazolini defendeu a ampliação do acesso às creches, especialmente para crianças de zero a três anos, e uma atuação conjunta entre Estado e municípios. “A gente precisa investir maciçamente na primeira infância. A gente precisa inverter essa pirâmide.”
Na educação profissional, o candidato afirmou que a oferta de cursos deve considerar as características econômicas de cada região e as necessidades do mercado de trabalho. Também defendeu maior aproximação com empresas, instituições de qualificação profissional e universidades. “Não adianta produzir ou entregar diploma, certificado, se não há empregabilidade.”
Para a formação dos professores, Pazolini defendeu maior interação presencial e criticou a dependência excessiva das telas. “Precisamos de mais interação, de mais contato, de olhos nos olhos, de proximidade.”
Na carreira docente, o candidato falou em valorização profissional, melhores condições de trabalho e recomposição salarial, mas ressaltou que as medidas precisam considerar a situação fiscal do Estado. Pazolini também afirmou que pretende manter uma atuação próxima das escolas e citou a experiência de visitas a unidades de ensino durante sua gestão como prefeito de Vitória.
Ao tratar dos resultados educacionais, o candidato destacou a necessidade de reduzir o número de estudantes que deixam a trajetória escolar pelo caminho. “Sucesso é olhar e chegar ao final de quatro anos e ver que ninguém ficou para trás.”
Ele ainda defendeu que experiências que apresentam bons resultados sejam identificadas e levadas a outras escolas e municípios, com decisões baseadas em resultados e evidências.
Helder propõe integração entre educação e outras áreas
Helder Salomão apresentou uma proposta baseada na integração entre educação, saúde, assistência social e segurança pública, além do fortalecimento da relação entre Estado e municípios. “Nós precisamos pensar na formação integral, não só com a formação compartimentada.”
Para o candidato, a escola deve atuar também na formação dos estudantes e na relação com famílias e comunidades, além do ensino de disciplinas como língua portuguesa, matemática e ciências.
A permanência dos jovens no ensino médio foi outro ponto destacado. Segundo Helder, dificuldades econômicas e a necessidade de trabalhar estão entre os fatores que levam estudantes a deixar a escola. “A realidade da maioria dos jovens do Brasil é dura.”
Como estratégia para enfrentar a evasão, ele citou iniciativas relacionadas ao empreendedorismo e ao cooperativismo, além de políticas voltadas à permanência dos estudantes.
Na educação profissional, Helder propôs um programa estadual de qualificação conectado às características e demandas de cada região. “Nós precisamos saber qual é a vocação daquela região, quais são as demandas das empresas, quais são as demandas do setor produtivo.”
O candidato defendeu a participação do Sistema S, universidades, institutos federais e empresas na construção da política e citou a necessidade de ampliar a educação profissional e tecnológica no interior do Estado.
Na formação dos professores, Helder defendeu uma política permanente de capacitação. “A capacitação tem que ser alvo permanente. A formação é um processo permanente.”
Segundo o candidato, a valorização dos profissionais envolve formação continuada, remuneração e melhores condições de trabalho. Ele também afirmou que pretende discutir uma política de cuidado e atenção à saúde dos profissionais da educação.
Para o ensino em tempo integral, Helder defendeu a universalização da modalidade, combinando expansão da infraestrutura, valorização dos profissionais e formação permanente.
Outro ponto apresentado foi a gestão das escolas. O candidato defendeu critérios relacionados à capacidade de gestão e à participação da comunidade escolar e criticou a interferência político-partidária na escolha de gestores. “Nós vamos acabar com a interferência política, com a ingerência política na gestão das escolas.”
Helder citou a experiência de Cariacica com eleição de diretores e afirmou que pretende discutir o modelo para a rede estadual com os profissionais da educação.
Na relação com os municípios, o candidato defendeu uma parceria que vá além do repasse de recursos e inclua apoio ao planejamento das políticas públicas. “Não é só mandar dinheiro para construir creche, para construir escola. É ajudar o município a planejar.”
Helder também incluiu sustentabilidade e mudanças climáticas entre os temas que devem fazer parte da educação. “Preservar e cuidar do planeta não pode ser missão de ambientalistas. Tem que ser missão de todos nós.”
Ferraço defende universalização do ensino integral
Ricardo Ferraço apresentou como uma das principais metas a universalização do ensino em tempo integral na rede pública estadual. Segundo o candidato, o número de escolas nessa modalidade passou de 32 para 232, com outras unidades em construção.
A meta apresentada por Ferraço é chegar a 100% da rede em tempo integral no próximo ciclo. “Eu quero ser reconhecido como o governador que colocou 100% do ensino integral no Espírito Santo.”
O candidato também defendeu a continuidade das políticas de alfabetização e das ações voltadas à primeira infância, além da parceria entre Estado e municípios para construção e ampliação de creches.
Na educação profissional, Ferraço propôs aproximar ainda mais a formação oferecida pelas escolas das necessidades do setor produtivo. Ele citou áreas relacionadas à inovação, tecnologia e inteligência artificial como parte das competências que pretende ampliar na rede.
Segundo o candidato, a definição dos cursos deve partir das demandas apresentadas pelas empresas. “Nós vamos ao mercado, consultamos o mercado sobre a necessidade das competências e nós adquirimos nas faculdades privadas esses cursos.”
Ferraço também citou instituições de ensino superior e de educação profissional como parceiras para ampliar a formação de acordo com as demandas de cada região.
Na carreira dos professores, defendeu recomposição salarial e a realização de concursos públicos para ampliar o quadro efetivo da rede. Também afirmou que pretende manter investimentos em formação e qualificação profissional.
A estrutura das escolas foi outro ponto abordado. Ferraço defendeu a ampliação da climatização das unidades e afirmou que pretende levar o ar-condicionado a todas as escolas.
Na relação com os municípios, o candidato defendeu a continuidade do PAES, o Pacto pela Aprendizagem no Espírito Santo, como instrumento de colaboração entre as redes. “Continuidade não é continuísmo. Continuidade é melhorar e acelerar aquilo que está dando certo.”
Ferraço também afirmou que pretende adotar critérios técnicos para a composição da equipe da Secretaria de Educação, combinando conhecimento técnico e capacidade de articulação política.
Ensino integral, professores e municípios estão entre os pontos em comum
Embora tenham apresentado estratégias diferentes, os três candidatos abordaram temas semelhantes durante as sabatinas. O ensino em tempo integral foi defendido por todos: Pazolini falou em expandir a modalidade a partir de experiências de Vitória; Helder propôs a universalização com investimentos em infraestrutura e profissionais; e Ferraço estabeleceu como meta chegar a 100% da rede estadual.
A valorização e formação dos professores, a educação profissional e a relação entre Estado e municípios também apareceram nas três entrevistas, com propostas distintas. As sabatinas colocaram ainda em debate primeira infância, alfabetização, permanência dos estudantes, gestão escolar e formação para novas tecnologias.



