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Arnaldinho Borgo: “Não faz sentido deixar a prefeitura para ser vice”

Arnaldinho Borgo: “Não faz sentido deixar a prefeitura para ser vice”

Por Vitor Vogas / ES 360 / Foto-legenda: Arnaldinho Borgo é prefeito de Vila Velha / Crédito: Reprodução 

Em entrevista exclusiva, prefeito de Vila Velha revela que o PSDB passa a ser considerado por ele, “com toda a certeza”, como uma opção real de filiação. O prefeito conta detalhes sobre a conversa que teve com Aécio Neves na terça (25), em Brasília

Primeiro, ele inaugurou uma quadra poliesportiva numa escola municipal em Balneário Ponta da Fruta. Depois, posou para dezenas de selfies, em meio a grande tietagem de crianças e adultos. Pegou um neném no colo, a pedido dos próprios pais, para uma foto com a criança. Em seguida, bateu um pênalti simbólico, o pontapé inaugural da quadra, dentro de um corredor de aplausos. Mais dezenas e dezenas de abraços, beijos e selfies. Enfim, conseguiu se retirar. Driblando a torcida, pediu licença e atendeu a coluna. O combinado foi um bate-bola – não como o chute inaugural: um bate-bola à vera. Ele topou, cumpriu e respondeu a tudo pra valer, sem driblar as perguntas.

Como você poderá conferir, na entrevista abaixo, feita na noite de quarta-feira (26), o prefeito Arnaldinho Borgo revela que o PSDB passa a ser considerado por ele, “com toda a certeza”, como uma opção real de filiação. O prefeito conta detalhes sobre a conversa que teve com Aécio Neves na véspera, em Brasília.

Reafirmando que é candidato a governador do Espírito Santo, afirma que seu foco e sua meta seguem sendo se viabilizar como o candidato do grupo liderado pelo governador Renato Casagrande (PSB). Diz que não se vê como candidato a vice-governador de Ricardo Ferraço (MDB) e que, se for para ser vice, prefere continuar como prefeito. “Não faz sentido deixar a prefeitura para ser candidato a vice-governador.”

Assim como Casagrande, Arnaldinho entende que o governo só deve ter um candidato (ele ou Ricardo). Quer que esse candidato seja ele e seguirá trabalhando para isso. “Por enquanto, estou jogando parado”, avisa, sublinhando uma grande diferença em relação a concorrentes nesse jogo. Mas isso em breve vai mudar. O prefeito pretende começar a percorrer o Estado intensamente, como já têm feito, há muito tempo, Ricardo e o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos).

Arnaldinho não chega a descartar uma eventual candidatura ao Senado: responde com um “talvez”, mas acrescenta que a probabilidade é remota. Tampouco chega a descartar filiação ao Progressistas (PP), mas reconhece que o movimento ali não evoluiu como ele gostaria. “Senti que estava atrapalhando, então recuei.”

Se nada mais der certo, ele vai se filiar ao pequeno PRD, que fará federação com o Solidariedade. Boia de salvação? “Não deixa de ser”, admite.

Ao bate-bola!

Prefeito, quantas selfies o senhor fez aqui hoje?

Ah, não sei… Foram muitas.

E é sempre assim?

Sim! O carinho das pessoas é muito grande, por conta do que estamos fazendo. Aqui neste bairro mesmo: desde que assumi, já asfaltamos 12 ruas e faltam ainda algumas para serem feitas. Todo o dinheiro que o município tem, eu faço investimento em obras que transformarão os bairros.

Sua vontade pessoal é concluir pessoalmente essa obra, terminar de entregar esses projetos, essas ruas asfaltadas, até o final do mandato? Ou passar a bola para seu vice, o Cael Linhalis, em abril, para poder de fato disputar o Governo do Estado?

Eu estou muito tranquilo. Se eu ficar, com toda a certeza vou trabalhar muito para que a gente entregue tudo o que foi planejado. A maioria das obras já estão sendo executadas. Eu costumo dizer que agora vem o extraordinário. Nós estamos falando de obras de mobilidade urbana, de construção de mais de 50 quilômetros de ciclovia, de nova pavimentação, nova drenagem, calçadas acessíveis… São mais de 152 obras sendo executadas simultaneamente na nossa cidade. Nós estamos falando de uma transformação que a cidade está passando.

Em meio a tantas obras e entregas, o senhor esteve na terça-feira (25) com o Aécio Neves, que nesta quinta (27) será homologado presidente nacional do PSDB, no encontro do Diretório Nacional do partido. O senhor continua buscando um partido para se filiar. O PSDB passa a ser uma opção de filiação para o senhor neste momento?

Com toda a certeza! Eu estou sem partido, estou em busca de me viabilizar para ser candidato ao Governo do Estado. Estou trabalhando isso com muito pé no chão, sem atropelo, sem errar. Tive a oportunidade de conversar com a Aécio em Brasília, parabenizá-lo pela eleição que vai ser amanhã [nesta quinta]. Tive a oportunidade de ouvir sobre o Brasil, ouvir sobre experiências pessoais. Acredito que foi muito boa a nossa agenda. E eu também coloco como opção ir para o PSDB, mas com muito diálogo, sem atropelo. Não tenho pressa.

O senhor e o Aécio trataram objetivamente de uma possível filiação?

Conversamos, sim. Aécio é um grande líder. Estou falando de uma pessoa que tem 40 anos de vida pública, sem interromper, 40 anos direto de cargos públicos. Ou seja, tem uma experiência, uma bagagem, foi candidato a presidente da República, bateu na trave, quase ganhou. É uma pessoa que tem experiência, e ele não perdeu a oportunidade: falou que o PSDB está de portas abertas, mas a gente ficou de voltar a conversar.

Vocês trataram especificamente de uma possível mudança no comando do Diretório Estadual do PSDB no Espírito Santo?

Não. Nós só falamos dos quadros que tem no PSDB. Ele falou da oportunidade e da vontade que ele tem de colocar o PSDB e avançar o PSDB nas políticas públicas do país, falar de política, não ficar falando de extremismos, que não têm nada que muda a vida das pessoas, só narrativas que colocam as pessoas para brigar umas com as outras… Ele falou muito do que o PSDB fez ao longo dos anos, principalmente quando o presidente Fernando Henrique estava na Presidência, de políticas públicas que mudam a vida das pessoas, como estas que estamos fazendo aqui. Isso é transformação. Isso muda a vida das pessoas. Foi isso que nós falamos.

Nesse caso, se vier a se concretizar o seu ingresso no PSDB, a presidência estadual, ou melhor, o controle do partido não é uma condição para o senhor se filiar?

Eu não botei nenhuma condição, até porque não chegou nesse ponto, mas isso não é condição para mim, sabe? Eu estou muito desprendido quanto a isso. Eu acredito que, quando a gente começar a fazer movimentos políticos pelo Estado inteiro, a gente vai começar a ter talvez uma musculatura maior. É o que eu acredito. Por enquanto, a gente está jogando parado. Eu estou parado. Você está vendo que eu estou muito focado na cidade de Vila Velha. São muitas obras, muitos investimentos. Amanhã eu inicio mais uma unidade básica de saúde [em Boa Vista I]. Então estou focado em executar tudo o que nós planejamos para a cidade.

Então o senhor pretende começar a circular mais pelo Estado, inclusive como outros potenciais candidatos já estão fazendo há muito tempo? Quando é que o senhor pretende começar?

Eu não tenho uma data, sabe? Mas eu tenho até o dia 4 de abril para tomar essa decisão de como vai ficar a minha vida. Vou jogar com o tempo. É o que eu estou fazendo. Eu ando com o tempo, sem pressa, sem queimar etapas, sem queimar largada, ouvindo todo mundo, ouvindo o governador, que é a nossa liderança maior, eu faço parte do projeto dele, sem vaidade… Estou muito desprendido quanto a isso, porque estou feliz sendo prefeito de Vila Velha, realizando o que nós planejamos, mas ficarei feliz também se tiver a oportunidade de concorrer ao Governo do Estado.

O senhor continua se declarando pré-candidato a governador?

Sim. Eu sou pré-candidato a governador.

Na carta pública em que tornou pública sua vontade de ser candidato a governador, em meados de junho, o senhor estabeleceu algumas premissas. Uma das principais, se não a principal, é que o senhor considera que está se encerrando um ciclo geracional de políticos no Espírito Santo e que a sociedade capixaba anseia por um candidato mais jovem que represente essa mudança de ciclo geracional. O senhor mantém essa visão?

Eu mantenho. Essa visão não é uma visão do Arnaldinho, é uma visão de uma pesquisa que foi feita, uma pesquisa qualitativa em todo o Estado do Espírito Santo. É uma pesquisa a que a gente teve acesso, que mostra isso para a sociedade. Não quer dizer que nós não temos outros bons nomes. Eu acredito que o Espírito Santo hoje tem bons nomes, sabe? E isso é um motivo de se comemorar. Imagina se um estado como este, que está vindo há 24 anos, sendo bem governado por dois grandes nomes [Casagrande e Paulo Hartung], cair em mãos erradas. Isso é muito ruim para o Espírito Santo. Então, acredito que nós temos bons nomes, independentemente de mudança geracional ou não, mas eu me coloco como essa mudança, me coloco e quero discutir políticas públicas no Estado do Espírito Santo com todo mundo, ouvir todo mundo. Como eu já bem falei, eu não tenho dificuldade em dialogar com ninguém. Me dou muito bem com as diferenças. Eu acho que a sociedade é feita do plural e não do singular. É feita de diferenças. Um pode pensar diferente do outro, mas nós precisamos nos respeitar. Talvez falte isso na nossa política.

O senhor acabou de reafirmar que pertence ao grupo de Renato Casagrande e não abre mão disso. O governador tem dito, e voltou a dizer na semana passada, que o grupo liderado por ele deve ter um só candidato. Perguntei a ele: “Por que não os dois? Não pode ser Arnaldinho e Ricardo, em vez de um ou outro?” Ele disse: “Não. Quem tem dois não tem nenhum”. O senhor concorda com isso ou acha que poderia haver espaço para os dois concorrerem ao governo, num pacto de não agressão e de respeito mútuo?

Eu acho que não. A não ser que o grupo identifique que é importante e necessário para o grupo. Mas, no dia de hoje, eu acho que não. Acho que não tem por quê. E acho que talvez a gente consiga chegar a um consenso, construindo um caminho, todos do grupo, não só eu e Ricardo, mas tem outros atores também no grupo, outras lideranças políticas no grupo, que vão contribuir para a eleição de 2026. Acho que a gente pode chegar a um consenso e talvez tentar fazer uma grande aliança no Espírito Santo. Esse é o meu desejo: fazer uma grande aliança.

O senhor diz “todos juntos, numa grande aliança”. A propósito disso, e uma eventual candidatura a vice-governador em uma chapa encabeçada por Ricardo? Isso está no seu radar? O senhor está considerando essa hipótese?

Eu não considero essa hipótese. Não é por causa de vaidade, é porque eu acredito que talvez eu não vou contribuir como vice. Neste momento eu acredito nisso. E também porque eu tenho a cidade de Vila Velha para tocar. Então, não é vaidade, não é sapato alto, é pé no chão, é entender que eu posso contribuir como governador. Mas também posso ajudar o nome, se eu não for candidato. E, se for o Ricardo, será ele que será ajudado.

Como um apoiador? Como cabo eleitoral?

Com toda a certeza, igual eu fiz com o Renato Casagrande em 2022.

Em outras palavras, não faz sentido abrir mão da Prefeitura de Vila Velha para ser candidato a vice?

Não faz sentido, é isso que eu estou te falando. Talvez eu possa até contribuir, ajudando o nome de Ricardo aqui em Vila Velha, se for ele o escolhido, para que a gente possa chegar e continuar o trabalho.

Sua resposta agora já indicou o caminho para a seguinte, mas não posso deixar de perguntar, porque está se especulando muito, cada vez mais, sobre uma possível candidatura do senhor também ao Senado… Até para deputado federal eu já ouvi. O Senado está em cogitação para o senhor?

Não sou candidato a deputado estadual nem a federal. Acredito que tem bons nomes aí que serão, e que nós vamos ajudar também, não só na cidade, mas em todo o Estado do Espírito Santo. Não se justifica eu sair candidato a deputado federal, até porque aqui em Vila Velha a gente ajudou o deputado federal Victor [Linhalis] a ganhar as eleições, e ele tem contribuído muito para o desenvolvimento da cidade com as emendas parlamentares. Se nós fizermos uma retrospectiva muito rapidamente, em três anos de mandato que ele vai completar agora, ele já mandou mais de R$ 100 milhões para Vila Velha. Acredito que a turma vai querer ajudá-lo pelo que ele tem feito aqui. Deputado estadual nós temos um monte de nomes na cidade.

E o Senado?

Senado talvez, mas é muito remoto isso, sabe? Tudo está muito longe, eu acho. O cenário está muito longe para alguma coisa ser decidida, mas tudo é dialogado.

O foco é mesmo se viabilizar para o governo…

Meu foco é me viabilizar para o governo. E vou tentar isso. Mas sem cometer loucuras, sem queimar largada. Loucura que eu falo é o seguinte: a pesquisa mostra que eu não sou viável. Por que eu sairei candidato? Você está entendendo?

O que é “ser viável” na sua cabeça, matematicamente? Qual seria uma pontuação mínima de largada?

Não tem pontuação mínima, mas quando a gente pega e faz uma pesquisa próxima, no meu caso, eu preciso ter uma pesquisa para me basear cientificamente, não no achismo e não empiricamente, para tomar uma decisão. Se a pesquisa científica mostra que eu estou performando, que eu tenho condições de performar mais, e que o cenário ao meu redor está favorável, aí sim.

Com esse movimento de começar a percorrer o Estado nos próximos meses, o senhor espera crescer?

Pode acontecer, como pode acontecer depois de abril, se eu sair candidato. Aí sim, eu vou ter condições de rodar com maior tranquilidade e conversar com a sociedade, falando das políticas públicas que eu acredito que o Estado precisa avançar, que o Estado precisa ter.

No Progressistas (PP), em dado momento, ali em meados de setembro, logo depois daquela sua visita ao Ciro Nogueira, parecia que o senhor já estava com um pé e meio dentro do partido, mas a coisa não fluiu. Teve ali um movimento do Marcelo Santos, do Evair de Melo… A possibilidade de filiação ao PP agora está arquivada?

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